Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Cristo,
através de poéticas comparações
quis incutir a mais absoluta confiança
na Providência divina (Mt 6,24-34). Esta
virtude, ensinada em toda a Bíblia, foi
magistralmente doutrinada pelo Mestre dos mestres
que preceituou: "Portanto vos digo: não
andeis preocupados com a vossa vida, pelo que
haveis de comer; nem com o vosso corpo, pelo que
haveis de vestir" (Lc 12,22). No Antigo Testamento,
assim se dirigira o salmista a Javé: "Tende
piedade de mim, ó Deus, tende piedade de
mim, porque a minha alma em vós procura
o seu refúgio. Abrigo-me à sombra
de vossas asas, até que a tormenta passe"
(Sl 56,2).
Afiançara o Eclesiástico que quem
confia em Deus não será nunca decepcionado
(Ecl 32, 24). O Livro dos Provérbios ensinara:
"Confia teus negócios ao Senhor e
teus planos terão bom êxito"
(Pr 16,3). O profeta Jeremias proclamara: "Bendito
o homem que deposita a confiança no Senhor,
e cuja esperança é o Senhor"
(Jr 17,7). Com efeito, “os que confiam no
Senhor (são firmes) como o monte de Sião
que não é abalado, permanecendo
para sempre” (Sl 125 [124], 1).
Daniel asseverara também que jamais são
confundidos os que confiam em Deus (Dn 3,40).
Se assim era no Antigo Testamento, com a vinda
de Cristo a esta terra a virtude da confiança
ficou ainda mais embasada, porque as manifestações
do Coração do Filho de Deus e suas
palavras incutiram a mais total segurança.
Tanto isto é verdade que São Paulo
pôde declarar: “Sei em quem pus minha
confiança, e estou certo de que ele é
poderoso para guardar o meu depósito até
este dia” (2 Tm 1,12). Aos seus discípulos
Jesus declarou: “Tende confiança,
não temais” (Mt 14,27). Ao proferir
esta assertiva o Salvador mostrou o resultado
faustoso desta disposição interior,
a saber, a ausência do medo, da intranqüilidade,
da incerteza, de qualquer tipo de fobia. É
que a confiança gera uma convicção
profunda, inabalável naquele que tudo pode
e tanto ama suas ovelhas.
Imperturbável transcorre então a
existência de quem deposita no Ser Supremo
todas as suas preocupações. Ainda
que em seu derredor se amontoem as ruínas
de sua felicidade, quem confia no Pai e naquele
que Ele enviou a este mundo permanece na serenidade
mais inebriante, na mais total imperturbabilidade.
Firmeza interior confere esta virtude e, então
se podem repetir os dizeres de São Paulo:
“Eu estou certo que nem a morte, nem a vida,
nem os anjos, nem a força, nem a altura,
nem a profundidade, nem outra criatura nos poderá
separar do amor de Deus, que está em Jesus
Cristo Nosso Senhor (Rm 8,38).
Quem confia em Deus apoia-se nele com tanto maior
segurança quanto mais precários,
frágeis e insuficientes são os auxílios
humanos. Nas estradas da vida, muitas vezes repletas
de imprevisíveis contratempos, quando nuvens
negras lançam suas tenebrosas sombras,
obscurecendo as mais lisonjeiras perspectivas,
a confiança no Salvador faz atravessar
potente seu raio de luminoso alento, envolvendo
o ser em fagueiras expectativas, mimoseando-o
com íntimo e beatífico sossego.
Aquele que está enfocado na Providência
do Onipotente degusta sua infinita misericórdia
e dulcíssima bondade.
Sabe que Ele intervirá nos instantes mais
desesperadores e sustentará aquele que
nele confia. Se Jesus afirmou: "Sem mim nada
podeis fazer" (Jo 15,5) é óbvio
que com Ele tudo é possível. É
esta certeza que, na luta cotidiana contra o mal
físico e moral, outorga ao cristão
aquela tranqüilidade interior que o faz imbatível.
Cristo que vaticinou aos seus epígonos:
“Haveis de ter aflições no
mundo”, logo acrescenta: “Coragem!
Eu venci o mundo" (Jo 16,33).
É por isto que ele declarou: "Vinde
a mim, vós todos que estais aflitos sob
o fardo, e eu vos aliviarei" (Mt 11,28).
A confiança em Deus e no Coração
de seu divino Filho é assim estrela luminosa
que guia sempre para os páramos beatíficos
da eutimia, porque está sempre a mostrar
o Senhor carinhoso e todo poderoso.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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