Deus
chamou minha irmã
Dom Luciano Mendes de Almeida
Elisa Maria , minha irmã,
partiu para o céu há dois dias. Estava para completar
74 anos. Vida bela de quem só fez o bem. Todos passamos
por situações difíceis quando pessoas queridas
são chamadas por Deus. Como sacerdote, considero entre
os ministérios sagrados, um dos mais importantes, estar
ao lado dos que vão comparecer diante de Deus. São
momentos de fé, de solidariedade, de sofrimento e de conforto
fraterno. Recordo a ida para Deus de muitos parentes e amigos
e a grande edificação espiritual de pessoas cuja
vida santa se revelou ainda mais no fim da existência terrena
e na hora da morte. Nessa ocasião, muitas vezes manifesta-se
a beleza da fé, a confiança em Deus e a certeza
da vida eterna e feliz.
Para os que têm a graça
de conhecer as promessas da Ressurreição de Jesus,
o acontecimento da morte adquire sua plena significação.
É a passagem desta vida terrena para a Casa do Pai. Jesus
garantiu aos discípulos que ia preparar um lugar a seu
lado, onde seriam para sempre felizes. O mistério da Ressurreição
ilumina a existência do cristão e faz com que cada
passo da vida tenha no horizonte a esperança do encontro
amoroso com Deus.
Tudo isso participa de nossa
vida à luz do Evangelho e muito nos consola. São
Paulo lembra aos cristãos que devem, pelo testemunho de
fé, confortar os demais manifestando-lhes a luz da Ressurreição
de Cristo.
Agradeço a Deus ter
podido permanecer com minha irmã Elisa ao longo desses
últimos dias e tê-la acompanhado no momento em que
Deus a chamou para o prêmio eterno. Passou por sofrimentos
de uma doença, parece congênita, que limitou aos
poucos os seus movimentos e até a posse de sua memória
e consciência. Sua comunicação reduziu-se
cada vez mais. Durante os últimos meses, não conseguia
mais falar. Limitava-se a abrir os olhos. Todos aguardávamos
um sinal, pequeno que fosse, de sua compreensão. Mas não
conseguia responder aos estímulos. Foi assim que Deus a
convidou para deixar esta vida. Agora ela não sofre mais.
Está em paz.
Minha irmã viveu a
fé que recebeu de minha mãe. Estudiosa, distinguiu-se
pelos resultados obtidos no Colégio Assunção
no Rio de Janeiro. Formou-se em geografia, enfermagem e turismo.
Trabalhou com afinco no IBGE e lecionou com paixão durante
anos. Não se casou. Amava a vida e viajar pelo mundo. Sem
medo, enfrentava distâncias e lugares desconhecidos. Guardava
tudo na memória: paisagens e museus. Ao longo das viagens,
louvava a Deus na beleza da natureza. Generosa, cuidou de meus
pais e de outros parentes na hora da doença. Acompanhou-me
dia e noite durante meses quando sofri o acidente em 1990. Sempre
que podia, auxiliava os pobres com discrição e prodigalidade.
Os três anos finais confirmaram sua virtude, especialmente
sua paciência e entrega nas mãos de Deus.
Elisa querida, na paz de Deus,
ajude-nos agora a viver fazendo o bem como você. Um pequeno
grupo de familiares rezava a seu lado as ave-marias aguardando
o chamado para o céu. Na hora do Ângelus, Elisa Maria
deixou esta terra. Segredei-lhe com amor: "Vai para Deus.
O céu é belo, e ficará mais belo ainda quando
você chegar".
Obrigado, Senhor.
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