Refugiados
Dom Luciano Mendes de Almeida
EIS AÍ UMA realidade
que faz parte do fenômeno universal da mobilidade humana.
As migrações sempre acompanharam a história
-por razões de fome, de guerras, de atração
por oportunidades novas de trabalho e de sobrevivência e
de tensões políticas, culturais e religiosas. Hoje,
acrescenta-se o incremento do turismo, que leva os povos a se
deslocarem numa proporção sempre maior. Os que decidem
se estabelecer em um ambiente diferente de onde nasceram, quase
sempre em busca de melhores condições de vida, formam
o enorme contingente de migrantes.
A atenção dos
países e a solicitude das Igrejas e das sociedades humanitárias
encontra, no ideal de promover a vida digna para os migrantes,
campo de constante atuação. Há, no entanto,
um contingente que merece especial acolhida. São os refugiados.
São homens e mulheres que foram forçados a deixar
a sua terra por motivo de perseguição política,
vítimas de incompreensão tribal, partidária,
étnica e, não raro, religiosa. Não podem
mais permanecer na sua própria nação por
correrem até perigo de morte. São privados de seus
direitos.Devem, às vezes, partir às escondidas,
sem nada levar para salvar a própria vida.
Vivemos, também nós, em
passado recente, situações como essas. Para onde
vão? Abre-se um longo caminho de sofrimento e de incertezas.
Partem em busca de amparo e de proteção humanitária.
Acabamos de celebrar o Dia dos Refugiados, questionando a nossa
consciência para oferecer-lhes os auxílios de que
necessitam. Em nível internacional, é preciso reconhecer
o enorme serviço prestado pelo Acnur, o Alto Comissariado
das Nações Unidas para Refugiados, com presença
permanente no Brasil. No entanto, a ajuda humanitária requer
uma verdadeira rede de entidades governamentais, religiosas e
filantrópicas que possa acompanhar os refugiados, auxiliando-os
a se inserir na nova realidade.
A palavra do Papa Bento 16
em sua Encíclica "Deus Caritas Est" refere-se
insistentemente à organização da caridade,
iluminada pela palavra e pelo exemplo de Jesus Cristo. Isso significa
que, para a Igreja, além da competência profissional,
são indispensáveis as atenções sugeridas
pelo coração que nascem do encontro com Cristo,
Bom Samaritano, que sabe ver as necessidades e acolher o ser humano
com amor gratuito. É preciso que todos sintam que são
amados e que, mais forte do que o egoísmo, as distâncias
e as separações, é a fraternidade dos filhos
de Deus.
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