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Eucaristia, partilha e perdão

Dom Luciano Mendes de Almeida

      Está se realizando em Roma o sínodo dos bispos, convocado pelo Papa Bento 16 para o período de 2 a 23 de outubro. Essa instituição responde ao anseio do Concílio Vaticano 2º de promover maior colegialidade dos bispos para com o Santo Padre. O Papa Paulo 6º regulamentou em 1965 a prática dos sínodos. Desde então, houve dez sínodos de convocação ordinária. O atual é o 11º, e alcançou o maior número de membros com direito a voz (257).
      Durante estes 40 anos, sucederam-se temas de grande importância para a vida eclesial. A escolha do assunto deste sínodo foi feita ainda pelo Papa João Paulo 2º após receber as sugestões do episcopado: "A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja".
      A metodologia sinodal inclui várias fases: a) apresentação das linhas gerais do tema e consulta ao episcopado; b) elaboração do texto preparatório, redigido com as contribuições enviadas pelas dioceses e organismos eclesiais; c) o texto, denominado, "instrumento de trabalho", é novamente remetido aos bispos para análise e complementação; d) na abertura do sínodo, em Roma, o relator nomeado, cardeal Ângelo Scola, arcebispo e patriarca de Veneza, leu o novo documento resultante das propostas: trata-se de "Redação Introdutória"; e) seguem-se as sessões plenárias, quando cada membro tem oportunidade de oferecer sua colaboração por escrito e apresentar oralmente uma breve síntese (seis minutos). No final de cada dia, reserva-se uma hora de sessão plenária para uso livre da palavra; f) A riqueza de todo esse material é novamente compilada pelo relator e seus assessores; g) Entra-se então na segunda fase de "grupos de estudos", cada um com aproximadamente 20 membros, distribuídos pelo idioma escolhido. A finalidade dessa fase é discutir o tema e apresentar propostas claras e aprovadas pelo grupo. O conjunto dessas propostas é comunicado em plenário; h) Volta-se aos grupos por várias sessões para selecionar e aperfeiçoar as conclusões a serem votadas, uma a uma. As que forem aprovadas destinam-se a ser entregues ao Santo Padre para o eventual documento pós-sinodal.
      O estatuto do sínodo prevê também a elaboração de uma "mensagem", que, uma vez discutida e aprovada em plenário, será logo enviada às comunidades, dando notícia dos trabalhos sinodais.
      O tema deste sínodo está voltado para o grande dom de Jesus Cristo à humanidade: "A Eucaristia: fonte e ápice da vida e missão da Igreja". Jesus Cristo oferece a sua vida a Deus Pai pela humanidade. Na Última Ceia, Jesus, com plena liberdade e por amor, revelou aos discípulos que seu corpo seria entregue e seu sangue derramado por nós, para a remissão dos pecados do mundo. É o sacrifício da Nova Aliança e o supremo ato de amor que se realizou na morte na cruz e na ressurreição de Cristo. A memória permanente deste sacrifício se renova em nossos altares, permitindo-nos que a ele nos associemos, oferecendo também nós a vida com Cristo, a exemplo da Mãe de Deus. Na Eucaristia, dá-se a nós, como alimento, e fortalece os discípulos para a vida de caridade, de união e de doação ao próximo. Este sínodo há de contribuir para redescobrir a força da Eucaristia, intensificando a fé no amor de Cristo e a esperança de vida eterna e feliz. Há de nos ajudar a vencer o egoísmo, superando injustiças e a violência pela solidariedade e reconciliação. Para os cristãos, a participação na Eucaristia é, assim, exigência constante de uma nova sociedade marcada pela partilha e pelo perdão.

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