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Olhar para a frente

Dom Luciano Mendes de Almeida

      As comissões de inquérito continuam seu trabalho para apurar responsabilidades e identificar vícios que têm danificado gravemente a vida política do país. Infelizmente as ramificações são mais extensas do que se pensava. Compreende-se a conveniência e necessidade de levar adiante o diagnóstico da doença para que seja possível curá-la. Em todo esse processo é preciso, no entanto, evitar excessos e manter-se na verdade. Lembremo-nos, também, da sabedoria evangélica que nos obriga e um exame pessoal sobre nossas atitudes, antes de acusarmos o próximo. Quem não tem pecado?
      É tempo de começarmos a olhar para a frente e acelerar a consolidação do regime democrático, passando da indignação ética e da exigência de que sejam corrigidos erros para uma atitude construtiva, indicando metas consensuais a serem promovidas por todos, em bem do povo.
      Como discernir essas metas? Requer-se a cooperação das forças vivas da sociedade de modo a respeitar a diversidade de regiões e destinatários. As metas concretas seriam apresentadas às lideranças populares e contariam com o discernimento e apoio das comunidades. Sirva como exemplo a questão do uso da terra a fim de que se atenda a milhões de agricultores que anseiam por viver e trabalhar na área rural. Aguardamos leis que acionem a melhor distribuição da terra e a produção organizada e sustentável. É possível estabelecer o assentamento nos municípios e destinar a esses projetos verbas adequadas e acompanhamento técnico, contando não só com a atuação dos governos locais mas com o apoio das comunidades. Essa decisão poderá, durante o período de aproximadamente dois anos, atender ao assentamento de 500 mil famílias.
      Outra proposta de fácil execução é instituir, em cada município ou áreas zonais nas grandes cidades, equipes com remuneração digna e alimento para trabalho de conservação de estradas e ruas, limpeza de prédios públicos, construção de casas populares. Essa decisão virá ao encontro de milhões de desempregados. Os exemplos podem se multiplicar, mas as iniciativas não devem tardar.
      Na área da educação, cresceu na juventude o anseio de estudos universitários. É justo que se continuem os esforços para assegurar que haja oportunidade também para os jovens de baixa renda. Muitos lutam por uma vaga nas instituições do governo e, como não conseguem entrar, inscrevem-se nos cursos de faculdades particulares. Já que o governo sustenta as instituições federais e estaduais, por que não dar bolsas aos alunos carentes que freqüentam as particulares? As medidas recentes não atendem toda a demanda.
      A criatividade levará a outras propostas. O importante é que haja esforço dos nossos governantes em colaboração com toda sociedade, a fim de elaborar e cumprir, sem demora, uma série de iniciativas para o bem comum que demonstre a vontade de superar as exigências partidárias de cargos governamentais e as pretensões para as próximas eleições.
      O país não pode parar nem perder a esperança. Quando o barco encalha, todos devem cooperar para enfunar as velas. No interior, quando o ônibus fica preso na lama, não adianta reclamar. O pessoal desce e empurra o carro para a frente. Vamos confiar em Deus, corrigir os erros, aprender a lição, recuperar o ânimo, unir as forças, olhar para a frente e reencontrar a alegria de continuar sonhando com um Brasil honesto e solidário.

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