A
serviço da comunhão
Dom Luciano Mendes de Almeida
NESTES DIAS, os cristãos
do mundo inteiro são convidados a entrar em profunda oração
e a meditar sobre as palavras do Divino Mestre: "Pai, que
todos sejam um" (Jo. 17, 11). O Senhor Jesus Cristo, diante
da humanidade dividida e conflitante, proclamou a mensagem de
fraternidade, amor e paz. Seu anseio é a reconciliação
da parte de Deus para conosco e entre nós. Que podemos
fazer para responder ao supremo anseio de Cristo, na sua prece
ao Pai, conservado na palavra do apóstolo São João?
As comunidades se reúnem como os apóstolos com Maria
no Cenáculo para celebrar a presença e a ação
do Divino Espírito Santo amanhã, 4 de junho. Nós
o invocamos como Espírito de Amor que nos ajuda a superar
distâncias, barreiras e ressentimentos e a acreditar na
força maior do amor de Deus, que age em nossos corações
e nos incentiva à comunhão. Há três
atitudes que se entrelaçam. A primeira é a oração
humilde e confiante a Deus, pedindo que ajude os discípulos
de Cristo a se conhecerem e a crescer no respeito e na estima
recíproca. A oração de uns pelos outros,
sempre que possível, conjunta, predispõe o coração
para a segunda atitude fraterna: o diálogo. Podemos nos
conhecer melhor e aprender uns com os outros as maravilhas de
Deus. Não se trata de perder a própria identidade,
mas de perceber a ação de Deus na consciência
humana e deixar-se mover pelo Espírito que nos faz descobrir
a verdade dos desígnios divinos. Essa atitude de modéstia
e abertura de coração atrai as bênçãos
de Deus e ajuda-nos, nas palavras do Papa João 23, a perceber
melhor todos os pontos e riquezas que temos em comum. O apreço
recíproco entre os membros das comunidades cristãs
há de permitir, como tantas vezes já tem acontecido,
que coloquemos em comum o amor e o zelo pelos desfavorecidos e
excluídos sociais. O amor de Cristo em nós fará
que possamos realizar muitas ações em bem dos irmãos
necessitados. Lembro a campanha contra a fome e a miséria,
a luta pela defesa e promoção dos direitos humanos,
o compromisso pela vida, a atenção à criança
e ao jovem no desamparo, o atendimento aos presos, o apoio à
mulher marginalizada e a tantas outras ações entre
as quais sobressai a série de campanhas pela distribuição
da terra e água e a promoção das populações
indígenas. A semana da oração pela maior
fraternidade entre as comunidades cristãs ensina-nos a
grande lição: "Sempre que o amor cresce, as
distâncias diminuem". Coloquemo-nos a serviço
da comunhão.
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