O
Natal vem chegando
Dom Luciano Mendes de Almeida
O Natal vem chegando. Há
quase 2.000 anos, Deus realizou seu desígnio de misericórdia
enviando ao mundo o seu próprio Filho para nos salvar.
Este acontecimento transformou a história, trazendo-nos
a reconciliação entre nós e com Deus.
Nestas semanas, grupos de
famílias se reúnem para preparar o Natal. À
luz da fé, podemos descobrir melhor as lições
da vinda de Cristo em nossa vida.
O Filho de Deus, ao nascer da Virgem Maria e entrar em nosso mundo,
fez a opção do amor solidário. Quis passar
pelas vicissitudes de todo ser humano, exceto o pecado. Ao irmanar-se
conosco, revela o valor de cada pessoa humana e gera entre nós
um anseio profundo de apreço, respeito e comunhão.
Ensina-nos a dignidade de toda pessoa e nos ajuda a vencer barreiras
e distâncias de classes sociais e a superar discriminações
e ressentimentos.
Acolher Cristo que nasce em
Belém é aprender a reconhecê-lo em cada irmão
e irmã com quem quis se identificar. A consciência
da dignidade do próximo está na origem de todo empenho
pela promoção humana, a começar dos mais
pobres e excluídos.
Quanto maior é a luz
da fé que nos faz reconhecer a natureza divina e humana
de Jesus que nasce, tanto maior é a compreensão
da dignidade de todo aquele com quem Cristo se irmana.
A celebração
do Natal deve nos levar a assumir, com novo ardor, a vivência
do amor gratuito e solidário, a exemplo de Cristo. Numa
sociedade que permanece marcada pelo egoísmo e pelo descaso
diante do sofrimento alheio, precisamos redescobrir a beleza do
amor oblativo, único que dá paz e alegra o coração
humano.
Basta lançar um olhar
sobre o mundo para discernir os grandes gestos de amor: a dedicação
dos pais aos filhos, o cuidado dos enfermos e idosos, o desvelo
pelos portadores de deficiência, o empenho para auxiliar
crianças desamparadas e as vítimas de infortúnio.
Que há de mais belo do que o amor gratuito à imitação
de Jesus Cristo?
Assim, o Natal é o
momento privilegiado para aprender as lições profundas
que o Filho de Deus nos dá, abrindo a nossa compreensão
para a prática do amor solidário em nossas vidas.
No ambiente familiar, é a oportunidade de reconciliação
e auxílio mútuo. Nas situações cotidianas
na sociedade, precisamos esquecer mágoas e renovar o relacionamento
e apreço mútuo.
O amor solidário leva-nos
mais longe e nos ensina a procurar as pessoas que sofrem abandono,
rejeição e graves necessidades espirituais e materiais.
Entre as áreas mais carentes do exercício de nosso
amor gratuito e solidário convém lembrar a condição
dos encarcerados, a situação dos migrantes, o sofrimento
dos que não conseguem emprego e o número cada vez
maior do povo pobre que vive nas ruas, sem moradia.
Nesses dias que preparam o
Natal, temos de superar as luzes das vitrines e do consumismo
para viver a beleza da gratuidade do amor em benefício
dos que mais precisam de nós.
Quando isso acontecer, vamos
experimentar a misteriosa alegria de quem dá. Feliz Natal.
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