Amar
é fazer o bem
Dom Luciano Mendes de Almeida
No dia-a-dia de nossa vida,
percebemos a mescla de alegrias e sofrimentos, de esperança
e decepções. Quando os acontecimentos parecem caminhar
na serenidade, eis que somos surpreendidos por fatos que nos entristecem,
como a notícia de um assalto e assassinato. Foi o que sucedeu
na semana passada em Mariana (MG). Uma senhora de idade, dona
Ruth, foi encontrada em sua casa, amarrada, ferida, sem vida e
jogada no chão. Morava sozinha. Pessoa bondosa e indefesa.
É muito triste. Quem teria agido com tanta maldade e covardia?
No mundo, ao lado de gestos de dedicação, bondade,
retidão e generosidade, continuamos constatando o descontrole
que leva muitos à cobiça, ao ciúme, à
inveja, ao egoísmo e até ao ódio. É
nesse contexto que precisamos valorizar a mensagem recente do
Papa Bento 16, convocando-nos para a prática do amor gratuito,
do atendimento aos mais necessitados, do empenho para ir ao encontro
dos excluídos. A palavra de ordem nesse mundo conflitante,
de extremos de miséria e riquezas, de amor e ódio,
é descobrirmos que a convivência humana depende de
nossa vontade de fazer o bem ao próximo.
O povo repete com sabedoria,
"fazer o bem sem ver a quem", revelando a beleza do
amor gratuito, que não busca vantagens e compensações,
mas encontra a alegria de auxiliar o próximo. Creio que
aqui esteja o ponto de convergência para todos, mesmo que
sejamos diferentes quanto a concepções religiosas,
filiações políticas e contextos culturais.
Pertence à pessoa humana deixar-se atrair pelo bem e fazer
o bem em sua vida. Devemos, pois, procurar ações
que beneficiem pessoas e grupos nos ambientes em que vivemos.
Pensemos na miséria
de milhões de excluídos, nas enfermidades endêmicas,
nas situações de desamparo por causa das intempéries,
desastres e conflitos. São casos urgentes, que requerem
ações organizadas e políticas públicas
capazes de atingir o maior número de pessoas. Essas ações
humanitárias precisam ser assumidas por todos sem distinção
e expressam a vontade de promover o bem comum. Nessa perspectiva,
encontramos a campanha contra a fome, a promoção
de água potável para todos, as vacinas indispensáveis,
a luta contra a malária e a AIDs e tantas outras urgências.
Os governos precisariam se
associar para enfrentar, em nível mundial, esses grandes
desafios, a começar da educação, desde a
infância, para o exercício da cidadania, concretizada
nos gestos de defesa e de promoção da vida.
Em nosso Brasil, é
necessário estabelecer metas prioritárias e ações
adequadas a serem assumidas por todos. São os casos da
alfabetização, da alimentação básica,
do atendimento médico de emergência, do saneamentos
e de outros. Esse esforço conjunto, aceito e realizado
por todos, irá superando atitudes de individualismos, educando
para a solidariedade, irmanando grupos e unindo instituições
governamentais e humanitárias. Voltamos, assim, à
fórmula mágica do amor. Fazer o bem e encontrar
no exercício da caridade a alegria de viver.
Na sua última encíclica,
"Deus é Amor", o Papa Bento 16 lançou
o programa para toda a humanidade, especialmente para os jovens:
vencer o egoísmo e o ódio pelo amor que aprende
a partilhar e perdoar. O que é valido para todos torna-se
mais premente para os discípulos de Cristo, que têm
por lei o mandamento divino do amor ao próximo. A paz no
mundo será o fruto da vontade conjunta de fazermos o bem
uns aos outros.
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