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CONSEA

    A Comissão Regional de Segurança Alimentar Nutricional (CRSAN), Mariana (MG), esteve reunida no dia 19, em Conselheiro Lafaiete (MG). A reunião foi coordenada pelo padre João Carlos Siqueira, de Ouro Branco (MG) e teve como objetivos escolher os membros da coordenação e os representantes dos Municípios na Comissão. Além disso, elegeu-se também o representante da região para compor o CONSEA-MG e aprovou-se o regimento interno da CRSAN – Mariana.
    Preparando-se para a primeira Conferência Estadual Nutricional Sustentável de Minas Gerais, os presentes estudaram texto que tratava do assunto e votaram propostas a serem aí apresentadas.
    Os delegados eleitos para esta Conferência que acontece no Cesc-Venda Nova (BH) nos dias 1 e 2 de dezembro: das organizações Governamentais: Paulo Jorge Vieira, Gisélia Siqueira De Souza, Efigênia Lucas Garcia, José Germano, Pedro Rubens Lopes, Efigênia da Cruz Ventura, Paulo Alves Siqueira, Clemente Ricardo Almeida, Daniela Cristina Alves, Rosinéia de Castro e das organizações não Governamentais: João Carlos Siqueira, Marta Aparecida Domingos, Sebastião Alencar Dala Vedova, Zilda Helena dos Santos Vieira, Ilza das Graças Simões, Dany Sílvio Souza Leite Amaral, Eli de Oliveira Nascimento, José Geraldo Neves, Danilo Gonçalves Saraiva, Luiz Carlos Henrique de Araújo, Sérgio da Fonseca Dias, Tarcísio da Silva, Pe. Antônio Claret Fernandes, Carlindo Rosa Loures, Ana Marta Lino Lima, Pe. José Geraldo Vidal, Adriana Cristina Baiêta, Nilza Assunção, Robson Salomão e Laura Cristina de Sena.

