Revitalização
da etnia krenak
Dom Luciano Mendes de Almeida
As últimas semanas
permitiram novos contatos entre as lideranças do povo krenak
e os representantes governamentais da Funai, do Estado de Minas
Gerais com os responsáveis pela Companhia Vale do Rio Doce
e pelo Consórcio da Usina Hidroelétrica Aimorés.
Após o evento, por parte dos índios, a 1º de
dezembro do ano passado paralisando a ferrovia que liga Itabira
a Vitória, seguiram-se os esforços de entendimento
para atender as reivindicações da população
krenak, que nos últimos decênios sofreu a expulsão
de suas terras e a dispersão das famílias, causando
até a morte de vários índios. A volta para
a área primitiva marca o início da revitalização
da etnia krenak.
A 13 de fevereiro, realizou-se
em Belo Horizonte um encontro sem precedentes e promissor entre
os interessados nesta revitalização, sob a direção
do dr. Mércio Pereira Gomes, presidente da Funai. A reunião
teve lugar no prédio da Fundação João
Pinheiro, que abriu suas portas para acolher 60 índios
e os demais integrantes das instituições ligadas
à busca de soluções que promovam definitivamente
o povo krenak, em Minas Gerais.
A pauta incluía o encaminhamento
das três questões básicas: 1) a área
a ser homologada; 2) a avaliação dos impactos socioeconômicos
referentes à construção da UHE Aimorés;
3) o levantamento histórico da vida do povo krenak às
margens do rio Doce, incluindo a série de vicissitudes
sofridas pela população indígena ao longo
do século passado.
A questão da terra
está bem adiantada pela Funai, que demarcará a área
relacionada com a cultura krenak, tendo à frente o antropólogo
Rodrigo Thurler. Os trabalhos são acompanhados pelo prof.
Célio do Valle, do IEF de Minas Gerais.
A comunidade indígena elencou 21 propostas ao Consórcio
Aimorés. Foi elaborada uma planilha, pelo dr. Carlos Orsini,
em nome do governo de Minas Gerais, indicando com precisão
as ações a serem desenvolvidas e os responsáveis
pela sua execução. A título de exemplo citamos
o atendimento à saúde com ampliação
do posto e cadastramento rigoroso das necessidades com atuação
da Funasa e do Ministério da Saúde; construção
de escola adaptada à cultura indígena; edificação
de 55 casas; melhoria da estrada; construção de
pontes; centro cultural; projetos agrícolas prevendo plantio,
piscicultura, captação de água e outros.
O Consórcio Aimorés comunicou o bom sucesso da escalada
dos peixes (piracema) restabelecida no rio Doce.
Os trabalhos históricos
terão à frente um grupo coordenado em Minas Gerais
pelo perito Ailton Krenak, utilizando preciosos estudos sobre
a cultura do seu povo.
O presidente da Funai exortou
as lideranças indígenas dos caciques Rondon, José
Alfredo (Nego) e Leoni a unirem sempre mais seus esforços
em metas comuns e expressou o grande interesse da Funai para uma
progressiva e adequada solução. A fim de levar adiante
os trabalhos, aprovou-se uma comissão formada pelas lideranças,
e representantes da Funai, do governo do Estado, do Consórcio
Aimorés e da Companhia Vale do Rio Doce. A assembléia
de 13 de fevereiro permanecerá na lembrança dos
participantes como um marco de esperança para a causa indígena,
fruto do diálogo e do respeito recíproco. Deus seja
louvado!
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