DIA DAS MISSÕES
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O
Dia das Missões, celebrado no penúltimo domingo
de outubro, vem recordar ainda uma vez a todos os fiéis
que a Igreja é por sua natureza missionária e tem
como obrigação primordial a evangelização.
A fonte do dinamismo missionário é o amor de Cristo
e sua ordem dada aos apóstolos: “"Ide, pois, e ensinai
a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19). Os Apóstolos
cumpriram o mandato do Senhor e pregaram a Boa Nova por toda parte.
As quatro viagens missionárias de São Paulo levaram
o Evangelho às mais longínquas regiões.
Através
dos tempos a Igreja jamais se esqueceria de sua missão
sublime de levar a todas as partes a regeneração
pelo sangue redentor. Ela ultrapassou o Tibre, o Nilo, atravessou
o Danúbio, pervagou o Eufrates e os vastos areais da África.
Foi até os lagos do Canadá e atingiu os desertos
da Sibéria. Penetrou nas florestas do Novo Mundo, estendendo
continuamente o reino de Jesus mundo todo. Atraiu sempre multidões
para junto do Bom Pastor Homens formidáveis, não
duvidaram e enfrentaram mil perigos longe da pátria e da
família.
Afrontaram
obstáculos, como tormentas dos mares, dos rios impetuosos,
das montanhas agrestes, dos desertos extensos e sufocantes. Tudo
isto para conquistar almas para Cristo. Afã glorioso destes
heróis sublimes que entenderam perfeitamente a ordem de
Jesus. Como cantou o poeta: “Nada turbava aquelas frontes calmas
/ Nada curvava aquelas grandes almas / Voltadas pra amplidão...”
De fato, grandes homens, Apóstolos heróicos! A palavra
de Cristo. fez um Francisco Xavier surgir no Japão e, antes
dele, Gregório a iluminar a Armênia; Vitorino, a
Síria; Frumêncio, a Etiópia. Patrício
não duvidou e converteu a Irlanda; Agostinho, a Inglaterra;
Columbano, a Escócia; Clemente, a Holanda; Bonifácio,
a Alemanha; Cirilo e Metódio os povos eslavos.
Este
ingente trabalho pela propagação da fé prosseguiu
através dos tempos. No dizer do papa Leão XIII,
a expansão da Igreja, embora obra divina, devida aos sopros
e socorros do Espírito Santo, se processa à maneira
bem humana. A sabedoria divina que ordena todas as coisas e as
conduz a seu fim pelo meio que se relacione com a natureza de
cada uma delas, quer a difusão da Igreja por meio dos esforços
de seus filhos.
Deus
tudo realiza através dos homens de boa vontade. Em nossos
dias impressionou o mundo o Papa João Paulo II, cuja atividade
tão intensa, testemunhada por mais de cem viagens apostólicas
pelo mundo afora, mostrou a vitalidade missionária da Igreja
e como o mandato de Cristo é mais atual do que nunca. Cumpre
a todo batizado ser um missionário, dado que participa
do múnus régio e profético de Cristo, mas
também é preciso ajudar, na medida de suas forças,
este aspecto vital da vida da Igreja, amparando sua obra evangelizadora.
Em
primeiro lugar pela oração e pelos sofrimentos oferecidos
nas intenções dos missionários, como fazia
Santa Teresinha que foi. por isto. proclamada Padroeira universal
das Missões. Os “desejos infinitos” que fizeram-na sofrer
na oração, a impulsionaramm a querer “percorrer
a Terra” para “anunciar o Evangelho nos cinco Continentes, até
às ilhas mais distantes... Eu queria ser missionária
não somente durante alguns anos, mas quereria tê-lo
sido desde a criação do mundo e sê-lo até
a consumação dos séculos...”. Sustentava,
porém, pela prece e pelo sofrimento o ardor daqueles que
por toda parte levavam a mensagem do Evangelho, tendo estas mesmas
preces e sacrifícios convertido inúmeros pecadores.
Adite-se
a contribuição generosa para a causa missionária.
O Vigário Geral da Arquidiocese de Mariana (MG). Mons.
Celso Murilo Sousa Reis, em carta circular ao clero, alertou:
“ Dentre as iniciativas pastorais do Mês Milionário
, vimos lembrar, pela presente, o gesto concreto da Coleta Missionária,
a ser realizada por ocasião do Dia Mundial das Missões,
21 de outubro de 2007”.
Segundo
o Arcebispo Dom Geraldo Lyrio Rocha, “ grande o significado eclesial
dessa coleta, que deve expressar o compromisso de todos os católicos
de colaborar no trabalho evangelizador da Igreja no mundo inteiro”.
As preces e a contribuição financeira são
um dever de gratidão para com Deus que concede o dom da
fé a cada fiel. São um auxílio que conserva
e aumenta esta fé pessoal. São uma obrigação
de caridade para com os que se acham no desconhecimento de Jesus
Cristo.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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