Propostas

    Estas são as propostas que a Comissão Regional de Segurança Alimentar Nutricional – Mariana vai apresentar na primeira Conferência de Segurança Alimentar, em Belo Horizonte:
1. Estimular e apoiar a formação de associações de pequenos agricultores com fins produtivos
2. Promoção de hortas urbanas em áreas ociosas: familiar, escolar e comunitária
3. Estimular formas de micro-crédito e de crédito solidário, para projetos que atendam as necessidades comunitárias
4. Criar espaços públicos para venda direta de produtos diferenciados (artesanais, orgânicos e outros )
5. Aprimorar o cardápio e as normas dos editais de compra para a alimentação escolar e de outros programas públicos priorizando os produtos regionais
6. Conferir apoio específico ás mulheres produtoras da zona urbana e rural, bem como de idosos
7. Implementar programas de redução das perdas e do desperdício de alimentos através da mobilização das comunidades envolvidas e seus representantes
8. Apoiar as iniciativas não-governamentais voltadas para a suplementação alimentar e o combate ao desperdício
9. Promoção de redes de economia solidária através da organização de grupos de compras de produtos comunitários
10. Construção de restaurante popular oferecendo refeições de qualidade a baixo preço e desenvolvimento de programas especiais de oferecimento de refeições
11. Construção e aparelhamento dos serviços municipais de inspeção e vigilância sanitária com atuação conjunta dos serviços de inspeção e fiscalização com as entidades dos consumidores
12. Introduzir ou apoiar programas de utilização de alimentos não convencionais, produtos típicos e diferenciados
13. Incorporar o tema de segurança alimentar aos currículos escolares já existentes, e capacitar os professores para trabalhar este tema com criatividade
14. Prever a participação da representação dos consumidores nas instâncias deliberativas e nos programas públicos
15. Extensão da rede de água e de saneamento básico
16. Combate prioritário à contaminação dos fontes de abastecimento de água
17. Apoiar as ações de doação e distribuição de alimentos, associados a ações organizativas e educativas
18. Assegurar o bom funcionamento do SISVAN no município
19. Integrar as atividades nas unidades do SUS e nas escolas, creches aos objetivos da política de segurança alimentar
20. Incorporar a iniciativa privada nos espaços de coordenação da política de segurança alimentar e aproximar sua implementação das diretrizes e atividades da política municipal
21. Promover cursos de capacitação no processamento de alimentos, área de alimentos não convencionais, aspectos gerências e comercias e outros
22. Criação e Incentivos de oficinas de profissionalização;
23. Reanimar as cooperativas;
24. Incentivos as Feira;
25. Capacitação para montagens e encaminhamentos de projetos;
26. Fortalecer as organizações sociais já existentes como: Pastoral da Criança, Carcerária, do Menor e da Mulher Marginalizada;
27. Gestão em Rede, facilitando os projetos sociais Comunitários;
28. Estimular a participação popular dos movimentos sociais que visem preservação do meio ambiente;
29. Colaborar nas discussões regionais sobre as atividades ligadas ao Desenvolvimento Rural Sustentável;
30. Incentivar a produção de alimentos, dentro de um processo produtivo orgânico;
31. Disponibilizar as terras devolutas para assentamento de famílias carentes;
32. Garantir a permanência e o direito das Famílias Ribeirinhas ante as ameaças das barragens;
33. Imediata alternativa de geração de renda para as meninas;
34. Garantir a manutenção das Escolas Famílias Agrícolas (EFAS) visando a integração do jovem no meio rural;
35. Os Municípios que não têm o Conselho Municipal de Assistência Social, as Entidades deverão receber atestado de Funcionamento Diretamente do Conselho Estadual de Assistência Social;
36.Uma ampla campanha contra os transgênicos, os agrotóxicos, a privatização das águas e a busca de um modelo sustentável de desenvolvimento apoiando escolas adaptadas ao meio rural, a organização do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Associação dos Pequenos Agricultores para acontecer a Reforma Agrária.
37. Fazei- um esforço para mudar a forma de exercício do trabalho que favoreça relações mais fraternas e coletivas, usando a criatividade investindo em políticas públicas de emprego e renda.
38. Preparação das lideranças para que incentivem e assumam os vários Conselhos Municipais como garantia de democratização do poder.
39. Desenvolver atividades que favoreçam um processo educativo como um compromisso de todos, principalmente fortalecendo os Colegiados.
40. Continuar questionando a implantação de barragens através do apoio irrestrito aos atingidos, incentivando o aproveitamento das fontes alternativas de energia.
41.Incentivar uma cultura onde mulher e homem sejam parceiros na construção e defesa da vida como imagem e semelhança de Deus.
42. Continuar lutando para garantir que o SUS funcione de verdade, atendendo ás pessoas de forma satisfatória, fazendo o trabalho de saúde preventiva e motivar as comunidades para valorizar o uso da Medicina Natural.
43. Buscar garantir que os projetos do CONSEA-MG possam ter uma participação ativa da sociedade organizada e sejam de fato implementados pelo Governo.

Seminário

    Hoje, o Instituto de Filosofia do Seminário São José, de Mariana, promoverá a formatura de 17 seminaristas que deverão, a partir de 2002, iniciar seus estudos no Instituto de Teologia, em Mariana. Haverá missa de ação de graças, às 17 horas, presidida por dom Luciano Mendes e outras atividades comemorativas. Dos 17 seminaristas que estão concluindo o curso de filosofia, dez são da Arquidiocese de Mariana (MG), quatro de Sete Lagoas (MG) e três de Porto Nacional (TO). Após a cerimônia os seminaristas, tanto os de filosofia quanto os de teologia, entram de férias.    Já no dia 2 de dezembro, em Barbacena, 17 seminaristas estarão concluindo o curso do Propedêutico com encontro com as famílias e celebração eucarística. A celebração será presidida pelo reitor do Seminário São José, padre Tarcísio Sebastião Moreira.

