Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A
ordem de Jesus foi esta: “Não tenhais
medo” (Mt 10,26-33). Deste modo ele fundamentou
a coragem cristã diante “dos que
matam o corpo, mas não podem matar a alma”.
Seu discípulo enfrenta neste mundo inúmeras
dificuldades, mas dá testemunho destemido
da verdade, sempre confiado na misericórdia
do Pai. Cumpre sempre ao cristão imitar
os apóstolos que "com grande coragem
davam testemunho da ressurreição
do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça"
(At 4,33).
Isto supõe uma luta contínua, pois
Cristo asseverou: "Referi-vos essas coisas
para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis
de ter aflições. Coragem! Eu venci
o mundo"(Jo 16,33). São Paulo conclamou
então aos Coríntios para, com destemor,
jamais recuar diante do erro, mas dar por toda
parte testemunho do Evangelho: "Por isso
não desanimamos deste ministério
que nos foi conferido por misericórdia"
(2 Cor 4,1). O seguidor do Redentor sabe que o
bem é que triunfará sempre, não
obstante o ruído que o mal faz para aparecer.
Não se intimida, não se abate perante
os corifeus das imoralidades, dos crimes. O Apóstolo
Paulo afirmou que Deus é aquele que fez
brilhar a sua luz em nossos corações,
para que irradiássemos o conhecimento do
seu esplendor, “que se reflete na face de
Cristo. Porém, temos este tesouro em vasos
de barro, para que transpareça claramente
que este poder extraordinário provém
de Deus e não de nós. Em tudo somos
oprimidos, mas não sucumbimos.
Vivemos em completa penúria, mas não
desesperamos. Somos perseguidos, mas não
ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não
somos destruídos” (2 Cor 4, 6-8).
A energia do cristão vem da certeza de
que, combatendo o bom combate, firme na crença
da vida eterna, um dia terá uma grande
recompensa no céu: “Animados deste
espírito de fé, conforme está
escrito: Eu cri, por isto falei (Sl 115,1), também
nós cremos, e por isso falamos. Pois sabemos
que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos
ressuscitará também a nós
com Jesus e nos fará comparecer diante
dele convosco” (2 Cor 4, 13-14).
Deste modo, quem é batizado, covardemente,
não se cala perante o desprezo da lei divina
e abomina os programas pornográficos da
televisão, dos filmes, da internet, da
imprensa a serviço do espírito infernal.
O mesmo Apóstolo nos lembra: “Tenho
para mim que os sofrimentos da presente vida não
têm proporção alguma com a
glória futura que nos deve ser manifestada"
(Rm 8,18). É idêntico o pensamente
de São Pedro: "O Deus de toda graça,
que vos chamou em Cristo à sua eterna glória,
depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará,
vos tornará inabaláveis, vos fortificará"
(1Pd 5,10).
Por tudo isto é preciso vencer os temores
dos homens, das circunstâncias da vida e,
até, o medo de si mesmo. Há pessoas
que têm receio de tudo e de todos. Cumpre
crer firmemente em Deus. Aqueles que vivem temerosos
de perseguições humanas pensem também
no que está na Carta aos Hebreus: “O
Senhor é meu auxílio; não
temerei o que me possa fazer o homem!” (Hb
13,6). Feliz aquele que tem em Jesus seu único
refúgio, pois apartará para longe
qualquer tipo de fobia.
Uma flutuação existencial que não
leva a nada pode ser vencida com a melhor de todas
as terapias que é a total entrega a Deus.
O que o psicologismo não cura, a fé
em Deus sara. Árdua tarefa conviver com
os temores, sobretudo aqueles que apresentam uma
sensibilidade psicológica especial, desestabilizada,
mas que necessitam de paciência, centrada
sobre a realização emocional de
si próprio.
Deste modo se perceberá que Jesus oferece
algo de sólido que deve ser um ponto de
ancoragem emocional estável.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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