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Consolidar a democracia

Dom Luciano Mendes de Almeida

      Na atual conjuntura, percebe-se perplexidade em vários setores da sociedade brasileira, desejosa de conhecer a verdade no emaranhado de informações difundidas pelos meios de comunicação. Temos de discernir o joio do trigo e avaliar, objetivamente, os acontecimentos de hoje e as raízes que mergulham no passado. Em qualquer hipótese, é necessário não precipitar o julgamento e guardar isenção e esperança de encontrar os caminhos que assegurem a convivência no respeito aos direitos e no cumprimento dos deveres de cidadania.
      Entre os maiores obstáculos a essa convivência, deparamos com a corrupção política dos que usam a estrutura do poder público em benefício de interesses privados. Esse fato se agravou por causa da impunidade com a qual veio se alastrando devido à conivência e passividade de muitos, acarretando detrimento nos valores indispensáveis à manutenção da ordem pública e promoção do bem comum.
      Reuniu-se, de 21 a 23 de junho, em Brasília, o Conselho Permanente da CNBB, conforme seu estatuto, em preparação à próxima assembléia geral, transferida, por ocasião da morte do Papa João Paulo 2º, para o período de 9 a 17 de agosto, em Itaici (SP). Diante da situação nacional, os membros do conselho permanente enviaram mensagem ao povo brasileiro em que refletem sobre os recentes acontecimentos e convocam a todos para o empenho comum de consolidar a democracia. Chamam a atenção sobre a necessidade de apurar as denúncias de corrupção, identificar as responsabilidades, punir culpados e exigir a restituição dos bens subtraídos. No entanto consideram maior o desafio de promover a reforma do Estado e do próprio sistema político vigente.
      Essas diligências devem partir de uma educação para a cidadania que consiga coibir o vício exacerbado da busca do poder e formar a consciência para a justiça e a solidariedade.
      Quanto à sociedade, através de suas organizações, precisa cumprir a missão de controlar, vigiar e exigir a reta atuação dos poderes públicos. Para isso, muito há de cooperar a crescente capacidade de mobilização popular unida às iniciativas em vista do bem comum. Nesse sentido, podemos entender a conveniência de que se regulamente, o quanto antes, o artigo 14 da Constituição, sobre plebiscito, referendo e iniciativa popular, que abre perspectivas de participação do povo.
      A mensagem da CNBB afirma a confiança no discernimento e firmeza da Presidência da República e demais instituições públicas. Acrescenta que a "parceria entre governo democraticamente eleito e a sociedade é fundamental para colocar o país no caminho da dignidade e respeitabilidade".
      Com efeito, a hora é de exercício consciente da cidadania no esforço conjunto não só para debelar a corrupção mas para promover um "mutirão pela ética" e contribuir para mudar a cultura política do país. Há sempre tempo para encontrarmos o rumo e colocarmo-nos a caminho com esperança. Essa é a expectativa de nosso povo, que aguarda e merece a união de todos e um programa de governo que dê prioridade a novas oportunidades de trabalho, à distribuição de renda e a melhores condições de vida.
      Devemos pedir a Deus que nos dê humildade e sabedoria para entendermos que a superação dos grandes desafios começa pela conversão pessoal.

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