Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Cristo
narrou a parábola do joio e do trigo, a
semente má e a semente boa (Mt 13, 24-30).
A semente boa é palavra de Deus transmitida
pelo sacerdote quando fala em nome de Cristo na
cátedra sagrada, no confessionário
ou nos instantes de aconselhamento espiritual.
Nestes momentos Cristo se torna a luz para as
inteligências, Ele que na Eucaristia é
o alimento das almas. Esta palavra está
contida na Bíblia Sagrada, a carta magna
do Criador aos homens. Aí Deus diz ao ser
racional quem Ele é e o que espera de cada
um. É o grande dom divino de valor inestimável.
A leitura assídua da Bíblia orienta,
modifica o coração, esclarece a
inteligência, sustenta toda vida do crente.
Esta palavra é encontrada ainda neste resumo
valioso, nesta suma doutrinária, nunca
demasiadamente apreciada e recomendada que é
o catecismo. Livrinho precioso que sintetiza admiravelmente
os pontos basilares da fé. Ele é
o fundamento, o alicerce da vida religiosa. Estudá-lo,
recordá-lo é entrar em contato com
o verbo poderoso de Deus.
Palavra divina é a que nos vem de Roma,
do representante de Cristo, do chefe supremo da
cristandade. Para cada época Cristo tem,
por meio de seu lugar-tenente, uma orientação
apropriada, atualizada. Firme na doutrina, humano
nas perspectivas que apresenta, o Papa está
sempre atento às necessidades dos povos
e de cada cristão. Não é
ele quem fala é o próprio Deus.
Donde o acatamento, a veneração
por estas diretrizes que chegam a cada epígono
do Redentor, revelando o que naquele momento histórico
cumpre seja feito para o bem do mundo, para a
salvação das almas, para a difusão
do Evangelho. Nos periódicos católicos
está borbulhante a palavra celeste, também
transmitida pelas rádios, pela televisão,
pela internet.
É por isto que é uma obrigação
do discípulo de Cristo assinar as publicações
católicas, apoiando a boa imprensa. Lido
o jornal ou a revista, belíssimo apostolado
é levá-los aos outros, espalhando
por toda parte a boa semente que converte, que
aprimora, que dirige.
O apoio aos programas radiofônicos ou televisivos
de cunho religioso não apenas devem merecer
especial acatamento, como ainda ser objeto de
divulgação. No entanto, tantas vezes
programas profanos são avidamente assimilados,
até mesmo com grave prejuízo espiritual.
A palavra de Deus é transmitida ainda pelos
pais, que são os lídimos representantes
do Altíssimo junto dos filhos. Sobretudo
os ternos, meigos, afetuosos ditos que jorram
tão espontâneos e naturais, tão
fáceis e humanos dos lábios de uma
piedosa mãe.
Não há dúvida de que se os
filhos, ainda que adultos, escutassem com mais
atenção os conselhos de suas santas
genitoras; se eles se impregnassem, se envolvessem
nas profundas lições que do escrínio
do amor materno lhes advêm, haveria ainda
mais piedade e religião no mundo, muitos
erros seriam evitados. Deus fala, outrossim, intimamente
a cada ser racional pela voz clara, penetrante
da própria consciência. Esta voz,
por vezes, é amarga como o fel, acre como
absinto, cortejada do remorso mais terrível.
É o que ocorre depois de um dia mal vivido.
É o que muitos escutam quando cedem ao
pecado. Voz sagrada que, outras vezes, é
doce e suave seguida da alegria mais esfuziante.
Isto se dá após uma confissão
sincera, uma oração fervorosa, ou
quando o mal foi evitado. Portador da palavra
divina é ainda a consciência quando
se percebe o estímulo, o chamado, o apelo,
o incitamento da graça para a perfeição,
para a santidade. Momento sublime do recado de
Deus.
Este, querendo um sacrifício purificador,
ou o socorro eficaz ao pobre que sofre, ou a visita
a algum enfermo, ou alguma outra atitude nobre
e benfazeja. Deus, portanto, de muitos modos lança
a sua semente nos corações humanos.
O problema é dar condições
para que esta possa germinar e dar frutos opimos.
Isto supõe disponibilidade, mas o resultado,
porém, é uma messe promissora.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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