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Aprofundando a Palavra

(Subsídio para a Liturgia da Palavra do dia 28/10)

    Quando ouvimos o evangelho de hoje imediatamente assumimos uma posição favorável em relação ao publicano e de rejeição ao fariseu. Seria só isso o significado da parábola? Os destinatários da história contada por Jesus são todos os que confiam por demais na própria justiça e, por isso mesmo, se sentem à vontade para menosprezar os outros. Existem muitas pessoas assim em nossas comunidades, ou quantas vezes já agimos assim... Pois bem, somos então os novos ouvintes de Cristo.
    O fariseu tão criticado em nossa interpretação cristã merece ser mais conhecido. Era um homem piedoso, que pensava alcançar a salvação pela observância da Lei, que zelosamente cumpria os preceitos, rezava com freqüência, se mortificava semanalmente, era escrupuloso e temia fazer o mal. Era um homem bom! E o publicano? Era um espertalhão, abusava na cobrança das taxas e impostos, explorava os mais pobres, não se comprometia com a causa da libertação de Israel. Então, pra quem torcemos agora?
    Jesus critica o fariseu porque sua oração acaba se tornando um auto-elogio e não um ato fé na ação de Deus em sua vida. É apenas o momento de, na presença de Deus, se vangloriar. A oração do fariseu é rejeitada porque é mero formalismo, carece de humildade. O que faz, certamente tem muito de bom, mas precisa reconhecer-se pecador, falho, pequeno.
    Por outro lado, Cristo elogia o publicano que tem consciência de sua condição de pecador, mas espera-se que ele se converta que modifique sua forma de agir. Não basta apenas dizer "sou pecador" e continuar afundando no erro. O pedido de perdão a Deus passa pela via concreta da mudança, da conversão. O que justificou o publicano foi o fato de tendo tomado consciência de seu pecado desejar a salvação e, concretamente, para ela se encaminhar.
    Toda auto-confiança deve ser abandonada. Toda pretensão de grandeza deve ser refutada. Deus espera de nossas orações um diálogo transparente e um compromisso com a vida. Nossa Igreja seria bem diferente se nossas orações levassem mais a um compromisso de conversão e fossem menos discursos elogiosos de nossos próprios méritos.

(Subsídio para a Liturgia da Palavra do dia 2/11, dia de Finados)

   O mundo moderno se vangloria da liberdade de expressão e tudo é discutido, questionado, tratado por todos. No entanto, é um mundo que teme a morte e que rejeita refletir sobre essa realidade humana que marca a vida de todos nós. A irmã morte, como Francisco a chamava, interpela-nos sobre o sentido da vida e do como estamos experimentando nossa passagem por esse mundo. A morte é como uma professora que nos mostra a cada dia os acertos e sucessos, mas que convida também a nos corrigir, a aperfeiçoar relacionamentos.
    Quem acredita em Jesus Cristo tem uma grande consolação, pois sabe que a morte não é o fim último. Ela foi derrotada pela ressurreição do Senhor. É em Cristo que morremos e é por Ele que ressuscitamos. Queremos hoje elevar ao Senhor nossa prece por aqueles que conviveram conosco e nos precederam na vida eterna. Pedimos ao Deus de toda misericórdia que acolha nossos irmãos falecidos, perdoe suas faltas e lhes recompense pelo amor que foram capazes de manifestar.
    A experiência da morte pode ser comparada à de um novo nascimento. A morte é um parto doloroso e sofrido, mas é o que nos conduz para a verdadeira vida junto de Deus. Nosso coração só descansará no próprio Deus! A ressurreição é o momento em que Deus toma nossa humanidade e concede-nos a dádiva de sermos eternizados. A vida eterna será um constante conhecer e amar o Deus que nos criou.
    Quem escolhe a Cristo, e permite-se ser escolhido por Ele, sabe que mesmo entristecidos pela perda de um ente querido, palpita em nós a certeza de que um dia estaremos todos juntos celebrando o grande banquete que não terá fim, contemplando a face amoroso de Deus, convivendo com todos aqueles que em vida amaram o Senhor. Peçamos a Deus a graça de acreditar sempre mais na ressurreição e na vida eterna; que toda nossa existência nesse mundo seja encaminhamento para a grande herança que nos está reservada.

Pe. José Raimundo RodriguesBarbacena