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Fraternidade e pessoas com deficiência

Dom Luciano Mendes de Almeida

      A Campanha da Fraternidade, em preparação à Páscoa, acontece no Brasil desde 1964 e aponta cada ano para um aspecto da vida pessoal e social que merece maior atenção. Requer a colaboração de todos para modificar falhas e omissões comportamentais e promover uma verdadeira conversão interior que nos faça viver melhor o Mandamento do Amor fraterno conforme o ensinamento de Jesus Cristo.
      Em 2006 o tema é de extrema importância e tem por finalidade promover a relação fraterna com as pessoas com deficiência a fim de que se sintam acolhidas e valorizadas pela comunidade eclesial e inteira sociedade.
      É preciso conhecer a realidade. Há 25 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência física, sensorial ou mental, o que significa 14,5% de nossa população. A primeira atitude diante dessa situação é a de reconhecermos a dignidade única de cada ser humano, independentemente das condições em que se desenrola sua vida e das capacidades que pode expressar.
      Todos os seres humanos são criados por amor à imagem e semelhança de Deus. Jesus Cristo acolhe a todos e nos ensina a identificar a dignidade dos portadores de deficiência. Muitas vezes Cristo curou cegos, mudos, aleijados, doentes mostrando que merecem todo respeito, estima e atenção. Assim se dirigiu ao aleijado (Mc 3,3): "Levanta-te, vem para o meio" Estas palavras de Jesus são o lema da CF 2006, para todas as pessoas com deficiência: "Levantem-se". Devemos ajuda-las a sair da exclusão à luz do amor que Deus tem a todos. A atitude inicial que precisamos aprender é a de superar preconceitos e discriminações e abrir os olhos para descobrir em cada ser humano a dignidade de filhos benditos de Deus. Segue-se daí para quem é portador de deficiência, a certeza de que é amado por Deus que tem sobre sua vida uma especial providência. Para todos a vivência do mandamento do amor há de se manifestar em atitudes de solidariedade fraterna, com predileção para com os mais necessitados. O apelo da Campanha da Fraternidade exorta-nos a criar condições para promover a autonomia e a maior realização dos irmãos e irmãs com deficiência, nas próprias famílias, nas comunidades e na inteira sociedade zelando pelo aprimoramento das leis e pelas políticas públicas em defesa e proteção dos portadores de deficiência.
      Assim, o empenho de todos há de apoiar as famílias para que sejam capazes de acolher e acompanhar desde a infância, pessoas em situação especial. O mesmo interesse continuará nos serviços necessários de atendimento domiciliar, de instituições humanitárias que assegurem os cuidados de instrução, saúde, reabilitação e inserção social. Abre-se campo para as muitas formas de caridade e voluntariado generoso para as comunidades cristãs..
      Fica como exemplo, entre outros, o trabalho realizado na Paróquia do Bom Pastor, em Barbacena. MG. Os portadores de deficiência mental, excetuando-se casos extremos, foram recentemente distribuídos em 23 casas-lar com atendimento contínuo e fraterno. O resultado é notável.
      É o momento de louvarmos a Deus pelos que se dedicam com amor gratuito, sem medir sacrifícios, a todos os irmãos necessitados.
Esta demonstração heróica de devotamento na família e nos centros de acolhimento regenera a humanidade e atrai as bênçãos divinas.


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