A PESCA MIRACULOSA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Cumpre
se deixar envolver na beleza da cena da aparição
de Jesus junto ao lago de Tiberíades e haurir as profundas
lições teológicas que a mesma oferece (Jo
21, 1-19) Jesus, de pé na margem do lago, só é
reconhecido pelos apóstolos após a abundante pesca
de peixes. Em derredor de cada ser humano se multiplicam as maravilhas
dos dons divinos, mas quantos não têm olhos para
reconhecer a atuação do poder onipotente do Senhor.
Há necessidade de decodificar tudo que ocorre para se imergir
em novas graças celestiais que o Pai oferece ininterruptamente
através de seu Filho Jesus Cristo. Tudo é simbólico
no episódio desta terceira aparição do Ressuscitado.
O lago de Genesaré, também chamado de Mar de Tiberíades
e de Mar da Galiléia, é um extenso lago de água
doce, o maior de Israel, com comprimento máximo de cerca
de dezenove quilômetros e largura máxima de cerca
de treze km, bem representa todo o orbe ao qual Cristo enviaria
os Apóstolos, pescadores de homens: “Ide pelo mundo inteiro,
pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). Os hermeneutas
sempre viram na barca a imagem da Igreja e nos peixes os fiéis
de todos os tempos.
O destaque que Cristo dá a Pedro, de quem cobra um tríplice
ato de amor como reparação das três negações
feitas no pátio do palácio do Sumo Sacerdote Caifás,
foi um instante solene. Com efeito Jesus conferiu naquele momento
o primado àquele que deveria apascentar cordeiros e ovelhas,
portando querendo significar com isto a universalidade do rebanho,
sem exceção alguma.
Pedro foi constiuído chefe supremo da Igreja que ele governaria
como lugar-tenente de Cristo. Neste início de milênio
quando o Supremo Pastor da grei de Jesus continua sendo atacado
pelos inimigos da Verdade, pelos show men que querem aparecer
na mídia deturpando os ensinamentos de Bento XVI, tirando
suas palavras do contexto, objetivando confundir a opinião
pública, é bem que se recorde a devoção
devida ao Papa, a qual é algo essencial na existência
cristã.
Isto por que ele é o Vigário de Cristo, o Chefe
da Igreja, o Doutor universal, o Pastor por excelência das
almas. Donde o dever de o amar, obedecer e por ele sempre orar.
Ele é a presença viva do divino Redentor entre os
homens. Por ele o Salvador guia a sua Igreja. O Corpo Místico
de Cristo não tem duas cabeça, mas somente uma:
Cristo e seu Representante por ele escolhido.
Através deste o Filho de Deus dirige o rebanho no caminho
da salvação, prega a todas as gerações
a verdade e comunica a vida da graça. Como Jesus, enquanto
Chefe, é o caminho; como Mestre, é a verdade; como
Pastor é a vida.
É importante que se observe que Cristo, tendo prometido
a Pedro as chaves do reino dos céus, (Mt 16,18), apenas
depois da Sua Ressurreição é que lhe conferiu
o primado, ou seja, depois de ter dado a prova defintiva de sua
divindade, ressuscitando gloriosamente com seu próprio
poder. É de se notar que o Papa, deste modo, se torna o
fundamento e o centro da unidade da Igreja católica e esta
recebe luzes de sua prudência, de sua sabedora e da competência
de seu governo.
O Papa é o grande responsável pela missão
doutrinal eclesial, mensageiro da revelação perante
os povos. A palavra Papa quer dizer Pai e ele o é, de fato,
Pai de todas as almas redimidas por Cristo. Eis por que com relação
à sua pessoa se deve ter uma devoção especial
e, por isto, Santa Catarina o chamava “o doce Cristo na terra”,
merecedor de todas as homenagens. A isto se acrescente a total
submissão de coração e de espírito
a ele, docilidade absoluta, acatamento de todas as suas diretrizes.
De suma importância são as preces feitas nas intenções
do Soberano Pontífice e este foi o clamor de João
XXIII: “ Almas piedosas e fervorosas do mundo inteiro, nós
vos suplicamos que rezem sempre pelo papa, para que ele exerça
com êxito seu imenso serviço a toda ordem espiritual,
social, temporal e terrestre”. Então, sim, o sucessor de
Pedro fará sempre pescas miraculosas, como aconteceu, um
dia, lá no lago de Tiberíades.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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