Agasalhos
e sapatos
Dom Luciano Mendes de Almeida
NÃO NOS ADMIREMOS com
o título. É que o frio vem crescendo. As áreas
do Sul e do Sudeste são mais atingidas. E o povo simples
sofre. Onde vivo, na região de Mariana, Ouro Preto e na
cidade e arredores de Barbacena, a temperatura tem caído
sempre mais. Permitam-me, então, fazer um apelo.
Várias prefeituras,
entidades religiosas e filantrópicas, nesta ocasião,
recorrem à caridade dos cidadãos, promovendo campanhas
de agasalhos, que são entregues aos mais necessitados.
É preciso continuar e ampliar essa iniciativa. Posso atestar
que muitas famílias carecem de agasalho e enfrentam as
noites e manhãs gélidas com muito sacrifício.
Essa campanha recolhe roupas que não usamos mais e podem
ajudar muito nestes tempos de inverno. Mais belo é quando
partilhamos com outros aquilo que exige até um maior desprendimento
de nossa parte.
Um pequeno fato sucedido em
Mariana, há poucos dias, mostra a generosidade de nosso
povo. Uma senhora viúva, com seis filhos, veio pedir à
associação de caridade um cobertor. Havia em sua
casa apenas um cobertor para os filhos. A mãe nem pensava
nela. A assistente social respondeu que as cobertas tinham acabado,
mas que ela retornasse no dia seguinte e ela faria o que fosse
possível. Voltando para casa, e encontrando o marido, perguntou-lhe
se concordava em dar à família pobre o próprio
cobertor do casal, uma vez que a necessidade deles era maior.
Ficaram de acordo. Preparou o embrulho e ficou aguardando a viúva
a quem prometera a coberta. Qual não foi a surpresa do
casal ao abrir a porta de casa no dia seguinte e encontrar quatro
fardos contendo cem cobertores novos, com este bilhete: "Para
os irmãos pobres". Deus intervém e recompensa
a caridade. O gesto de desprendimento atraiu as bênçãos
de Deus. Quem sabe também nós podemos atender melhor
os que precisam de agasalho?
Lembro, no entanto, a conveniência
de estender a campanha aos sapatos. Os pobres não têm
como cobrir os pés. Sandálias velhas e sapatos desgastados
causam muita aflição na época do frio. Quem
sabe poderíamos oferecer sapatos e tênis ainda em
bom estado para aliviar o sofrimento dos que não têm
como adquiri-los. Isso vale também para as crianças.
Nas casas, há sapatinhos que sevem muito para preservar
as crianças do frio.
É verdade que muitas
iniciativas humanitárias estão já em curso,
manifestando o bom coração de nosso povo. Não
custa fazer um pouco mais.
Que Nossa Senhora, tão solícita do bem dos filhos,
nos ajude a recordar as palavras de Jesus: "Tudo o que fizerdes
a um desses pequeninos, a mim o fazeis".
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