Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O
Papa, sucessor de Pedro, sendo o bispo de Roma,
é por delegação de Cristo
o Pastor universal de toda a Igreja. Por isso
sua Catedral, que se chama São João
de Latrão está dedicada a São
João Batista e a São João
Evangelista, e consagrada a Jesus, o Salvador
da humanidade, simbolizando toda a Igreja Católica.
É esta a festa que se celebra dia nove
de novembro: a dedicação da Basílica
de São João de Latrão, que
é, como está escrito no seu pórtico:
"Mãe e cabeça de todas as igrejas
de Roma e do mundo". Nela realizaram-se cinco
concílios ecumênicos nos anos de
1123,1139,1179,1215, e 1512.
Trata-se
de um templo, construído no século
IV, logo após o término das perseguições
do Império Romano, e recorda para os cristãos
todas as demais igrejas edificadas através
dos tempos e em todos os lugares do mundo. Relembra
a doutrina da instituição da Igreja
pelo Redentor, afim de congregar na unidade, sob
a orientação de Pedro e de seus
sucessores, todos os batizados até o fim
da História humana e recorda a mensagem
da importância do templo, onde cada comunidade
é chamada por Deus para lhe prestar o devido
culto.
A Bíblia ressalta a importância dos
lugares sagrados. Na época de Salomão
se ergue o templo de Jerusalém para os
sacrifícios de louvor a Deus através
de sacerdotes e levitas. Este templo foi incendiado
e destruído em 586 pelos babilônios,
mas, depois da volta do cativeiro, foi reconstruído
e, posteriormente, reformado por Herodes Magno,
sendo destruído no ano de 70.
Célebre a passagem do Evangelho na qual
Jesus patenteia o respeito devido à Casa
do Pai. Ele entrou no templo e expulsou dali todos
aqueles que profanavam o lugar santo: “Derrubou
as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes
de pombas" (Mt 21,12). Seus discípulos
se lembraram do que está escrito: “O
zelo por tua casa me devorará” (Sl
69,10) (Jo 2,16-17). Ao expulsar tais vendilhões,
registra ainda o evangelista: “E ensinava-lhes
nestes termos: Não está porventura
escrito: A minha casa chamar-se-á casa
de oração para todas as nações
(Is 56,7)? Mas vós fizestes dela um covil
de ladrões (Jr 7,11)".(Mc 11,17).
Foi a partir do Edito de Milão em 313 que
se multiplicaram os edifícios consagrados
ao culto cristão para a celebração
da Eucaristia e o anúncio da Palavra de
Deus. À luz da fé a arquitetura
religiosa atingiria uma culminância maravilhosa
nas famosas catedrais medievais, ressaltando deste
modo o valor do templo cristão. É
de se notar, porém, que Cristo, além
ensinar a reverência à igreja, espiritualizou
tal atitude ao comparar seu corpo ao santuário
divino, profetizando sua ressurreição:
"Destruí vós este templo, e
eu o reerguerei em três dias" (Jo 2,19).
Por isto ele transformou os seus seguidores em
pedras vivas de uma construção da
qual ele é a pedra angular. Para São
Paulo cada batizado é uma igreja viva:
"Ou não sabeis que o vosso corpo é
templo do Espírito Santo, que habita em
vós, o qual recebestes de Deus e que, por
isso mesmo, já não vos pertenceis?"
(1Cor 6,19). O Apóstolo demonstra então
que tal realidade deve ser levada a sério
sob pena de terrível conseqüência:
“Se alguém destruir o templo de Deus,
Deus o destruirá. Porque o templo de Deus
é sagrado - e isto sois vós"
(1Cor 3,17).
Cumpre ornamentar esta morada da Trindade Santa
com todas as virtudes, aumentando cada vez mais
a participação na vida divina, recebida
no Batismo através da graça santificante.
Além disto, a solenidade da Basílica
de Latrão deve desenvolver um profundo
amor à Igreja, “Mãe e Mestra”,
coluna e sustentáculo da verdade".
(1Tm 3,15), sinal e instrumento. universal de
salvação. Bento XVI lembrou que
nossa “comunhão eclesial” nasce
do amor a Cristo e à sua Igreja.
E tal amor pode ser aprendido só na intimidade
com o próprio Cristo, presente na Eucaristia
e escondido na palavra pregada pelos Apóstolos”.
Tudo isto deve ser refletido ao ensejo da solenidade
da Dedicação da Basílica
de Latrão.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
<- Volta a página principal ->
|