Sínodo
dos Bispos em Roma
Dom Luciano Mendes de Almeida
Por convocação
do Papa Bento 16, de 2 a 23 de outubro vai-se realizar, em Roma,
o Sínodo dos Bispos. Trata-se de um dos frutos do Concílio
Vaticano 2. Instituído por Paulo 6º em 1965, o Sínodo
garante a cooperação do episcopado para o estudo
e o aproveitamento de temas vitais para a Igreja. Essa iniciativa
completa o 40º aniversário de sua fundação.
Durante esses anos, já se reuniram dez assembléias
sinodais gerais, duas assembléias extraordinárias
e oito assembléias especiais. Muito contribuíram
para a vida eclesial os Sínodos continentais por ocasião
do Jubileu do ano 2000. A 11ª Assembléia Sinodal terá
por tema "A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da
missão da Igreja". Além dos bispos, há
convidados, homens e mulheres, como assessores especialistas na
matéria. Participarão cerca de 250 membros.
Como gesto concreto de ecumenismo,
estarão presentes 12 representantes das Igrejas Ortodoxas,
das antigas Igrejas do Oriente e das comunidades derivadas da
Reforma. A escolha do tema da Eucaristia para o próximo
Sínodo foi feita pelo Papa João Paulo 2º após
ampla consulta e vem, assim, coroar o ano dedicado à Eucaristia,
cujo início foi em 17 de outubro de 2004. É notável
o empenho do Papa Karol Wojtyla para incentivar o povo cristão
a venerar o mistério eucarístico. Legou-nos a encíclica
"Ecclesia de Eucharistia" e a bela carta apostólica
"Mane Nobiscum Domine". O Papa João Paulo 2º
será conhecido pela posteridade por insignes méritos,
entre eles sobressai a sua devoção a Cristo no sacramento
da Eucaristia. Podemos nomeá-lo como "O Promotor da
Paz" e reconhecer a sua influência na defesa da vida
e da família e na superação dos conflitos,
mas, de modo exemplar, tornou-se o "Pontífice da Eucaristia".
Os participantes escolhidos
para o Sínodo já têm em mãos o "instrumento
de trabalho", elaborado com base nas respostas e observações
enviadas pelas Conferências Episcopais, pelas Igrejas Orientais
católicas pelos Dicastérios da Cúria Romana
e pela União dos Superiores Gerais.
O documento preparatório
é a síntese das contribuições recebidas
e consta de um prefácio e de quatro partes que tratam da
relação da Eucaristia com o mundo atual (I), da
profissão de fé por parte da Igreja (II) e da força
da Eucaristia para a vida da Igreja (III) e para o cumprimento
de sua missão (IV). Estamos, assim, todos convidados para
redescobrir da beleza da Eucaristia, na qual a Igreja encontra
o dinamismo de sua unidade, da comunhão fraterna e a fonte
de sua ação evangelizadora neste mundo.
Na sua Carta Apostólica
sobre a Eucaristia, "Mane nobiscum Domine", João
Paulo 2º deixa-nos como preciosa herança espiritual
sua exortação a valorizarmos a alegria do encontro
fraterno, o sacrifício da nova aliança pela entrega
de Cristo e o penhor de vida feliz, que nos mantêm firmes
na esperança em meio às vicissitudes quotidianas.
A comunhão com Cristo
no sacramento de seu corpo e sangue fortalece-nos, a exemplo de
Maria, para cumprir com amor e coragem a vontade de Deus Pai.
Essa união é a fonte da santidade pessoal e comunitária
e do heroísmo dos mártires. Lembro-me sempre do
arcebispo vietnamita cardeal Francisco Xavier Van Thuan, que,
preso durante nove anos na cela solitária, manteve-se sereno
e confiante, rezando pelos que o tinham encarcerado. Sua força
e consolo era Cristo presente na Eucaristia.
A realização
do Sínodo há de contribuir para renovar a fé
na presença de Cristo ressuscitado na sua Igreja e o compromisso
de caridade, da partilha e do perdão na construção
de um mundo justo e solidário que supere as injustiças
e a violência.
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