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Metas certas e meios errados

Dom Luciano Mendes de Almeida


      O QUE ACONTECEU na Câmara dos Deputados em 6 de junho não é admissível. Não se trata de fazer julgamentos apressados sobre fatos complexos. No entanto ninguém pode concordar com os atos vandálicos como o que aconteceu por parte do MLST contra a Câmara dos Deputados. É grande a consternação que se apoderou de nós. Há metas certas. Entre elas, encontra-se com prioridade uma reforma agrária e agrícola que permita o assentamento dos milhões de brasileiros que aguardam para viver e trabalhar na terra. O país não pode prescindir de uma distribuição eqüitativa de terra, há tantos decênios desejada, projetada e ainda não transformada em realidade. Não é preciso insistir sobre um anseio que é justo e urgente. Temos, sim, que unir esforços para que não tardem mais as medidas adequadas para o assentamento digno, pacífico e bem-sucedido das famílias rurais sem terra. No entanto nada justifica o recurso à violência e ao vandalismo. São caminhos errados e inaceitáveis. Temos que nos educar para expressar os anseios do povo de modo ordeiro, com exclusão de toda agressão. O uso da violência leva a uma série de descontroles com graves ferimentos e risco de vida. Precisamos perceber que a violência atenta diretamente contra a dignidade da pessoa humana e subverte o respeito à lei, sem a qual a sociedade cai no medo e na desordem. Os caminhos certos passam pela atuação competente do Legislativo, sem adiamentos, devido à urgência da causa em questão. Poderia haver medidas parciais, regionais e progressivas que demonstrassem ao país que o atendimento às famílias do campo tornou-se a meta prioritária. No triste evento de 6 de junho, houve desacertos graves. A agressão foi dirigida a servidores públicos no exercício de sua missão na Câmara. Envolveu crianças e idosos. Os atos predatórios em nenhum modo se justificam: por que destruir instrumentos, instalações que estão a serviço do povo? O país, no seu caminho democrático, não pode perder o rumo do respeito à dignidade e à liberdade de todo cidadão. É necessário manter com firmeza as duas lições. Rejeitar todo recurso à violência e insistir na promoção e na defesa das famílias sem terra, dinamizando todas as instâncias competentes para garantir condições dignas de vida para o maior número de brasileiros do campo. Os grandes problemas precisam mais ainda da proteção divina. Unamos nossas preces para corrigir erros, vencer exclusões e acertar os caminhos da vida solidária e fraterna.

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