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Geraldo comenta acolhida dos fiéis, a importância da
Arquidiocese de Mariana e faz um apelo pela ética na política,
em coletiva à imprensa

Atendendo à imprensa em sua residência
episcopal, na manhã deste sábado, 23 de junho, o novo
arcebispo de Mariana e presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha,
afirmou ser uma bênção e uma graça suceder
a dom Luciano Mendes de Almeida na diocese primaz de Minas Gerais.
“Eu não vou substituir dom Luciano. Serei seu humilde e modesto
sucessor. Dom Luciano é insubstituível”.
O arcebispo toma posse às 16 horas
em uma cerimônia que terá início no Santuário
Nossa Senhora do Carmo, em Mariana. Ele chegou à sede da
Arquidiocese na noite de quinta-feira, 21, vindo de Brasília
onde participou da reunião do Conselho Permanente da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Fiquei surpreso com o número
expressivo de pessoas que me aguardavam em Itabirito mesmo depois
do longo atraso por causa dos problemas aéreos”, considerou.
De Itabirito, dom Geraldo passou por Ouro
Preto e chegou às 22h30 em Mariana. “Fiquei impressionado
com a recepção de Mariana que ainda estava acordada
e com um grande número de jovens”.
O novo arcebispo disse que tem desejo de
abrir o processo de beatificação de dom Luciano, mas
que é preciso respeitar o procedimento estabelecido pela
Santa Sé. Lembrou ainda a causa de beatificação
de dom Viçoso, que já se encontra em Roma, e que receberá
dele toda a atenção.
Organização pastoral
Sobre a Arquidiocese, dom Geraldo se disse
impressionado com sua organização após rezar
diante do túmulo de Dom Luciano e visitar o Seminário,
Cúria e o Departamento de Comunicação. “Quis
que meu primeiro ato, chegando a Mariana, fosse rezar na cripta
da Catedral onde estão sepultados os que me antecederam,
especialmente dom Luciano”, explicou. A impressão que ficou
ao visitar o Seminário, a Cúria e o Departamento de
Comunicação é de uma Arquidiocese organizada
com muitos serviços e iniciativas pastorais. Uma Igreja particular
com um rumo pastoral definido, voltado para a causa dos mais pobres
e carentes, com um patrimônio que precisa ser preservado.”,
enfatizou.
Resgate da ética no país
Indagado sobre a nota da CNBB sobre o cenário
político nacional, divulgada na imprensa durante esta semana,
dom Geraldo Lyrio lembrou a situação de perplexidade
vivida pela sociedade diante dos últimos fatos de corrupção
na política. “Diante do que nós estamos vivendo no
país, a CNBB não poderia ficar silenciosa. Manifestamos
a nossa perplexidade que não é só nossa, mas
sim da sociedade brasileira na qual participamos, diante da avalanche
de notícias de corrupção. A imprensa hoje,
numa sociedade que vai se redemocratizando, tem um papel importante
de serviço à nação de divulgação
dos fatos. Mas não basta só denunciar. É preciso
que se apure e puna os responsáveis. A impunidade favorece
o crime. Se alguém se apropriou do que é patrimônio
público, que devolva aos cobres públicos”.
Dom Geraldo defendeu ainda a necessidade
dos cidadãos despertarem a sua consciência ética,
levando a indignação diante da corrupção
que atinge todas as esferas da sociedade, de uma ética pessoal,
familiar, profissional e pública. “A Igreja tem um papel
importante diante desse processo de educação, mas
não é só a Igreja. Temos que nos unir para
um processo de exercício da cidadania, que envolve também
o desenvolvimento de uma consciência ética. Não
podemos nos esquecer da importância de criar ações
concretas, por vários meios, desde a participação
dos cristãos e de todas as pessoas comprometidas com as causas
do povo, com uma militância política, das várias
organizações da sociedade. A Igreja deve ter também
a sua contribuição, para que as forças sociais
se unam resgatando a consciência ética no país,
e ajudando a sair da situação de corrupção
e de violência que atinge o nosso país”, defende.
O arcebispo finalizou a sua fala fazendo
um apelo às autoridades políticas brasileiras. “Precisamos
salvar as instituições, aquelas que garantam uma democracia
efetivamente participativa, que permita a intervenção
dos cidadãos de bem da sociedade”.
Érika
Dourado