A SAGRADA FAMÍLIA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O
Verbo Eterno de Deus que se encarnou formou uma família
com Maria e José. A vocação destes pais privilegiados
foi proteger o Menino Jesus. Unidos intimamente à vontade
do Pai, graças a esta docilidade, a Mãe do Salvador
e seu Pai adotivo puderam cumprir generosamente a tarefa que a
Providência divina lhes confiou. Donde se fazerem modelos
para toda família humana numa perfeita união com
a Trindade Santa. Submissos às ordens do Pai, atentos às
mensagens do Espírito Santo, tendo o Filho, que se fez
homem no centro de todas as suas atenções, patenteiam
como devem se comportar os membros de todas as famílias
cristãs através dos tempos.
Cumpre firmeza diante de uma sociedade que ridiculariza a fé
o testemunho das virtudes. Perante a multiplicação
dos divórcios é preciso opor o ideal preconizado
por Cristo da fidelidade total às promessas matrimoniais.
Ante as dissensões que corroem tantos lares é necessário
o cultivo da reconciliação imediata, fruto de uma
paciência inalterável.
O individualismo, a procura egoística dos prazeres não
favorece a presença de Deus nos lares. Para se combater
todo este mal aí está o exemplo de José e
Maria que jamais titubearam na subordinação aos
desígnios celestes. Jesus se fez o espelho para os filhos,
Ele, Senhor do Universo, obediente e reverente a seus pais (Lc
2,51). Estes precisam amar mais aqueles que lhes foram dados pelo
Ser Supremo, tudo por eles se sacrificando e lhes apontando um
roteiro seguro. Pais e Filhos são chamados a viverem nos
caminhos da santidade.
Quem penetra fundo nas mensagens bíblicas percebe que a
família entra decisivamente nos planos salvíficos
da Trindade, a qual se propõe como modelo das trindade
humana constituída pelo pai, pela mãe e pelos filhos.
Nunca é demais aprofundar as questões teológicas
e pastorais atinentes ao matrimônio e o magistério
da Igreja jamais deixou de patentear a importância vital
da “Igreja doméstica”. As graças que o sacramento
afiança, se correspondidas, levam a transformar a casa
terrena num oásis no deserto deste mundo.
Trata-se de uma experiência de fé que beatifica seres
humanos, faz a grandeza das nações e irradia as
luzes do Evangelho por toda a parte. São Paulo mostrou
que este mistério matrimonial é grande, referindo-se
a Cristo e à Igreja (Ef 5,32). Se esta dimensão
cristológica e eclesiológica fosse sempre compreendida
e aplicada em todas as suas conseqüências, não
há dúvida, haveria muito mais paz e segurança
para a estabilidade entre os que moram sob o mesmo teto. Apenas
assim os pais podem exercer em plenitude sua missão educadora
inerente à sacramentalidade matrimonial.
Deste modo, a vida da família se torna um itinerário
de fé e uma iniciação à prática
da doutrina de Cristo. É dentro dos lares cristãos
que se formam os verdadeiros seguidores do Evangelho. A família
é uma comunidade evangelizadora e não pode se esquivar
a esta tarefa sublime. É ela, por isto mesmo, a formadora
de cidadãos cônscios de suas responsabilidades.
Portanto, a sociedade necessita estar a serviço da família.
Isto significa que os que vão constituir um lar têm
o direito de esperar que o Estado lhes proporcione condições
morais, educativas, sociais e econômicas favoráveis.
É um ato de civismo defender sempre o valor institucional
do matrimônio, mesmo porque a família é uma
escola de humanismo.
É dos lares autenticamente cristãos que se irradiam
a fraternidade, o amor, a solidariedade, que preparam pessoas
capazes de exercer o amor social com tudo o que esta dileção
traz consigo de espírito de cooperação, de
justiça e solidariedade. É no santuário doméstico
que se assimila e se vive o cristianismo, o patriotismo e tudo
que engrandece o ser pensante.
Perante os valores familiares imprescindíveis para a beatitude
pessoal e social nada mais eficiente e necessário do que
voltar sempre os olhares para a Família de Nazaré
que realizou em plenitude todo este ideal, oferecendo inclusive
ao mundo o Redentor da humanidade.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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