A
vitória de Cristo
Dom Luciano Mendes de Almeida
A cada ano , somos convocados
pela Igreja para celebrar a Ressurreição de Cristo,
sua vitória sobre o pecado e a morte. A Páscoa de
Jesus é a maior festa do ano litúrgico para o mundo
cristão.
Com a morte não termina
a nossa vida. Jesus nos dá a resposta e a promessa. Deus
deu-nos a vida, não para tirá-la. Fomos feitos para
viver. Se o pecado e a morte marcam a existência humana,
cremos que Jesus nos alcança a remissão dos pecados
e a certeza da vida eterna e feliz.
As comunidades cristãs
se reúnem para expressar a própria fé, repetindo
com a Virgem Maria, os apóstolos e toda a Igreja: "Creio
na Ressurreição". Cremos na vitória
de Cristo. A celebração da Páscoa do Senhor
vem, assim, renovar em nós a certeza do amor de Deus, que
dá sentido à vida humana. Alegremo-nos ao repetir
muitas vezes: "Feliz Páscoa!", isto é,
passagem da morte à vida, do egoísmo ao amor, do
medo à esperança.
O tempo da Páscoa anuncia
uma tríplice alegria: a certeza de que é possível
superar o pecado pela graça de Cristo; a esperança
de que, pela força da vitória de Jesus, também
nós haveremos de ressuscitar; a alegria de vivermos já
neste mundo a novidade dos valores de Jesus.
Para cada discípulo
e discípula de Cristo, a Páscoa significa vida nova,
que inclui a mudança de comportamento pessoal, especialmente
na própria família, renovando o amor, a compreensão
e a doação aos outros.
A vida nova que Cristo nos
comunica pela sua vitória é ainda compromisso de
construir a sociedade marcada pela estima e pelo respeito à
dignidade de cada pessoa. As comunidades cristãs são
chamadas a avaliar, no espírito pascal, como vão
os serviços de caridade em favor das crianças, dos
desempregados, dos idosos e dos enfermos. A Campanha da Fraternidade
2005 anima-nos a promover a solidariedade, começando pelos
mais carentes. Abre-se amplo horizonte para colocarmos em prática
a vida nova da Páscoa. Aproveitemos para nos examinarmos:
temos acolhido e auxiliado o "povo da rua", que aumenta
a cada dia em nossas cidades? Como procuramos aliviar o sofrimento
dos encarcerados e de suas famílias? Que apoio oferecemos
aos grupos que aguardam terra para nela morar e trabalhar? Como
ajudar os jovens dependentes dos tóxicos? Qual a atuação
de nossas comunidades em benefício das vítimas da
exclusão social? Será que reconhecemos mesmo em
cada sofredor a face de Jesus Cristo?
É nessa perspectiva
que a Páscoa deve ser celebrada, levando-nos a assumir
sempre mais o compromisso de caridade e o anúncio de esperança,
multiplicando os gestos generosos de solidariedade: mutirão
contra a fome, grupos de geração de renda, cooperativas
de trabalhadores artesanais, cursos de alfabetização
e recuperação escolar oferecidos por voluntários,
visitas freqüentes e apoio a enfermos e portadores de deficiências
e tantas outras iniciativas que vão surgindo nas comunidades.
São fruto da Ressurreição
de Cristo, que vence em nós todo o egoísmo e nos
convida a amar como Ele amou.
A Páscoa é feliz
na alegria da partilha, do perdão e da paz.
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