Departamento Arquidiocesano de Comunicação da Arquidicoese de Mariana


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Em favor de dom Cappio e do Rio São Francisco

    Manifesto da XVI Assembléia Arquidiocesana de
Pastoral da Arquidiocese de Mariana

Pela revitalização do Rio São Francisco

    Reunidos na XVI Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, em Mariana, nós, representantes, sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos das respectivas organizações pastorais e sociais, vimos manifestar nossa posição frente à causa abraçada por dom Luiz Cappio e os movimentos sociais em favor do Rio São Francisco e das populações do semi-árido nordestino e norte-mineiro.

1. Aprovamos sua luta pela revitalização do Rio São Francisco. Esse imenso rio pertence à natureza e ao povo brasileiro. É rica fonte de vida para todos que dele dependem para sua sobrevivência.
2. Solidarizamo-nos com a socialização das águas para abastecimento humano, urbano e rural e com a riqueza incomensurável do meio ambiente e ecologia sustentável.
3. Mostramo-nos favoráveis às organizações populares, indígenas, quilombolas, camponeses e grupos ambientais que defendem a revitalização planejada e organizada de forma equilibrada.
4. Juntos a Dom Cappio, exigimos do Governo Federal, Congresso Nacional e Estados da Federação que criem espaços de discussão democrática sobre a preservação e projetos alternativos à transposição do Rio São Francisco.
5. Entendemos que a questão do Rio São Francisco não é somente política de governo, mas também é questão social e ambiental da maior relevância humana.
6. Vemos que o Projeto de Transposição deve se abrir ao diálogo democrático com a sociedade e grupos organizados em favor do meio ambiente e humano.
7. Numa análise crítica, o Projeto de Transposição visa, sobretudo, a produção e exportação de frutas, aço, camarão e até a possibilidade de construção de hidrelétricas, na implantação excludente do desenvolvimento econômico, em detrimento da vida humana e ambiental.
8. A população brasileira e, especificamente, do semi-árido e áreas regionais desconhece o Projeto de Transposição. Por isso, lamentamos que os grandes meios de comunicação especialmente televisivos não tenham dado a devida abertura a esta discussão.
9. Servimo-nos das fontes da Agência Nacional das Águas (ANA) e da Articulação do Semi-Árido (ASA) para repudiar o Projeto de Transposição e aprovar projetos de revitalização do Rio São Francisco. A revitalização, juntamente com outros projetos alternativos, trará benefício a mais de 44 milhões de pessoas. Implica 10 estados brasileiros e, não somente, a quatro estados, como é o Projeto de Transposição. Favorece a mais de 1300 municípios, contrariamente a 397 municípios. Gastaria a revitalização 3,6 bilhões (Atlas do Nordeste) e, não 6,6 bilhões dos cofres públicos.
10. Estamos unidos a Dom Cappio e a todos aqueles que defendem a democracia participativa, o desenvolvimento sustentável, o meio ambiente preservado e a vida promovida em favor dos excluídos. Somamos em solidariedade com dias de jejum vigílias, oração, debates, celebrações e manifestos em favor do país que amamos.

    Que o presidente da República, Governo Federal, Congresso Nacional e instâncias políticas abram espaço democrático para avaliar a revitalização do Rio São Francisco. Esta não é causa apenas de dom Cappio, mas de todos os brasileiros e cidadãos conscientes da dignidade humana e que acreditam na defesa da vida e na sustentabilidade alternativa do meio ambiente e do patrimônio brasileiro.


Participantes da XVI Assembléia Arquidiocesana de Pastoral
Mariana, 15 de dezembro de 2007


Atualizada em 17 de dezembro de 2007

Departamento Arquidiocesano de Comunicação


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