Dia
mundial do refugiado
Dom Luciano Mendes de Almeida
Estamos todos convidados para,
no dia 20 de junho, responder ao clamor de 20 milhões de
refugiados nos diversos países do mundo.
É triste a situação
dos que deixam sua pátria forçados pela perseguição
de raça, de religião, de nacionalidade, de grupo
social e de opiniões políticas e que se sentem temerosos
e excluídos. Podemos constatar a extrema necessidade desses
seres humanos que perdem as próprias raízes e são
obrigados a fugir e a buscar asilo em outros países.
Para atender à necessidade
dessas populações sofridas, criou-se, em 1945, após
a Segunda Guerra, o Alto Comissariado das Nações
Unidas para Refugiados (Acnur). A iniciativa, que se destinava
a proteger as vítimas da guerra, acabou por tornar-se um
serviço permanente devido à dura realidade de conflitos
e perseguições intermináveis. Em 1951, foram
estabelecidos os direitos e deveres dos refugiados. Para a América
Latina, firmou-se, na Colômbia, a Declaração
de Cartagena, em 1984. O Brasil foi um dos primeiros países
a ratificar essa convenção. Atualmente, há
cerca de 3.000 refugiados no Brasil, provenientes de 52 países.
O escritório central da Acnur está em Brasília
e mantém convênio com os centros de acolhida das
Caritas Arquidiocesanas de São Paulo e do Rio de Janeiro,
que procuram abrigar os recém-chegados e cuidar de sua
integração no país.
Estamos diante de um fenômeno
que manifesta a desordem de valores que caracteriza tristemente
a trajetória da humanidade. Se, por um lado, crescem os
esforços para a democracia e o respeito aos direitos humanos,
ao mesmo tempo perseguem-se pessoas e grupos porque pertencem
a outra raça, religião ou partido político.
O drama dos refugiados foi definido pelo Papa João Paulo
2º como a "chaga vergonhosa de nossa época".
As análises da Acnur revelam que 75% dos desenraizados
são mulheres e crianças, vítimas indefesas
dos conflitos e perseguições e condenadas à
maior pobreza, atrocidades e sofrimentos.
Há casos extremos como
o do Afeganistão, que possui o maior número de refugiados
do mundo, com dois milhões de pessoas em 74 países.
Entre os principais países que dão asilo estão
o Paquistão (1,1 milhão de refugiados), o Irã
(985 mil), a Alemanha (960 mil), a Tanzânia (650 mil) e
os Estados Unidos (452 mil). Graças aos ingentes esforços
da Acnur, tem havido progressivos retorno à terra de origem
e estabelecimento definitivo nos países de acolhida. Na
América Latina, é dolorosa a situação
da Colômbia, onde, além de três milhões
de migrantes internos, obrigados a se dispersar para outras regiões
do país, 36 mil pessoas exilaram-se em 24 países
por causa da violência dos conflitos entre o Exército
nacional, grupos paramilitares e organizações guerrilheiras.
O Dia Mundial do Refugiado
é um apelo e um desafio à solidariedade. E se fôssemos
nós os expulsos da própria pátria? Temos
de nos reeducar para superar o individualismo e, diante de Deus,
abrir o coração para acolher os mais necessitados
em busca de uma pátria amiga e de um lar.
A árdua realidade dos
milhões de refugiados no mundo convida-nos, por analogia,
a refletir melhor sobre o padecimento dos brasileiros sem terra.
É hora de pedirmos a Deus, para nós e para nossos
governantes, luz, discernimento, amor e soluções
fraternas adequadas.
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