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Trabalho e exclusão social

LUCIANO MENDES DE ALMEIDA

      Creio que ninguém duvide da importância do trabalho para resolver a questão social. O trabalho dignifica a pessoa, permite o desenvolvimento de suas capacidades, contribui para a promoção do bem comum e, como é óbvio, garante a subsistência do trabalhador e de sua família.
      O problema encontra-se na extrema dificuldade para conseguir trabalho. Os altos índices de desemprego e a multiplicação de empregos informais provam que as oportunidades se tornam cada vez mais raras. Quem sofre é a juventude, que vê muito cedo frustradas as suas esperanças. Dramática é a situação de quem, após anos de trabalho, uma vez despedido, percebe a quase impossibilidade de encontrar um novo emprego.
      Confesso que, no exercício do ministério sacerdotal, constato a cada dia, por um lado, o enorme esforço das pessoas para obterem trabalho com salário digno e, por outro lado, a escassez de oportunidade. Onde surgem vagas, formam-se enormes filas de candidatos, que são examinados, fichados e aguardam um chamado que não acontece. As dívidas crescem. O alimento diminui em casa. Diante da realidade aflitiva, vai-se infiltrando o desânimo e a perda da auto-estima. Conhecemos as conseqüências.
      Torna-se incongruente festejar o Dia do Trabalhador, a conquista de seus direitos e a consciência de seus deveres quando tantos não conseguem ter acesso ao emprego indispensável para a sua manutenção. Hoje, ser trabalhador é privilégio.
      Mesmo quando surge, a oportunidade de emprego nem sempre corresponde à expectativa nem oferece a estabilidade desejada. Basta considerar a insuficiência do salário mínimo. Não se trata de ampliar a descrição dos problemas que caracterizam o mundo do trabalho em nossos dias, pois estamos bem conscientes da amarga realidade. É preciso, no entanto, diante de Deus, unir esforços para enfrentar os desafios.
      A primeira atitude deve ser de solidariedade fraterna, percebendo a árdua condição dos excluídos sociais e a urgência de encontrar soluções viáveis no campo e na cidade. A exigência de fraternidade vai nos reeducando para criar novas opções de emprego. Há que valorizar iniciativas de capacitação de trabalhadores e da organização de cooperativas, com auxílio de empréstimos, sem juros abusivos. Em algumas cidades, a prefeitura terceirizou a limpeza e a manutenção de ruas e estradas, a coleta seletiva de lixo, a pintura de edifícios públicos. Nas áreas rurais, a ajuda técnica pode indicar os plantios mais adequados, garantindo o aprendizados dos agricultores e o aproveitamento racional da produção, com especial atenção às hortas que abastecem as cidades. Não faltam exemplos de projetos bem-sucedidos. O importante é dar prioridade a essas iniciativas e multiplicá-las com inteligência e rapidez, unindo a colaboração governamental com as propostas e expectativas da sociedade local.
      Estamos acompanhando as notícias da marcha dos milhares de trabalhadores sem-terra que, nestes dias, caminham rumo a Brasília na esperança de motivar os governantes e o país para a urgência de agilizar os assentamentos com recursos e auxílios técnicos adequados. É tempo de encontrarmos os melhores meios legais que permitam a esses irmãos viver e trabalhar com dignidade na terra, como compete a filhos e a filhas de Deus.