HISTÓRICO
ORGANIZAÇÃO
DOM GERALDO
TRIBUNAL ECLESIÁSTICO
SEMINÁRIO
MUSEU
ÓRGÃO DA SÉ
PJ MARIANA
RÁDIOS
FOLHINHA DE MARIANA
GRÁFICA DOM VIÇOSO
 
Regiões
Arquidiocesanas
 

Centro
 

Norte
 

Leste
 

Oeste
 

Sul
 
 

VOCÊ É O NOSSO
VISITANTE Nº:

 

 
 
JESUS E A SAMARITANA


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

    Note-se de início que Jesus tem um colóquio com a Samaritana perto de um poço (Jo 4, 5-42). No Antigo Testamento encontros famosos se deram em idênticas circunstâncias e sempre referentes às Bodas, ao casamento.
    Eram prefigurativos das Bodas da Nova Aliança. Assim, o poço onde o servidor de Abraão depara com a futura esposa de Isaac (Gên 24); o poço diante do qual Jacó se defrontou com Raquel sua futura mulher (Gên 29); Moisés também se vê defronte da filha de Jétro nos poços de Madian (Êx 2,16).
    Cristo se assenta junto do poço de Jacó e se dá outro impressionante encontro, pois a Samaritana que se aproximou para tirar água, havia rompido as Bodas com seu marido e vivia uma vida irregular. Ela seria convertida. Mais ainda, Jesus dá a lição da água viva que dessedenta para sempre, sendo que seu seguidor se tornará uma benéfica nascente de água jorrante. Pedagogo divino, Cristo ministra um ensinamento precioso sobre o verdadeiro sentido da água.
    Esta será o elemento para o Sacramento do Batismo que Ele haveria de instituir. Água batismal, sinal do novo nascimento que possibilitará a entrada na Casa do Pai. Isto não só para Israel, mas para toda a Samaria, para o mundo inteiro. A Campanha da Fraternidade deste ano intenta conscientizar o valor da vida. Ora, a água é vida, como ensina a Bíblia.
    Os nômades no deserto sabiam, que se não houvesse água para beber eles morreriam. O povo de Deus sentiu intensamente esta necessidade na sua caminhada até o Sinai. Dirigiram-se Moisés: “Dá-nos água para beber”. O local ficou conhecido como “Massá e Meribá”, em razão da querela dos filhos de Israel que haviam tentado o Senhor, o qual, em seguida, fez jorrar água da rocha do Horeb.
    O Profeta Isaías em várias passagens se refere a este líquido precioso e afirma: "Vós tirareis com alegria água das fontes da salvação" (Is 12,3), água refrigerante e vivificante, símbolo não só de uma salvação material, mas também de uma regeneração mais elevada. A água era sinal dos tempos messiânicos, da abundância, da fertilidade, da transformação dos desertos em terrenos ubertosos.
    Outro aspecto interessante deste encontro de Jesus com a Samaritana é a quebra de vários tabus, causando admiração aos circunstantes. Primeiro o fato de Cristo estar falando com uma mulher, o que, em público, não era comum entre os judeus e isto provocou a surpresa dos discípulos. Antes, a própria Samaritana se espantou pelo fato de um judeu lhe ter dirigido a palavra, uma vez que eram povos que não se comunicavam entre si. Ela também ficou espantada por ter Jesus falado na água viva e não ter nenhum instrumento para a retirar de um poço tão fundo como aquele.
    Tudo isto foi registrado pelo Evangelista para mostrar que, com a vinda do Messias, uma nova ordem seria instalada neste mundo, o que, mais tarde, São Paulo assim sintetizou: "Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito" (1Cor 12,13).
    A água viva que os discípulos de Cristo receberiam seria a vida da graça através dos sacramentos que jorrariam de seu lado aberto no alto da Cruz. Jesus seria o promotor e o referencial de uma salvação universal daqueles que cultuariam a Deus não somente em Jerusalém, como os judeus, nem apenas no monte Garizim, como os samaritanos, mas adorariam a Deus em espírito e verdade. Se Jesus, porém, quebra preconceitos e direciona o culto divino, ele também firma princípios.
    Ele que reconstituiria o matrimônio na sua prístina dignidade, revela à Samaritana que ela vivia uma vida irregular, já tendo tido cinco maridos. Jesus proclamará a respeito do casamento: “Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu" (Mt 19,6).
    Até a insistência dos discípulos para que Jesus se alimentasse é mais um detalhe para que Ele demonstre que o seu alimento era, enquanto homem, fazer a vontade do Pai. Ele viera para salvar almas e grande era o seu júbilo interior por ter convertido uma pecadora.
    Deste modo, João Evangelista, “o teólogo”, sabia expor a doutrina de Cristo em trechos vivos com diálogos e detalhes que convidam a penetrar sempre fundo nos mistérios de Jesus, impregnando cada um sua vida com suas mensagens redentoras.

                                  

* Professor no Seminário de Mariana - MG

<- Volta a página principal ->


 

 

 

 

 
DACOM - Departamento Arquidiocesano de Comunicação - Rua Dom Silvério, 51 - Centro - Mariana/MG
Cep:35420-000 - Tel: (31) 3557-3167 Cel: (31) 8663-8315 - dacom@uai.com.br / jornalpastoral@yahoo.com.br