JESUS E OS NAZARENOS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Na
Sinagoga de Nazaré os conterrâneos de Jesus, de início,“elogiavam
e admiravam-se das palavras cheias de graça que saíam
de sua boca” (Lc 4,22). Quando, porém, Cristo principiou
a falar verdades que eles não gostariam de ouvir “todos
na sinagoga se encheram de ira” e O lançaram fora da cidade
e, até, desejavam lançá-lo no precipício.
Como profeta que ali se manifestara, Ele não embaça
suas mensagens, ainda que não fossem bem recebidas. Através
dos tempos, este episódio continuaria por parte de tantos
epígonos do Redentor.
Procuram nos Evangelhos e em toda a Bíblia aquelas passagens
que se acomodam a seu modo de pensar, mas quando a palavra de
Deus pede conversão e toca lá dentro do coração
pedindo uma nova mundividência, tais trechos são
ignorados. Muitos de esquecem desta verdade: cada um é
que deve se adaptar ao Ser Supremo e não este à
criatura. Adite-se que o batizado, participando do múnus
profético do Salvador, tem obrigação de censurar
os erros e tudo que vai contra a Santa Lei de Deus, proferindo
em toda parte sentenças corretas. Quantos são aqueles
que, diante de programas imorais televisivos, sobretudo certas
satânicas novelas e filmes, ficam passivos e não
têm coragem de ao menos falar que aquilo é contra
o Decálogo! É lamentável ser solidário
com a imoralidade ou desvios dogmáticos que surgem na Imprensa
em geral.
Na Escritura, profetas são os que percebem o chamado divino
para serem mensageiros do bem, na luta contra o mal. Isto é
fruto de uma experiência religiosa profunda, de uma fé
arraigada, através das quais o Espírito Santo move
o cristão a ser autêntico em tudo. A força
daquilo que o batizado profere vem do Alto, fruto de uma crença
intensa. Sua denúncia não é um vago queixume
ou uma fortuita recriminação, mas juízo celestial
sobre os equívocos humanos.
A voz do cristão fidedigno é a do próprio
Senhor do Universo que dela se serve para anunciar a Boa Nova
e condenar as más ações. Há dois elementos
na fala do profeta: acusação da mentira, da falsidade,
da impudicícia, da injustiça, do desamor e a manifestação
de tudo que o Criador revelou, sobretudo através de seu
Filho, Jesus Cristo.
A linguagem do profeta pode parecer dura, mas ele não teme
ser taxado de retrógrado ou ser desprezado, pois não
se alia às inverdades e ataques à ética evangélica.
Quem está iluminado pelo Espírito Santo, contagiado
por sentimentos espirituais, é radicalmente inflexível
na pugna contra o pecado, o opressor, os falsos doutores. Portanto,
profetas não são, neste caso, os que anunciam fatos
futuros. Não anunciam o porvir, julgam, contudo, o presente.
Tudo contemplam com os olhos da veracidade, mostrando onde está
Deus e onde Ele não se encontra.Captam em tudo o que agrada
à divindade ou a desagrada. Regozijam-se com aqueles que
recebem e vivem de acordo com os preceitos bíblicos. Tantas
vezes, inclusive homens e mulheres iletrados, mas imersos na união
com o Ser Supremo, possuídos de notável discernimento,
são capazes de afrontar os erros e não se omitem
covardemente, traindo o seu Senhor. Sabem anunciar as exigências
do Reino que Cristo veio instaurar neste mundo. Não estão
comprometidos com os poderosos, os corruptos, os que disseminam
a imoralidade e a injustiça.
Deste modo, na imitação de Jesus de Nazaré,
o profeta por excelência, descobrem a presença de
Deus na própria vida, na sociedade, e desvelam Seus projetos
salvíficos e beatificantes. Neste início de milênio
que todos os cristãos se conscientizem de sua missão
profética e enfrentem com energia as forças maléficas
que conspiram contra a moral, e os artigos sagrados do Credo.
A história hodierna será então luminosa.
De fato, todo aquele que é cristão, tem o mundo
nas mãos!
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
<----
Volta a página principal ----->