HISTÓRICO
ORGANIZAÇÃO
DOM GERALDO
TRIBUNAL ECLESIÁSTICO
SEMINÁRIO
MUSEU
ÓRGÃO DA SÉ
PJ MARIANA
RÁDIOS
FOLHINHA DE MARIANA
GRÁFICA DOM VIÇOSO
 
Regiões
Arquidiocesanas
 

Centro
 

Norte
 

Leste
 

Oeste
 

Sul
 
 

VOCÊ É O NOSSO
VISITANTE Nº:

 

 
 
ARREPENDER-SE E CRER


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

    Cristo mostrou o liame profundo entre o arrependimento e a fé ao narrar a parábola dos dois filhos: um que diz acatar a ordem do pai para trabalhar na vinha, mas não foi; o outro, afirmou que não queria ir, “mas depois arrependeu-se e foi” (Mt, 21-32). O grande entrave para a aceitação das verdades reveladas são as paixões, dado que é mais fácil negar os magnos princípios éticos da Bíblia do que uma mudança radical de uma vida viciosa para uma existência segundo os preceitos divinos.
    Entretanto, já o profeta Davi proclamara: "Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, não haveis de desprezar" (Sl 50,19). Antes, o mesmo Davi assim se expressara: "O Senhor está perto dos contritos de coração, e salva os que têm o espírito abatido" (Sl 33,19). Lemos no profeta Isaías: "Fui eu quem fez o universo, e tudo me pertence, declara o Senhor. É o angustiado que atrai meus olhares, o coração contrito que teme minha palavra" (Is 66,2).
    Trata-se da autêntica metanóia, ou seja, da transformação fundamental de pensamento e de caráter, integral conversão espiritual. Era esta a pregação de João Batista: “Arrependei-vos porque o reino dos céus está próximo” (Mt 3,2). Jesus então afirmou que muitos publicanos e meretrizes creram nesta advertência do Precursor e se arrependeram e se converteram, sendo admitidos no Reino de Deus. Sem a compunção é impossível uma vida nova, de salvação, de ingresso na amizade divina. Na patrística rebrilha este ensinamento.
    Assim, por exemplo, quando interrogaram ao Abade Milésios o que ele fora fazer no deserto ele respondeu: “Sou um homem pecador e vim chorar meus pecados”. Trata-se de um posicionamento espiritual que cumpre acompanhe todas as horas da vida do verdadeiro cristão. Nenhum pecador que manifeste pesar profundo pelo seus erros e, em conseqüência, modifica seu comportamento e vai até o sacramento da confissão, deixará de ser perdoado pelo Todo-Poderoso. Sobretudo no contexto atual, quando há uma torrente de mensagens contaminadas pelo espírito das trevas, difundidas pelos meios de comunicação social o arrependimento se torna ainda mais necessário.
    Com efeito, muitos são aqueles que se deixam enredar nas tramas diabólicas disseminadas pela imprensa falada e escrita, entregando-se a faltas morais, mas também porque tantas vezes há a omissão em não se condenar o que bate com os ensinamentos divinos ou mesmo pode ocorrer uma certa condescendência no íntimo do coração com o erro veiculado. É certo que neste último caso, quando não há plena advertência da consciência e plena adesão ao mal, não ocorre o pecado, mas há sempre um rastilho de culpabilidade por menor que seja e que deve ser objeto de remorso.
    É neste sentido que São João afirmou: “Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, Deus aí está, fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade (1 Jo 8-9). No verdadeiro sentido do termo, o arrependimento, porém, não é uma crise de pesar e de aniquilamento pessoal. O espírito novo do pecador arrependido é algo positivo e não negativo. São João Clímaco mostrou que “o arrependimento é filho da esperança e a renúncia de todo desespero”.
    Não se trata de desalento, mas de atitude corajosa, ardente de quem vai caminhar para frente e não se deixa enredar num impasse. É um impulso para as veredas luminosas do bem e não um ódio a si mesmo, mas a afirmação do próprio eu, criado à imagem e semelhança de Deus e que das trevas passa à luz, do erro à verdade, da morte à vida. Arrepender-se é deixar para trás as falhas e olhar para o alto, para a infinita misericórdia do Ser Supremo. Do lamentar-se daquilo que foi a negação de seu ser de batizado se parte para se tornar um outro ser renovado pela graça de Cristo. Eis por que neste sentido a compunção se torna um ato permanente.
    O momento de conversão é importante, mas a perseverança é fundamental e deve perdurar sempre. Deste modo, o arrependimento é uma iluminação, uma passagem da obscuridade para a luminosidade. Arrepender-se é não ficar apenas no crepúsculo, mas se imergir na aurora do amor de Deus, numa abertura para as realidades que se darão um dia. O cristão se acha convencido de que o Reino celeste, para o qual o Pai o convidou, está dentro de cada um. Tudo então se transforma para o pecador arrependido que passa a viver a vida nova da graça divina.
                                 

* Professor no Seminário de Mariana - MG

<- Volta a página principal ->


 

 

 

 

 
DACOM - Departamento Arquidiocesano de Comunicação - Rua Dom Silvério, 51 - Centro - Mariana/MG
Cep:35420-000 - Tel: (31) 3557-3167 Cel: (31) 8663-8315 - dacom@uai.com.br / jornalpastoral@yahoo.com.br