Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Notável
o preceito de Jesus sobre a prática da
vontade divina, pois, de fato, não basta
invocar o nome do Senhor, mas, mister se faz,
aderir, perseverantemente, aos preceitos do Ser
Supremo (Mt 7,21-27). Trata-se de um apelo de
uma ação cotidiana pautada na submissão
simples e humilde aos desígnios do Todo
Poderoso. Construção de uma existência
sobre uma rocha firme e inabalável. O modo
de agir fala mais alto do que palavras que edificam
sobre a areia movediça das paixões.
Verdadeiro cristão será sempre aquele
do qual se possa dizer que se percebe o que ele
é e não tanto o que ele fala.
O que se esquece muitas vezes é que a obediência
à vontade de Deus é mais importante
do que a pregação profética.
Não adianta ao cristão estar sempre
com o nome de Jesus nos lábios, mas sem
impregnar sua vida com os seus ensinamentos. O
ideal é que todos aqueles que caminham
ao lado dos que acreditam em Deus sem saber por
que, nem para que lado caminham, encontrem nas
obras do crente a luz e força suficientes
para acreditar na vida eterna. A verdadeira imagem
do Evangelho é apresentada pelos que o
vivem no cotidiano. Não se trata de impressionar
por palavras.
É pelos atos e sua extraordinária
eloqüência que as almas, sem perceber,
se deixam transformar pouco a pouco. Que se pudesse
dizer de todo cristão, vendo seu modo de
proceder: “Há nesta batizado alguém
que está vivo e que o estimula”.
O valor espiritual de um fiel, a influência
de sua irradiação dependem do grau
de realidade que Deus assumiu nele e isto se reflete
no menor gesto. É a maneira de operar o
que vale para a salvação própria
e do próximo. Ser apóstolo é
comunicar Cristo ao mundo, mas isto só
se concretiza pelo exemplo.
Os tijolos da fé que levam a uma construção
sólida são as obras que estão
inteiramente adequadas aos intentos divinos. Deus
detesta uma profissão de fé vazia.
As palavras não podem nunca substituir
os atos de cada instante. Não basta ser
cristão, é preciso atuar como cristão.
A grande mensagem de Cristo foi a perseverança
e o testemunho de vida. Autêntico discípulo
de Jesus é quem tem coragem de “dar
conta da esperança que nele habita”
(1 Pd 3,25).
Na monotonia do dia-a-dia, nos trabalhos mais
difíceis é preciso irradiar o otimismo,
a alegria de quem crê na palavra do Senhor.
Nunca foi cômodo ser fidedigno cristão.
Mister se faz combater um cristianismo meramente
tradicional. A cruz deve estar plantada no coração
da fé do batizado. Esta fé supõe
uma ruptura: renúncia aos ídolos
do momento, um rompimento com um pessimismo mórbido,
uma abdicação do pecado e de tudo
que leva ao mesmo. Hoje, como nunca, é
necessário resistir às ilusões.
Tudo isto significa conversão contínua.
Ter consciência do que representa ser católico,
nome que não pode ser banalizado. Pedro
foi franco ao se dirigir à comunidade primitiva
de Roma afirmando: “À maneira de
filhos obedientes, já não vos amoldeis
aos desejos que tínheis antes, no tempo
da vossa ignorância”. A exemplo da
santidade daquele que vos chamou, sede também
vós santos em todas as vossas ações,
pois está escrito: Sede santos, porque
eu sou santo (1 Pd 1, 14-16).
Cumpre haja uma raça de testemunhas de
Cristo destemida, que mostre a audácia
da diferença com relação
às falsidades mundanas. Mister se faz pedir
a Deus a graça da coragem para que se possa
testemunhar por palavras e obras que os critérios
de ordem técnica e financeira não
são sinônimos de felicidade; que
a violência é indigna do epígono
de Cristo; que a vingança é sempre
diabólica; que a instabilidade do amor,
entregue à imoralidade, não é
uma maneira cristã de agir. Com efeito,
“seja o vosso sim, sim; o vosso não,
não”, foi o que ensinou Jesus Cristo!
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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