Diáconos

    O Conselho Presbiteral aprovou a colocação dos diáconos ordenados em 10 de novembro. Danival Milagres Coelho auxiliará o padre Valter Magno, em Barbacena (MG), na Basílica São José, região Sul; José Geraldo Coura irá para Piranga (MG) e Rogério de Oliveira para Senador Firmino (MG), região Centro; Walter Jorge atuará em Viçosa (MG), na paróquia Nossa Senhora de Fátima, região Leste e, para Conselheiro Lafaiete, Santuário Sagrado Coração de Jesus, na região Oeste, está designado José Flaviano da Silva. 
Pastoral do Menor

    A Pastoral do Menor do Regional Leste II, Minas Gerais e Espírito Santo, realizou sua VII Assembléia nos dias 23 a 25, em Belo Horizonte. Coordenado pelo articulador do Regional, padre Manolo Diaz, de Governador Valadares, a assembléia reuniu 48 agentes de 12 dioceses das 17 articuladas. Dom Leonardo de Miranda Pereira, bispo da diocese de Paracatu e responsável pela Pastoral do Menor no Leste II, participou todo o tempo dirigindo palavras de incentivo aos presentes. Padre Geraldo Martins, de Cachoeira do Campo (MG), ex-articulador do Regional, assessorou abordando o tema "Solidariedade, caminho para a paz". Além das propostas para os próximos anos, a assembléia elegeu os delegados que deverão participar da Assembléia Nacional marcada para maio de 2002. Da arquidiocese de Mariana foi eleito padre Alec, coordenador arquidiocesano da Pastoral da Criança e do Menor.

Bodas de Ouro

    O cônego Antônio de Pádua Souza, 83, comemora, no próximo dia 2 de dezembro, 50 anos de vida sacerdotal. Nascido em Porto Firme, o sacerdote exerceu seu primeiro trabalho na cidade de Ferros (MG) e Sete Cachoeiras (hoje, comunidades da diocese de Guanhães). Durante dez anos, foi vigário em Piedade de Ponte Nova e Urucânia. Em Mariana, auxiliou no Seminário como ecônomo, professor e diretor espiritual e foi pároco da Catedral durante 20 anos. Atualmente reside em sua cidade natal, mas ainda vai ao Seminário de Mariana uma vez por mês onde é diretor espiritual.
    As comemorações de suas bodas sacerdotais começaram no dia 23, com missa de ação de graças no Seminário de Teologia, presidida por dom Luciano Mendes. No dia 2, em Porto Firme, haverá celebração às 11 horas e, à noite, a comunidade reunida entoará o Te Deum.

Região Centro

Pe. Luiz Faustino conta como foi o Mutirão de Evangelização   

"Talvez possamos afirmar que o fato mais marcante do ano de 2001, na Região Pastoral Mariana Centro tenha sido a realização do III Mutirão de Evangelização. Trabalharam aproximadamente uns 90 missionários leigos e visitaram 90% das famílias da região. Os missionários foram preparados através do encontro formativo e de várias reuniões. Procuramos também animar os missionários através de mensagens escritas em ocasiões especiais.
    Todo o trabalho foi executado pelo Grupo de Animação Missionária (GAM) da Região. Já fazem três anos que o GAM vem desenvolvendo o trabalho de animação Missionária na Região e dinamizando os mutirões de evangelização, através de Semanas Missionárias nas Paróquias.
    Enfrentando as dificuldades comuns a todo gênero humano: cansaço, desânimo, decepção, descrédito, despreparo de sacerdotes e leigos quanto à dimensão Missionária da Igreja.
    Tivemos muitas alegrias: A união do GAM e seu entusiasmo revelador de um novo ardor missionário. Foi o que deu força ao grupo, que sempre acreditou no protagonismo do Espírito Santo. Por isto o saldo positivo supera, maravilhosamente, as nossas deficiências: a missões deram novo impulso aos grupos de reflexão, organizaram novos grupos, melhorou a organização das comunidades, levou conforto às famílias, encaminhou a solução de problemas pessoais e, no ano 2001, levaram às nossas comunidades o projeto "Ser Igreja no Novo Milênio". Podemos afirmar que "a Boa Nova foi anunciada, oprimidos foram libertados, cegos passaram a ver, paralíticos começaram a caminhar"(cf. Lc . 4, 16-18).
    Nosso objetivo é fazer da RMC uma Igreja adulta, toda ministerial, sujeito de sua própria história e, essencialmente, missionária".

