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O serviço da caridade

Dom Luciano Mendes de Almeida

      Na segunda parte de sua valiosa encíclica "Deus é Amor", o Santo Padre Bento 16 expõe qual deve ser para a Igreja a prática do amor, a exemplo de Jesus Cristo. Ajuda-nos a assumir não só a vivência pessoal do mandamento cristão de amor ao próximo mas a sua dimensão comunitária, pelo empenho social da Igreja.
      A ação da Igreja tem por finalidade, pela força do Espírito Santo, ser no mundo testemunha do amor de Deus, cujo desígnio é fazer da humanidade uma só família. Pertence à Igreja o anúncio da Boa Nova, a administração dos sacramentos e a prática da caridade, que está intimamente unida à construção da sociedade justa.
      Qual a cooperação do serviço da caridade da Igreja para o bem comum?
A Encíclica recorda que compete à política promover e executar as estruturas justas da sociedade e do Estado, regidas pela Justiça. No entanto, respeitada a competência e a autoridade do Estado, a Igreja tem o dever de zelar pela formação da consciência a fim de que haja a purificação da razão para o reto discernimento do que é Justiça e para que as verdadeiras exigências da Justiça sejam reconhecidas e realizadas.
      A atual encíclica incentiva que haja uma estreita colaboração entre as instâncias estatais e as associações humanitárias em prol da solidariedade que supere as comunidades nacionais e se estenda ao mundo inteiro.
      Insiste, com clareza, na atuação própria da caridade cristã, que deverá manifestar a força do amor de Jesus Cristo, e indica alguns aspectos mais significativos.
      A caridade nasce do encontro pessoal com Jesus Cristo, que ensina e fortalece o amor ao próximo e desperta forças espirituais e morais. O serviço da caridade deve ser independente de partidos e ideologias e tem por modelo o programa de Jesus Cristo, "Bom Samaritano", que sabe ver a necessidade do próximo e ir em seu auxílio. Essa ação em bem dos necessitados não tem finalidade proselitista, mas é expressão da gratuidade do amor divino. Os discípulos de Cristo aprenderão a discernir quando falar de Deus e quando a linguagem será somente o amor. "Deus é amor e torna-se presente precisamente nos momentos em que nada mais se faz senão amar."
      A união com Cristo pela oração ajudará, diante das dificuldades, a descobrir as ações a realizar sem cair na inércia e resignação, mas enfrentando com coragem os desafios.
      É importante perceber que o serviço da caridade nunca pode faltar. O mundo precisa de amor. Não basta, com efeito, o cumprimento dos deveres exigidos pela justiça. Todo ser humano tem necessidade de ser amado.
      A ninguém passa despercebido o gesto de bondade, o desvelo gratuito de uma pessoa que assume o serviço voluntário e por amor. É essa a marca do Bom Samaritano, que se dedica, sem medir sacrifícios, à pessoa necessitada. O Santo Padre anima os jovens a se educarem para a solidariedade e à doação de si mesmo e nos convida a todos para acreditar no amor e para trabalharmos juntos para uma justa ordem social.
      À bondade materna de Maria o Papa Bento 16 confia o serviço da caridade da Igreja, a fim de que nos ensine a realizar o mandamento de Cristo e a viver na concórdia e na paz.

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