A ADMIRÁVEL ASCENSÃO DE JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Pelo
batismo o cristão passa a tomar parte na Paixão,
Ressurreição e Ascensão de Jesus. Estes acontecimentos
marcantes na vida do Redentor trazem implicações
profundas para a vida do batizado. Remido pelo seu sangue salvador,
o discípulo do Filho de Deus tem na sua vitória
sobre a morte a promessa e uma garantia de que, um dia, também
vai com Ele ressuscitar dos mortos.
A
Ascensão, retorno de corpo e alma de Cristo ao céu,
lembra a cada um que, se fizer sempre a vontade divina, o destino
da alma é uma recompensa eterna na Casa do Pai. Eis porque
São Paulo pôde afirmar: "Nós somos cidadãos
dos céus” (Fl 3,20). O pensamento voltado para uma eternidade
feliz junto de Cristo não é alienante para quem
bem entende o mistério da Encarnação. Com
efeito, embora tenha ido para junto do Pai, Jesus continua sofrendo
neste mundo nos membros de Corpo Místico.
A prova disto é o que vai acontecer no fim dos tempos quando
ele dirá a cada condenado no julgamento universal: Tive
fome e não me destes de comer; tive sede e não me
destes de beber" (Mt 25,42), explicando claramente “Em verdade
eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um
destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer" (Mt
25,45). Portanto, ele foi para o céu, mas na figura de
cada um continua presente nesta terra.
Foi o que o Apóstolo Paulo explicou magnificamente: "Pois,
como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos
nossos membros tem diferente função,assim nós,
embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo,
e cada um de nós é membro um do outro" (Rm
12, 4-5) . Ele a cabeça, nós seus membros, compondo
o Corpo Místico do Redentor, o qual deste modo continua
entre nós. Adite-se que Ele ficou também nesta terra
na divina Eucaristia, fazendo-se contemporâneo de todas
as gerações. Realiza, deste modo, sua promessa:
"Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do
mundo" (Mt 28,20).
A tudo se acrescente que a Ascensão de Cristo aos céus
é uma verdadeira promoção do homem e de sua
trajetória espiritual ascensional para Deus.
Não se aponta um progresso indefinido, desconhecendo-se
o seu término, sempre imaginado e jamais atingido, nem
se trata de uma transfiguração intemporal do finito
para o infinito, mas de uma inclinação para cima
rumo a uma glória já real, porque crida através
de uma fé inabalável naquele que,na outra margem
da vida, está à espera de cada um para o introduzir
nos seus palácios eternos. De fato, lá onde precedeu
a glória da Cabeça, lá, outrossim, está
fixada a esperança do Corpo.
Eis porque a festa da Ascensão do Senhor faz estalar de
júbilo os corações que fazem chegar ao trono
de Deus as mais efusivas ações de graças.
A verdade é que neste dia não somente somos confirmados
na posse do paraíso, mas nele penetramos com Cristo nas
alturas dos céus. Recuperamos com Jesus o que tínhamos
perdido pela insídia do Maligno.
Todos estes são aspectos fundamentais desta solenidade,
mas cumpre uma reflexão profunda sobre os mesmos, uma convicção,
uma inteligência espiritual para adentrar os meandros destas
sublimes realidades. Aqueles que se deixam prender aos falsos
prazeres terrenos, que têm todas as suas faculdades escravizadas
pelos bens transitórios, são incapazes de degustar
o júbilo que esta festa oferece àqueles que dipõem
ascensões em seus corações. Estes atingem
em plenitude o sentido interior da economia da salvação
e vislumbram o destino luminoso dos que crêem em Cristo.
O cristão é então convidado a marchar à
luz de uma esperança fulgente. O Apóstolo mostrou
que estamos em um exílio longe do Senhor, pelo que devemos
caminhar pela Fé e não pela visão” (2 Cor
5, 6-7). Cumpre desenvolver uma sensibilidade de uma crença
arraigada, uma capacidade sobrentural para ver, escutar, degustar
Cristo presente no mundo, mas também presente lá
no Alto à espera de cada um de nós. Ele entrou solenemente
neste dia no céu para abrir suas portas aos que lhe forem
fiéis neste mundo.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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