CEBs

    No dia 27 de novembro as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Região Mariana Oeste e de toda a arquidiocese, se revestiram de luto pelo falecimento de Ana Maria de Brito Vieira, "Ana Maria das CEBs", como era conhecida.
    No terceiro Encontro Mineiro das CEBs, de 15 a 18 de novembro, em Contagem (MG), ela esteve presente, contagiando a todos com seu jeito alegre, simples e extrovertido.
    Ana Maria se fez atuante nas lutas do povo e, nas suas limitações tinha a sabedoria dos simples. Ela se foi deixando um enorme vazio, mas deixou também seu exemplo de mulher corajosa e de uma lutadora incansável.

Atualizada em 30 de novembro de 2001
Pe. Geraldo Martins
Departamento Arquidiocesano de Comunicação


Aprofundando a Palavra

(Subsídio para a homilia do dia 2/12/2001, primeiro domingo do Advento)

    Iniciamos um novo ano litúrgico com palavras sagradas que nos mostram o verdadeiro sentido Advento: prepararmo-nos para a chegada do Messias. O Advento celebra a espera do Messias glorioso que irá julgar a todos, mas faz memória também da vinda do Cristo em nossa carne. Essa dupla vinda do Messias expõe-nos diante de uma encruzilhada; precisamos tomar partido e escolher ficar com o Cristo ou recusar ouvir seus apelos e assumir as fatais conseqüências da recusa à graça.
    As leituras de hoje falam da vigilância na espera do Senhor. É sinal de prudência aguardar adequadamente a vinda do Messias. Somente os insensatos e ignorantes, escravizados pelo pecado, procedem do mesmo jeito diante da proximidade da salvação. Quem aprendeu a cumprir os ensinamentos do Senhor e viu os seus caminhos irá agir com total consciência e refutará tudo aquilo que põe em risco a verdadeira libertação. Precisamos estar acordados e vestir as armas da luz, ou seja, a prudência nos relacionamentos com os outros e tudo o que foi criado.
    Para quem não acolhe o aviso da chegada do Redentor, sua vinda poderá ser comparada como a visita desagradável de um ladrão. Todavia, para os que se deixam entusiasmar pela expectativa da chegada do Messias, sua visita será como a de um amigo fiel e gentil que traz consigo o presente agradável da salvação, como recompensa pelo tempo de vigília, pela vida comprometida na espera do Senhor. Jesus de Nazaré é nosso Deus da paz que faz com que as armas da destruição sejam transformadas em ferramentas para a construção de um novo mundo.
    O tempo do Advento é como o prelúdio da grande luz que virá até nós no dia de Natal. Os quatro domingos que antecedem a festa da encarnação do Senhor são uma proposta para todo cristão deixar-se converter. Algumas sugestões práticas para bem vivermos o Advento: reunir as famílias e rezar a Novena de Natal (não deixar nenhum lar para trás!); fazer uma séria revisão de vida e procurar um momento de confissão, manifestando para Deus o desejo de acolhê-lo com pureza no coração; praticar obras de misericórdia (visita aos doentes e encarcerados, esmola, prática da justiça, apoio aos necessitados) como sinal de vigilância e reconhecimento da pessoa do Cristo vivo nos sofredores. Deixemo-nos guiar pela luz do Senhor!


(Subsídio para a homilia do dia 8/12/2001, Imaculada Conceição de Maria)

