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SABER ORAR

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

      Pedagogo divino, Cristo ensinou não apenas a mais bela das preces a ser dirigida a Deus, o “Pai Nosso”, mas também como se deve orar e garantiu: “Pedi e recebereis” (Lc 11,9). São Cipriano então pôde afirmar que a oração é onipotente, ou seja, se bem feita tudo alcança. Há, contudo, condições para que isto aconteça. Cumpre humildade, confiança e perseverança como Jesus deixou bem claro.
      A humildade faz da súplica não uma imposição dada ao Ser Supremo, mas um rogo da criatura ao Criador. Este “resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes” (Tg 4,6). Diz o Eclesiástico que “o clamor do humilde transcende as nuvens, e não repousará até que não chegue a Deus e não se retirará daí enquanto o Altíssimo não intervier…” (Ecl 35,17). Santo Agostinho adverte: “Humilhastes, Deus vem até vós; exaltastes, Deus foge de vós”. Como bem se expressou Davi: “Um coração contrito e humilhado Deus não despreza” (Sl 50,19). À humildade se adite a total confiança no Ser Supremo. Ele é “misericordioso e compassivo” (Ecl 2,11).
      Como ensina Santo Tomás de Aquino ele atende as criaturas não por causa dos seus merecimentos, mas por força de sua imensa clemência. Quem tem esta certeza pode rezar com êxito total o salmo 22 e proclamar: “O Senhor é meu pastor nada me faltará”! A confiança é chave aurífera que abre as portas dos tesouros divinos. Cumpre, além do mais, orar com perseverança.
      É o que Cristo ensinou na parábola do juiz que não temia a Deus, mas foi tanto incomodado por uma viúva que acabou por lhe fazer justiça (Lc 18, 1-7) Jesus foi claro: “Velai, pois, orando em todo o tempo” (Lc 21,36). Para que o Todo-poderoso atenda as preces feitas deste modo cumpre que se reze com atenção e num ambiente propício à união com Deus.
      São Simão recomendava a um de seus discípulos “Senta-te em silêncio e, na solidão, abaixa a cabeça, fecha os olhos, respira mais docemente, olha com a imaginação o íntimo do teu coração; dirige a tua mente, ou seja, o teu pensamento da cabeça para o coração e sussurra respirando: ‘Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim’.
      Esforça-te por afastar todo pensamento mau, sê sereno e paciente e repete muitas vezes este exercício. Estar vigilante aos próprios pensamentos é como colocar uma sentinela à porta do próprio coração. Seja qual for o pensamento que surja, é imediatamente submetido a um duro interrogatório: “Tu és um dos nossos ou vens do inimigo?” Somente assim é possível preservar o coração da invasão do mal.” Isto no que tange à prece individual.
      Grande valor tem a oração comunitária, pois o fervor de um se transmite ao outro, como acontece durante a participação nas Missas. Cristo afirmou: “Quando estão dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18,20). O Aquinate afirma que é impossível que as petições de muitos não sejam escutadas, se de muitas orações se faz como uma só prece. Para que a oração seja eficaz é preciso que o que se pede seja algo bom para si ou para os outros. Deus não pode conceder algo que seja realmente mau e seria uma ofensa tal solicitação.
      O Rabi da Galiléia doutrinou: “Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33). Os bens necessários à vida como a saúde, as riquezas, o êxito nos negócios, a consecução de emprego, hão de se pedir condicionalmente, se for para a maior glória divina e bem espiritual próprios ou das pessoas pelas quais se demanda tais favores celestes.
      Quando Deus não concede o que é pedido por não ser útil à salvação do que suplica, segundo os melhores teólogos, Ele concederá infalivelmente bem maior. O verdadeiro cristão diz ao Onipotente: “Senhor, escutai minhas preces se elas são retas. Se não são, queira retificá-las segundo vossos paternais e amorosos desígnios. Com vossa ciência e onipotência guiai-me, governai-me, assisti-me na alma e no corpo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Que “a tua vontade seja feita, assim na terra como no céu” (Mt 6,10). Uma vez obtidas as graças, é mister agradecer a Deus. A gratidão é outra chave de ouro que torna Deus propício para atender as novas súplicas.

                                                         * Professor no Seminário de Mariana - MG

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