Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
No
Evangelho de São João lemos que
"Pilatos redigiu também uma inscrição
e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito:
Jesus de Nazaré, rei dos judeus" (Jo
19,19). Jesus é rei! Nos arquivos dos povos,
nos arcanos das gentes, nos registros das nações,
não se depara frase tão bela. Percorram-se
as formosas expressões hieroglíficas.
Perquiram-se os famosos ditos em caracteres cuneiformes.
Vejam-se os lindos versos gregos ou romanos, gravados
na pedra, no mármore, nos metais. Percorram-se
as mais notáveis inscrições
dos túmulos, famosos que sejam os heróis
aí sepultados. Não se encontrará
após tal pesquisa, título mais belo
e verídico a sintetizar fulgurosamente
verdade grandiosa que compendia toda a história
humana. Forjado embora na irrisão ele encerra
a mais fúlgida das realidades.
Do Calvário o império de Cristo
iria estender por toda a terra. Aliás,
lá o Centurião já proclamava
sua divindade: “Este era verdadeiramente
o Filho de Deus” (Mc 15,39). Ele reinou
do alto do madeiro, como canta a Liturgia da sexta-feira
santa. Jesus Nazareno é rei! Dezenove séculos
depois a magna verdade foi proclamada novamente
pelo papa Pio XI. Este contemplou o fenômeno
maravilhoso de um reinado na inteligência,
na vontade e no coração do homem,
por ser Jesus a própria verdade, a própria
bondade e o oceano imenso de amor.
Reinado a se espalhar por toda a sociedade, não
só misticamente, silenciosamente no íntimo
de cada alma humana, mas ainda visivelmente, de
maneira pública, inspirando os governos,
os chefes de Estado, informando as leis, dando
seu espírito às artes, penetrando
as universidades, as escolas, falando pela boca
dos magistrados. Honras públicas de todas
as nações. Rei da História,
fato de novo proclamado por Pio XII. Este, profeticamente,
mostrou a influência decisiva de Cristo
a enfronhar um novo modo de vida que raiava, uma
esperança fagueira para novos dias. Reinado
de verdade e de vida, de santidade e graça,
de justiça, de amor e de paz, como reza
o prefácio da Missa da festa de Cristo-Rei.
O papa João Paulo II também exaltaria
este Rei em inúmeros documentos e com uma
profundidade admirável, ensinou: “O
Reino de Deus não é um conceito,
uma doutrina, um programa sujeito a livre elaboração,
mas é, acima de tudo, uma Pessoa, que tem
o nome e o rosto de Jesus de Nazaré, imagem
do Deus invisível”. Bento XVI recordou::
“A missão da Igreja ontem, hoje e
sempre: anunciar e testemunhar Cristo-Rei, para
que o homem, cada homem, possa realizar plenamente
sua vocação” Esta realeza
foi solenemente proclamada no alto da Cruz: Jesus
é Rei! Rei dos judeus, porque Jesus de
Nazaré é o primeiro dentre os de
sua nobre raça, dentre os mais ilustres
de seu ilustre povo, dentre os que se tornaram
célebres na história de Israel.
Ele mesmo proclamou sua supremacia sobre Abraão
que anelava por ver o seu dia. Sua sabedoria e
seu poder ofuscaram a Jacó, Moisés,
Josué, Salomão. Profetas famosos
preparam-Lhe a vinda. Ele é, de fato, Rei
dos Judeus ante quem se curva todo o Antigo Testamento.
Nós nos ufanamos por ter como nosso Chefe,
nosso Guia, nosso Rei, um que pertenceu ao povo
eleito, ao povo escolhido.
O próprio Cristo afirmara à samaritana:
"Vós adorais o que não conheceis,
nós adoramos o que conhecemos, porque a
salvação vem dos judeus" (Jo
4,22). Nosso Rei é Jesus, Rei dos judeus,
Rei de todos os povos, dado que Ele a todos resgatou,
como profetizara Isaías: "Todo homem
verá a salvação de Deus"
(Lc 3,6). Neste dia de Cristo-Rei cumpre se recorde
sua ordem que contém faustosa promessa
numa mensagem sublime: "Tomai meu jugo sobre
vós e recebei minha doutrina, porque eu
sou manso e humilde de coração e
achareis o repouso para as vossas almas"
(Mt 11,29).
Com a multidão que o aclamou na sua entrada
solene em Jerusalém digamos hoje do fundo
do coração: "Bendito o rei
que vem em nome do Senhor! Paz no céu e
glória no mais alto dos céus!"
Com toda a Igreja em festas proclamemos: “Cristo
vive, Cristo reina, Cristo impera”!
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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