Desenvolvimento sustentável
Dom Luciano Mendes de Almeida
Quatro dias de intenso trabalho,
de 27 a 30 de junho de 2005, na capital mineira, marcaram o 3º
Encontro do Terceiro Setor, em Minas Gerais. Abriu-se amplo debate
na busca de implementar políticas públicas no combate
às desigualdades sociais.
O tema central do encontro
foi a "intersetorialidade", que conjuga ações
entre a sociedade civil organizada, governos e empresas. Caracterizou
esse debate sobre a cidadania o comparecimento numeroso das autoridades
nos diversos setores com tempo para expor suas experiências
e projetos. Numa integração de perspectivas e com
ativa participação do auditório, o programa
ofereceu quatro painéis com debate, nove subtemas discutidos
em mesa-redonda e eventos paralelos para promotores de Justiça
e curadores de fundações e entidades de interesse
social.
Um dos eixos das várias
intervenções foi o da colaboração
entre os três setores, insistindo na mobilização
social e na sua influência sobre as políticas públicas,
visando à superação das desigualdades sociais
e a preservação do ambiente.
As reflexões e propostas
se inserem no contexto da Agenda 21 Brasileira, elaborada durante
quatro anos -de 1996 a 2002-, e que já se encontra em fase
de implementação como programa do atual governo.
Trata-se de um processo de planejamento participativo para o desenvolvimento
sustentável que procura harmonizar a conservação
do ambiente, a justiça social e o crescimento econômico.
O programa "Agenda 21" tem por método promover,
em nível local, a cooperação de governo e
sociedade na concretização de políticas públicas
sustentáveis.
O tema do desenvolvimento
sustentável constitui o grande desafio para o nosso século.
Na sua excelente exposição, o doutor José
Carlos Carvalho, secretário do Meio Ambiente de Minas Gerais,
recordou que a vida no planeta requer que as novas gerações
sejam capazes de realizar mudanças comportamentais na relação
com a natureza. Basta pensar na destruição de florestas,
na poluição das reservas de água e no uso
dos agrotóxicos.
A mudança comportamental
é necessária não só para a preservação
da natureza mas para conseguir uma distribuição
eqüitativa dos recursos. Está em questão a
reorganização dos valores. Do respeito à
dignidade da pessoa humana decorre uma atitude de solidariedade
que inclui a opção por hábitos novos de vida.
É preciso, assim, evitar o desperdício, o consumismo
doentio e a exploração predatória da natureza
e discernir e assumir, com sabedoria, o gênero de vida sóbrio,
austero, que permita o acesso de todos aos bens necessários.
Compreendemos, assim, a importância da educação
para os valores, começando pela criança.
O Encontro do Terceiro Setor
reconheceu a prioridade da atuação sempre mais consciente
da própria sociedade organizada e a valorização
das organizações governamentais, que concentram
o idealismo do voluntariado, oferecem múltiplas formas
de participação e resistem às oscilações
de governos e partidos. Para conseguirmos a meta de uma economia
sustentável que assegure a todos condições
dignas de vida, é indispensável vencer o egoísmo
e descobrir a alegria da solidariedade fraterna.
Deus criou o mundo para todo.
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