O EDUCADOR DAS ALMAS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A
solenidade de Pentecostes vem lembrar que o Espírito Santo
é o educador das almas. Como ensina São Basílio,
Ele, “origem da santidade, luz inteligível oferece de si
mesmo esclarecimentos a todas as forças racionais, na investigação
da verdade... presente como o sol, em cada um que tenha capacidade,
derramando em todos quantos dele participam, na medida em que
sua natureza necessita, não na que Ele pode dar. Por Ele
os corações são levados, pela mão
são conduzidos os fracos, os que se adiantam chegam à
perfeição. Brilhando nos purificados de toda a mancha,
torna-os espirituais pela comunhão com Ele”. Eis por que
é necessário conhecê-lo e apreciar o tesouro
que oferece a quem O ama.
Os discípulos de Éfeso surpreenderam
São Paulo pela sua ignorância ao afirmarem: “Nós
nem sequer ouvimos dizer que há Espírito Santo”
(Atos 19,12). O Apóstolo então lhes impôs
as mãos e as doze pessoas com que se encontrara receberam
a efusão da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
Como resultado imediato da união com o Santificador se
dá uma mais profunda compreensão do mistério
de Cristo. Este afirmou: “O Consolador que Eu vos hei de enviar,
o Espírito da verdade, que do Pai procede, Ele dará
testemunho de mim” ( Jo 15,26). Martinez com propriedade asseverou:
“O cântico que o Espírito Santo inspira às
almas é esse poema de luz e de amor que é Jesus,
o cântico de Deus”.
É o que Santo Hilário também ensina, mostrando
que “o dom do Espírito Santo vem, pela intercessão
prometida, iluminar nossa fé em dificuldades acerca da
encarnação de Deus”. São Paulo lembrava aos
coríntios outro aspecto importante: “Não sabíeis...
que o espírito de Deus mora em vós?” (1 Cor 3,16)
Se assim é, o convívio com este hóspede divino
é um dever elementar de cortesia. Ele vem àquele
que O ama, infundindo virtudes e dons, os quais frutificam na
medida da correspondência de cada um.
O Concílio Ecumênico Vaticano II patenteia esta excelsa
realidade: “O Espírito habita na Igreja e nos corações
dos fiéis como em um templo. Neles ora e dá testemunho
da adoção de filhos. Conduz a Igreja a toda a verdade,
unifica-a na comunhão e nos ministérios, enriquece-a
com variados dons carismáticos e hierárquicos e
a ornamenta com seus frutos”.
Disponibilidade e generosidade são disposições
básicas para a ação divina, pois, além
de consolidarem um comportamento moral compatível com a
vontade do Criador, dão aquela necessária disposição
interior para seguir as inspirações celestes.
A presença do Espírito Santo é atuante e
supõe assim adesão que significa não colocar
óbices às suas operações salutares.
Ele quer dialogar com cada batizado e mister se faz saber escutá-lo
e com ele conversar. Diz o autor da Imitação de
Cristo: “Bem-aventurada a alma que escuta o Senhor que nela fala”.
Ele é exigente. Como observa Boegner, “jamais deixa tranqüilo
aquele que ele toca...”
De fato, a caminhada pelas veredas da perfeição
é árdua. Cristo, aliás não deixou
dúvidas a este respeito: “Se alguém quiser vir após
mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque
o que quiser salvar a sua alma, perdê-la-á: o que
perder a sua alma por amor de mim, achá-la-á” (Lc
9, 23,24). É o Espírito Santo que, através
de seus Dons, possibilita esta entrega amável a uma abnegação
sem limites que supõe fortaleza interior, temor reverencial
de perder Cristo, no qual piedosamente se contempla o Redentor,
cuja companhia é degustada com sabedoria.
O peso da cruz é visto, através da ciência,
como meio precioso rumo à identificação com
o Mestre. É o Paráclito que mostra os caminhos do
Filho, aconselhando através de suas místicas inspirações,
quando há o risco de se apartar dele. O Apóstolo
das Gentes faz esta advertência: “Não entristeçais
o Espírito Santo de Deus, pelo qual fostes marcados com
um selo para o dia da redenção” (Ef 4,30). Felizes
os que se entregam a este Artista divino. Ele opera então
uma obra prima, digna da Jerusalém do Alto.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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