JESUS, MÉDICO DIVINO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Jesus
manifestou-se como um médico divino. Diz São Mateus
que Ele “percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas
sinagogas, pregando a boa-nova do reino e curando todas as doenças
e todas as enfermidades no meio do povo” (Mt 4,23). Ele sana os
males do corpo e da alma. De plano, é preciso considerar
que a imperturbabilidade, a tranqüilidade, a serenidade são
decisivas para o bom funcionamento orgânico e a doutrina
do Evangelho comunica este estado de espírito, donde se
pode afirmar que a doutrina de Jesus é uma terapia sublime.
Inúmeras
as curas físicas operadas pelo Redentor na sua peregrinação
terrestre. Quem, porém, observa as circunstâncias
destes prodígios capta algumas condições
básicas que permitiam a este Médico divino agir.
Em primeiro lugar, o desejo da cura bem expresso. Aos dois cegos
de Jericó que clamavam compaixão ele indagou o que
parecia óbvio: “Que queres que vos faça”? Responderam-lhe:
que se nos abram os olhos! (Mt 20,32). Pediram e claramente verbalizaram
a solicitação. É preciso sempre pedir a cura
com fé. A muitos Cristo falou: “Vai tua fé te salvou”
(Mc 10,52). Quem obtém a cura celestial, deve, contudo,
ser grato e trilhar ainda mais os caminhos do Evangelho.
A um miraculado ele disse: “Eis que ficaste são; já
não peques, para não te acontecer coisa pior"
(Jo 5,14). No que tange à alma, realmente, Cristo liberta
da tristeza, a qual é sempre o desejo de um bem ausente.
Todo ser humano almeja a felicidade, a verdade, a paz, o amor.
Este estado de alma é uma nostalgia que dá desventurado
ritmo a tantas vidas, extenuando e se tornando, por vezes, um
peso insuportável. O Filho de Deus, porém, asseverou:
“Vinde a mim vós todos que estais afadigados e sobrecarregados
e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28). No convívio diário
falta, tantas vezes, o diálogo. Apesar de se viver na era
da comunicação nunca houve tanto isolamento.
De fato, muitos são os que se fecham em si mesmos e se
postam diante da televisão e pouco ligam para com os que
estão a sua volta. Até as refeições
em comum desaparecem, dado que cada um faz seu prato e se manda
para seu quarto para ver seu programa predileto. Não há
abertura para o outro. Cristo, contudo, é a Palavra eterna
de Deus que estabeleceu um diálogo permanente com o ser
pensante e pregou a luta contra o egoísmo, o individualismo.
Ele faz mudos falarem e surdos escutarem. Por isto mesmo liberta
da solidão. Cumpre uma medicina divina para que haja uma
abertura para o outro.
Adite-se que quem se aproxima de Jesus jamais se sente só
e abandonado. Ele, além disto, leva ao interesse para com
os outros, curando o mal do egocentrismo. Quando alguém
se dirige a Jesus e não obtém logo o que solicita
para o soma ou para o psíquico deve perseverar na petição,
dado que o tempo de Deus não é o tempo dos homens
e só Ele sabe o que é melhor para cada um, mesmo
porque a doença ou a tribulação espiritual
podem ser momentos de purificação, de santificação.
Aliás, em todas as circunstâncias deve estar implícito:
“Seja feita a vossa vontade”. O que, entretanto, deve alicerçar
nossa confiança neste Médico divino, é sua
incontestável competência.
Nenhuma doença por grave que seja resiste jamais ao seu
poder terapêutico. Ao contrário dos outros médicos,
Cristo não se contenta em prescrever algum remédio,
mas é Ele mesmo o antídoto e a saúde. A cura
por excelência de todo batizado consiste em receber no seu
íntimo o Verbo de Deus que se fez carne e que prometeu
a vida eterna na qual todos os males desaparecerão: "Quem
come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu
o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,54). Trata-se
da participação na sua própria natureza divina,
vitoriosa sobre o mal supremo que é a morte.
A figura de Jesus, Médico divino, está no coração
da teologia de Santo Agostinho que assim se dirigiu a Cristo :
“Tu és o médico, eu sou o doente; tu és a
misericórdia eu sou a miséria”. Curai-me, Senhor,
de todos os males do corpo e da alma, deve ser sempre uma ardente
prece !
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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