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A resposta é Deus

Dom Luciano Mendes de Almeida

      Entre as situações mais difíceis que vamos enfrentando no Brasil e no mundo, sobressaem a fome e o ódio. A miséria, em vez de diminuir no universo globalizado, infelizmente cresce. Quando a humanidade alcança níveis altos de progresso científico, capaz de ser aplicado aos vários setores da vida para assegurar a alimentação e a saúde, não acontece o que todos desejaríamos: a distribuição adequada dos recursos e soluções melhores graças à tecnologia. Com efeito, a raiz da fome não está na falta de terra, nem de sementes, nem de invenções que facilitem o plantio e a produção. A falta encontra-se na visão egoísta e perversa com que cada pessoa pretende sempre aumentar seu enriquecimento e não opta por uma socialização dos bens em favor dos mais necessitados. Como conseguir uma efetiva mudança de mentalidade e de atitude? Como vencer a cobiça individualista que nem sequer se comove com a miséria alheia? Estamos diante de uma doença axiológica que atinge a percepção de valores, colocando como prioridade o lucro pessoal e as vantagens que daí derivam, relegando ao esquecimento a fome e o sofrimento dos excluídos.
      A resposta está em superar a atrofia do horizonte existencial, pois a pessoa que se fecha no egoísmo acaba perdendo a visão de conjunto dos valores e estreitando de modo doentio as razões que justificam a vida. O horizonte não tem mais transcendência. Importa só o que traz bem-estar individual. É preciso abrir-se à totalidade do bem e da verdade e deixar-se atrair pela beleza infinita de Deus.
      O encontro pessoal com o Absoluto vai-se iluminando até a alegria de descobrir Deus presente na origem e na vida do Universo, fonte de amor e de paz. A bondade infinita nos liberta da dependência das pequenas atrações, tão frustrantes que levam o ser humano ao vazio e ao desespero.
      Quem organiza sua vida à luz do encontro com Deus, na certeza de ser por Ele amado e destinado à felicidade, alcança aos poucos a visão correta dos valores e descobre o fascínio da bondade e a alegria de fazer bem aos outros. Segue-se uma nova posição diante das necessidades do próximo e dos bens materiais. Vamos compreendendo que a cobiça e a posse avarenta da riqueza são frutos de uma desordem de valores. Passamos à atitude de quem partilha com os outros o que tem na vivência da gratuidade do amor.
      O mesmo princípio vale diante da terrível realidade do ódio, que está na base da opressão do próximo. A experiência diuturna do relacionamento humano demonstra que a opção pelo ódio destrói no coração o que há de mais profundo: a capacidade de amar e de vencer o mal pelo bem. A pessoa que se deixa possuir pelo ódio incinera dentro de si toda paz e alegria de viver. Torna-se azeda e triste. Falta-lhe luz para discernir a beleza da vida. Como ajudar as pessoas a vencerem o ódio e a redescobrir o amor e o perdão? A resposta é a mesma. É preciso aprender a amar. Deus nos ensina a gratuidade do perdão e nos dá a graça para amar quem nos ofende. Sem Deus ninguém perdoa ninguém.
      O tempo litúrgico da Quaresma recorda às comunidades cristãs a missão de anunciar a todos a conversão para Deus e a mensagem da gratuidade do amor, que nos dá a alegria de viver na partilha e no perdão.
      Diante do desafio da miséria e do ódio, a resposta é Deus.

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