Departamento Arquidiocesano de Comunicação da Arquidicoese de Mariana


 Histórico
 Organização
 Dom Luciano
 Tribunal Eclesiático
 Seminário
 Museu
 Catequese

 

Regiões
Arquidiocesanas

Saiba mais sobre a região centro!Centro
Saiba mais sobre a região leste!Leste
Saiba mais sobre a região norte! Norte
Saiba mais sobre a região oeste! Oeste
Saiba mais sobre a região sul! Sul

Mande notícias
Clique aqui. . .


PESCADORES DE ALMAS

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*


     
O episódio da pesca milagrosa (Lc 5,1-11) que tanto espanto causou a Pedro, Tiago e João e seus companheiros oferece reflexões preciosas sobre a evangelização. Todos os batizados, por participarem do múnus profético e régio de Cristo, têm a incumbência de trabalhar pela difusão do Evangelho sob a orientação da hierarquia estabelecida pelo Fundador da Igreja. Trata-se de uma missão essencial para que a obra salvífica de Cristo se estenda por toda parte. Não obstante os obstáculos de um contexto materialista, hedonista, marcado pela descrença, com a força do Espírito Santo o cristão se torna um apóstolo autêntico, corajoso, eficiente.
      A perseverança é essencial, dado que o tempo de Deus não é idêntico ao cronos humano. Até a consciência da precariedade dos recursos individuais deve ser vencida pela confiança total na ação da graça divina que, mas hora, menos hora, converterá aquele que se acha nas sombras do erro. Os desequilíbrios dos que se tornaram ovelhas perdidas do celestial Pastor não podem ser empecilho para a ação missionária.
      O estímulo interior para tal atividade advém da certeza de que cada batizado é um instrumento de que o Ser Supremo se serve para levar sua mensagem de amor e misericórdia. Nunca se deve esquecer o que afirmou São Tiago: “Meus irmãos, se alguém de vós se desviar da verdade e outro o reconduzir, saiba que aquele que reconduz um pecador do seu descaminho salvará a sua alma da morte e estenderá um véu sobre uma multidão de pecados” (Tg 5,19-20). Pode-se inclusive dizer: uma alma salvaste, a tua predestinaste. Com efeito, o Criador não deixará se perder aquele que cuidou da saúde espiritual do próximo. Cumpre lembrar ainda que todos os profetas e apóstolos que lutaram pela causa de Deus estavam possuídos por uma energia superior que os sustentou nas horas de fraqueza, de dúvida, de desânimo e os tornou capazes de fazer oposição ao mundo e às artimanhas malignas do Inimigo.
      Cristo muitas vezes não chama os mais capacitados, mas capacita sempre os que ele chama para serem agentes de salvação em determinadas circunstâncias para tirar o outro do fundo do poço de sua miséria espiritual. Que exemplo magnífico o de Moisés que, sobretudo na travessia do deserto, enfrentou as mais difíceis provas diante da dureza de coração dos que devia guiar rumo à libertação completa. Jeremias sentiu o apelo do Alto penetrar como uma espada na sua carne e a queimando como o fogo até que ele se entregou à sua tarefa junto ao povo. Paulo de Tarso, convertido, deixou o célebre slogan: “Ai de mim se eu não evangelizar”!(1 Cor 9,16) Lutou contra tudo e contra todos e não esmoreceu nunca e mereceu ser intitulado o Apóstolo das Gentes. Esta sua vocação passou a fazer parte de todo o seu ser.
      Seu zelo se manifestou no que escreveu, no que viveu e em todas as suas ações. O ser apóstolo era sua maneira natural de existir. Este deve ser o ideal de todo epígono do Redentor. Ter o espírito ardorosamente ligado ao interesse da glória divina. Pescar almas demanda tato, perspicácia, poder de simpatia, atração pessoal que se irradia de uma espiritualidade bem cultivada.
      O bom pescador sabe que conhecimento do tempo, da água, do instrumento que deve empregar para que atinja seu objetivo. É na união com o Espírito Santo que cada um haure tais dons para salvar os pecadores e os que desconhecem a verdade. Sinceridade, coerência existencial, humildade são condições basilares para aproximar-se do que necessita de ajuda espiritual e, até material.
      Neste último item as associações sociais da Igreja Católica são de um valor imenso, mesmo porque Jesus era médico do corpo e da alma. No apóstolo a bondade do coração é imprescindível. É a partir de uma conversa amiga que se inicia a conversão como aconteceu com o diálogo de Cristo com Nicodemos e com a Samaritana. Nem se pode olvidar a importância da prece ardente, o apostolado da oração. Que todo cristão se recorde sempre que é belo e necessário ser apóstolo!

* Professor no Seminário de Mariana - MG

<---- Volta a página principal ----->


Volta a página
<- Principal ->

Veja
os artigos
anteriores