Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O
dia do Papa vem recordar a importância do
Chefe Supremo do rebanho de Cristo, segundo a
ordem dada por Jesus a Pedro: “Apascenta
meus cordeiros, apascenta minhas ovelhas”
(Jo 21,15-16). Foi outorgada àquele apóstolo
a investidura do primado. Esta é, antes
de tudo, pastoral, conforme as palavras mesmas
de Jesus. A imagem, o poder, a solicitude do pastor
com todo o significado que tinha na linguagem
oriental-bíblica foi por Ele empregada.
Na verdade um provimento num cargo com poder supremo:
cordeiros e ovelhas.
Esta sua missão haveria de perdurar em
toda a História da Igreja, pois uma promessa
fora anteriormente feita: “E eu te declaro:
tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei
a minha Igreja; as portas do inferno não
prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).
Deste modo o Papa é a cabeça visível
da Igreja com jurisdição universal,
em virtude da qual todos os membros da grei de
Cristo estão sujeitos ao Vigário
do Redentor com obrigação verdadeira
e íntima.
Isto por que o Papa tem competência soberana
de magistério, de sacerdócio e de
guia do povo santo de Deus. Cabe a ele definir
todas as questões pertinentes à
fé, à moral e à disciplina
da Igreja. Torna-se assim o penhor da unidade
eclesial. São Cipriano assim se expressou:
“Uno é Deus, uno é Cristo,
una é a Igreja e una é a Cátedra
fundada pelas palavras do Senhor sobre a pedra
(Pedro). Cabe-lhe a conservação
da fé, da religião, da paz entre
os povos. Tudo isto supõe então
uma fidelidade inquebrantável ao Sumo Pontífice.
O espírito católico dos fiéis
se mede pelo grau de submissão à
autoridade da Igreja ao condenar o que ela condena
e ao tomar sua doutrina por norma de vida.
O Papa é exatamente o guardião do
dogma, evitando que o discípulo de Cristo
se perca nas trevas do erro. Defende também
a verdadeira ética, impedindo que os corações
se deixem entenebrecer nas veredas do mal. Depositário
dos princípios que fazem virtuosas as famílias
ele é o defensor invicto da indissolubilidade
do casamento, sem o qual o matrimônio perde
sua nobreza e dignidade. Deste modo combate o
divórcio, esta instituição
tão maléfica para a sociedade doméstica,
tão fecunda em desditas de toda a espécie,
tão favorável ao amor livre. Advogado
dos povos, reclama para eles a liberdade a que
têm direito.
É no mundo o incomparável paladino
da justiça, o infatigável propagador
da paz e da fraternidade. Toda luz que promana
de suas diretrizes, de seus documentos oficiais,
é benéfica para a dignidade da pessoa
humana, para as instituições, para
toda a humanidade. Através dos tempos os
papas se tornaram sempre arautos da cultura, luzeiros
da civilização. Quem caminha de
acordo com o Papa segue uma vereda segura. Um
dever elementar do católico é, então,
sua obediência filial ao Papa, cada um se
inteirando sempre das diretrizes que emanam de
Roma, estudando as Encíclicas nas quais
brilha uma sabedoria celestial.
As palavras do Papa devem encontrar sempre fiéis
dispostos a escutá-las e dóceis
em as cumprir. Os erros que ele denuncia são
os perigos a serem sempre temidos e combatidos
com todas forças. As práticas de
piedade que ele propõe são as mais
agradáveis a Deus, as mais saudáveis
e as mais oportunas. Uma meditação
profunda e detida dos documentos pontifícios
instrui, educa, ilumina as inteligências
e afervora os corações. Este proceder
alimenta um grande amor para com o Chefe da Igreja,
dileção que leva a preces fervorosas
por ele, sobretudo as que se fazem durante a Missa.
Quando Pedro estava preso em Jerusalém
a comunidade orou e veio um anjo e o libertou
(Atos 12,5-11). Além disto, na medida das
possibilidades de cada um, generosa deve ser a
contribuição para o Óbolo
de São Pedro neste dia do Papa. Colaborar
com o Óbolo de São Pedro é
participar da caridade do Papa para com os mais
pobres da terra. Foi desta ajuda, que Bento XVI
fez uma doação, quando visitou aqui
no Brasil a Fazenda Esperança, em Guaratinguetá,
onde se trabalha pela recuperação
de drogados, salvando vidas.
Tal oferta foi resultado das doações
dos católicos. O atual Papa Bento XVI assim
se expressou: “O único objetivo da
Igreja, é servir ao ser humano, inspirando-se,
como norma suprema de conduta, nas palavras e
no exemplo de Jesus Cristo, que passou fazendo
o bem e curando a todos”. Tudo isto merece
ser refletido e aprofundado.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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