    Desde 1854 a Igreja celebra Maria como a Imaculada Conceição. Esse dogma proclamada por Pio XI tornou oficial aquilo que o povo já expressava na fé, ou seja, a crença de que aquela que fora escolhida por Deus como sua mãe, fora também preservada da mancha do pecado original. Ao nos aproximarmos da festa do Natal é oportuno lançarmos nosso olhar sobre a Mãe de Deus e admirarmos sua beleza. Maria é a mulher escolhida para gerar na carne Aquele que é o autor de todas as coisas. Maria é a expressão de nossa participação no mistério da redenção da humanidade.
    Se pelos nossos primeiros pais perdemos a graça da salvação a recuperamos pelos novos Adão e Eva que são Cristo e Maria. Da mesma forma que o pecado entra em nosso mundo por pessoas humanas, também a graça original é recuperada pela humanidade santa de Maria. As comparações são sempre simplistas, mas poderíamos hoje pensar assim: Quem de nós que possuindo um caro e agradável perfume o colocaria em qualquer recipiente? Não escolheríamos aquilo que existe de melhor? Não tomaríamos o cuidado de limpar totalmente esse vaso para que não viesse a prejudicar a essência do perfume? Pois bem, Deus fez justamente aquilo que faríamos.
    O seu precioso perfume era a vida de seu próprio Filho a se tornar carne junto de nós, para tal fez-se necessário escolher o melhor recipiente. Maria é o vaso escolhido por Deus para guardar e gerar na carne o perfume divino. Deus a vê como agraciada e ainda lhe fez uma especial gentileza, a purificou da mancha do pecado original. Maria é a toda pura, nova Eva da grande nova criação iniciada pela encarnação de Jesus.
    Maria, concebida sem pecado, é a cooperadora dos planos de Deus! Por ela aprendemos que nossa vida precisa ser um incondicional sim ao nosso Deus. No sim da Virgem de Nazaré no momento da anunciação estão todos os "sins" que ao longo da vida teve de dar: acolher o Filho de Deus como Salvador do gênero humano; experimentar ser discípula do Filho; vê-lo morrer para redimir nossos pecados. Vivendo o tempo do Advento façamos como Maria, abramos nosso coração para nele gerar o Menino Deus, nosso Redentor.

(Subsídio para a homilia do dia 9/12/2001, segundo domingo do Advento)

    O segundo domingo do Advento traz um apelo de urgente conversão. As palavras de João Batista revelam a pressa com que devemos procurar a salvação. O Reino de Deus está próximo e não podemos adiar nossa decisão por ele. João Batista, o último dos profetas é um resumo de todas as iniciativas de Deus para resgatar seus amados. A forma como João vivia ilustrar seu total despojamento e humildade. O batismo por ele oferecido é para aqueles que tendo consciência de seus pecados decidem viver na graça do Senhor.
    O discurso de João é contundente. Não basta dizer que nos convertemos é preciso produzir frutos de conversão. É por nossas obras que aquilo que dizemos é provado. Nesse período do Advento nosso propósito de conversão deveria ganhar contornos claros e irrefutáveis de que acolhemos o Cristo e acolhemos também nossos irmãos. Cada um deveria procurar uma forma de deixar explícito que se converteu. Não se faz isso como auto-elogio, mas sim como maneira de testemunho. Se vivêssemos as palavras do Senhor mais do que as proclamamos muitos se converteriam. A prática de João Batista é o atestado de sua fidelidade aos planos de Deus.
    João é sempre nos apresentado em relação ao Cristo. É ele o precursor do Messias. É também referência para todos os que querem anunciar o nome do Senhor. Também nós precisamos preparar os caminhos do Senhor, aplainar as montanhas de obstáculos e impecilhos que criamos com nosso egoísmo e falsa justiça, endireitar as estradas que entortamos com nossas práticas religiosas legalistas e desprovidas de verdadeiro compromisso com o Cristo. O Senhor conta com nosso anúncio para que um maior número de irmãos venha a conhecê-lo, amá-lo e servi-lo na pessoa dos mais humildes e carentes.
    Por fim, nesse tempo onde a paz está sempre ameaçada, a imagem que o profeta Isaías utiliza é motivo de esperança. Precisamos acreditar na paz que nos vem de Deus. Ela fará com que os que são inimigos voltem à verdadeira amizade. A convivência pacífica é desejo de Deus para seu povo. No Menino Jesus, chamado também de Príncipe da Paz, está a certeza de que nosso mundo poderá contar com a graça de Deus para vencer seus conflitos.

