Arsenal
da esperança
Dom Luciano Mendes de Almeida
No bairro da Mooca, na capital
paulista, há uma obra humanitária que atua há
dez anos em benefício da população de rua.
É o Arsenal da Esperança, que acolhe mais de 1.100
usuários por noite.
Essa iniciativa meritória
tem suas raízes no Departamento de Assistência e
Integração Social do Estado, que, durante muitos
anos, assegurou abrigo a pessoas necessitadas na antiga Hospedaria
dos Imigrantes. Na intenção de renovar e ampliar
os serviços prestados, o local foi cedido em 1996, por
convênio, à Arquidiocese de São Paulo, graças
ao interesse pessoal do governador Mário Covas, à
atuação da secretária de Estado doutora Marta
Godinho e ao zelo do cardeal dom Paulo Evaristo.
A realização,
no entanto, do novo projeto foi confiada a uma entidade católica
de muita experiência no campo do atendimento social. Trata-se
do Sermig, sigla do "Servizio Missionário Giovani",
com sede em Turim, na Itália, e atuante no Brasil na instituição
semelhante Associação Internacional para o Desenvolvimento
-Assindes, São Paulo.
O Sermig nasceu há
42 anos, fruto do idealismo de Ernesto Olivero e de sua esposa
Maria, casal cristão cujo anseio era mobilizar a juventude
para enfrentar o desafio da fome no mundo e promover a justiça
conforme os valores do Evangelho. Conseguiram a cessão
em Turim de um amplo prédio, muito depredado, onde se fabricavam,
durante a guerra, armas e munições, local que passou
a se denominar Arsenal da Paz. Em vez de armas e munições,
ali deveriam surgir projetos para a superação da
miséria e para o auxílio aos países em desenvolvimento.
A iniciativa contou com o apoio do cardeal Pellegrino e cresceu
com forte adesão da juventude, atraída pela vida
de oração, união fraterna e trabalho em bem
dos pobres. Organizaram-se campanhas de alimentos, roupas e remédios.
Ao longo desses anos, realizaram-se 2.100 projetos em 88 países
como Ruanda, Líbano, Iraque, Bósnia e na América
Latina, especialmente no Brasil.
A atuação do
Arsenal da Paz na Itália inspirou a fundação
do Arsenal da Esperança em São Paulo, cuidando da
qualidade de atendimento aos usuários com o mesmo espírito
de solidariedade e acolhida digna. Hoje, o Arsenal é exemplo
de valorização da pessoa, oferecendo não
só ambiente amigo mas orientação para o trabalho.
Nesses dez anos, já
passaram pela casa 23.500 pessoas, recebendo leito, alimentação
e atendimento médico-ambulatorial. No mesmo local, na forma
de "Bom Prato" (com o custo de R$ 1), servem-se 3.600
refeições diárias. São 87.600 horas
dia e noite, sem parar. O que mais impressiona é o relacionamento
entre as pessoas, num clima de harmonia e de mútua compreensão,
seguindo a inspiração do fundador Ernesto Olivero,
ensinando a fazer o bem -e fazê-lo bem.
Nessa hora de gratidão a Deus pelos resultados alcançados,
é preciso recordar a confiança do governo de São
Paulo e a colaboração de mais de 400 voluntários
e pessoas amigas, com carinhosa lembrança de dom Décio
Pereira, bispo auxiliar, já falecido, e de padres dedicados,
como padre Alberto Trombini.
Na celebração
festiva do dia 11 de março, num ambiente de muita alegria,
dom Cláudio cardeal Hummes, que muito tem incentivado o
Arsenal com sua presença e apoio, saudando Ernesto Olivero
e seus companheiros, convocou os jovens a "apostar na caridade"
e a se dedicar com ardor ao serviço dos mais pobres.
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