Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Os
fariseus se julgavam justos. Pensavam que tinham
direitos ao reconhecimento público e, até
mesmo, à consideração de
Deus. Eles se sentiam muito acima do povo pecador
e ignorante. Eles o desprezavam e não se
misturavam com ele. Assim sendo, não poderiam
compreender a atitude de Jesus (Mt 9,9-13). O
Redentor não apenas falava com os pecadores,
comia com os publicanos e havia escolhido um deles
para o Colégio Apostólico. Cristo
assim agia porque era o Salvador, o libertador
de Israel, aquele que, com um novo Moisés,
viera anunciar a libertação dos
que estavam escravos do erro.
Como ele chegara para a remissão dos pecados,
indicava aos prevaricadores o caminho da salvação
e os levava ao arrependimento e à mudança
de vida. Muitos são os que, iludidos como
os fariseus, se julgam justos, sem pecado, sem
necessidade de uma profunda metanóia para
serem perdoados por Deus. Na realidade são
também, ou mais, pecadores do que os outros.
Sua situação, contudo, é
mais perigosa.
Eles presumem sua inocência e se fecham,
não conseguindo captar a mensagem salvífica
daquele que veio chamar não os justos,
porém, os pecadores. Apenas os que se reconhecem
culpados diante do Senhor e imploram o seu perdão
estarão nas veredas que conduzem à
Casa do Pai. Através dos tempos Jesus continua
seu ministério de amor e de misericórdia
para com todos que, vítima das fraquezas
humanas, se deixam prender nos laços satânicos
do Inimigo infernal. Cumpre lutar contra a carne,
o mundo e o diabo.
A carne com sua sensualidade vergonhosa; suas
suaves, mas danosas aliciações;
seus sutis atrativos; seus prazeres grosseiros,
precipitando no abismo do Inferno. O mundo com
suas frivolidades, seus falsos princípios,
seu orgulho, sua fome de riquezas, a apartar do
Ser Supremo milhares de almas. O diabo, cuja existência
é negada por muitos, é uma perigosa
realidade. Cheio de ódio contra Deus e
contra todos os que devem um dia ocupar um lugar
lá no céu, ele roda em derredor
dos seres humanos, como diz São Pedro,
prestes a devorá-los. Cumpre resistir-lhe
com uma fé profunda (1 Pd 5,8).
São Paulo adverte igualmente que não
é contra adversários de carne e
de sangue que se há de combater, mas contra
os Principados, contra os Poderes deste mundo
das trevas (Ef 6,12), anjos decaídos que
possuem sua maravilhosa inteligência, mas
que eles utilizam maldosamente para nossa perda.
Entretanto, se alguém se deixa prender
nos laços de satã, aí está
Jesus pronto a perdoar. Ele, ainda, acrescentou:
“Quero misericórdia e não
sacrifício”! Se todos entendessem
bem estas palavras, o mundo seria bem diferente,
dado que as esposas, a exemplo de Cristo, saberiam
sempre perdoar seus maridos e esperar a hora da
graça de sua conversão e trabalhariam
neste sentido e não apelariam para a inglória
separação e o mesmo aconteceria
com os maridos. Filhos a trabalharem pela salvação
eterna de seus pais e vice-versa.
Amigos a serem compreensivos com os amigos para
os trazerem para os caminhos de Deus. É
fácil anatematizar, difícil, porém,
trabalhar como Cristo pela regeneração
dos que erram e se acham lançados no abismo
dos erros. É certo que será sempre
o Espírito de Deus que tocará o
coração de quem está no pecado,
mas cada cristão, a exemplo de Jesus, deve
ser o instrumento deste processo divino.
Deus quis partilhar com cada um a tarefa da renovação
dos corações, ainda os mais empedernidos.
Jesus sabia perfeitamente que há sempre
uma capacidade latente no íntimo do ser
humano para receber a influência das inspirações
divinas e, por isto, estava no meio dos pecadores.
Ele quer que acreditemos sempre na possibilidade
do bem a ser feito, mas cumpre ao cristão,
primeiro, se converter para depois poder ajudar
Cristo na salvação do mundo.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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