(Subsídio para a homilia do dia 16/12/2001, terceiro domingo do Advento)

    João Batista envia mensageiros para se certificar se realmente Jesus é o Messias prometido. A resposta de Jesus não é teórica, não se dá por palavras. Jesus convida os discípulos de João a fazer uma experiência, ver o que estava acontecendo, ouvir os fatos extraordinários, contemplar a ação da graça de Deus. As imagens utilizadas por Jesus são uma síntese de todas as libertações que sua presença junto de nós iniciaria.
    A ação de Cristo não se confunde com a de um milagreiro qualquer. O que Ele faz é muito mais que recuperar um sentido físico perdido, um dom da saúde debilitado. Sua libertação é integral, atinge a pessoa em todos os níveis de sua existência, chegando ao mais profundo de sua vida, tornando-a capaz de participar do Reino. Descobrir que Jesus é o Messias prometido é também muito mais que ficar esperando dele curas e resultados espetaculares. É assumir com Ele um propósito de colaborar com a libertação de todos os que são vítimas das cadeias reais e imaginárias que criamos.
    Criai ânimo! Não tenhais medo! Num mundo marcado pela opressão são poucos os que conseguem permanecer firmes. Mas a palavra do profeta Isaías quer recuperar em nosso interior a esperança alegre da libertação. Aproxima-se o tempo em que todos os cegos, surdos, paralíticos e mudos serão assumidos no amor de Deus. Aproxima-se a hora em que inspirados e congregados pelas palavras do Senhor que teremos que iniciar a grande batalha pela recuperação do humano, da sua dignidade, da sua liberdade. Em Cristo que nos liberta das amarras da injustiça renasce a convicção de um mundo novo. Como deportados que retornam às suas casas retornaremos à grande casa de Deus chamada fraternidade.    Que ninguém desanime, pois nossa hora vai chegar! O tempo oportuno de Deus se avista e nele todos os esquecidos terão motivos para se alegrar. Confiemos ao Senhor nossas lutas na certeza de que Ele é nosso defensor e guarda. Confiemos ao Senhor nossos temores na certeza de que Ele é nossa coragem e esperança.

(Subsídio para o dia 23/12/2001, quarto domingo do Advento)

    O tempo do Advento sugere-nos concretamente exemplos a serem imitados: Maria e José. Este casal simples é sinal da predileção de Deus para com os pobres. Convocados pelo Pai para assumir a grande missão de guardiães da vida do Salvador não hesitam em acolher os apelos de Deus. Nos dois é relembrada a cooperação de nossa humanidade no mistério da encarnação. Nos dois vemo-nos participando do momento feliz de redenção do nosso mundo.
    Primeiramente olhemos para José. Os evangelhos nos dizem quase nada a respeito desse homem. Afirmam apenas que ele era justo. É justo por causa de sua fé nas promessas de Deus e por sua confiança em deixar de lado seus sonhos e ideais para viver o sonho de Deus. José prontamente respeita a vontade de Deus para sua vida, não interpõe seus projetos, não deseja discutir o que seria melhor. Tem plena consciência de que o melhor é sempre viver como Deus nos sugere. Nenhuma palavra de sua boca ficou gravada nas Escrituras, mas sua grande palavra faz-se ato no momento em que recebe Maria como esposa. Seu sim é silencioso, mas dinâmico e concreto.
    E, Maria? Dela muito sabemos e admiramos. Reconhecemos sua generosidade. Maria é a mulher da união entre Deus e nossa humanidade. É a ponte utilizada por Deus para chegar até nós. No mistério de sua concepção virginal a manifestação do amor de Deus por todos os homens e mulheres que anseiam por libertação. Deus se confia aos cuidados de uma jovem pobre por nela ver a mais rica das mulheres, a mais cheia de graça. O Emanuel é, inicialmente, Deus conosco no ventre de Maria.    Com José e Maria aprendamos a colocar os planos de Deus em primeiro lugar em nossa vida. Com eles façamos nosso compromisso de acolher o Cristo que dentre em breve nascerá, assumindo-o como nosso irmãozinho cheio de luz que irá dissipar toda a escuridão de nossos descaminhos. Que bom seria se nesse Natal recebêssemos em nossas ceias aqueles que como José e Maria andam peregrinos pelo nosso mundo à espera de uma acolhida!

Pe. José Raimundo Rodrigues
Barbacena