ASSUNÇÃO DE MARIA AO CÉU
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A
solenidade da Assunção de Maria ao céu é
uma festa da vida em plenitude. Celebra-se o auge do mistério
mariano: perfeita imagem da Igreja, primeira ressuscitada após
Cristo, ela guia e sustenta a esperança do Povo de Deus
ainda em caminho para a pátria definitiva. Mulher coroada
de estrelas, é a figura acabada dos eleitos na glória
do Reino. Nela se realizou inteiramente a grandeza do Amor que
redime e salva. O fato da Mãe e Rainha já estar
na beatitude celeste de corpo e alma redunda em um novo benefício:
ela está em total comunhão não somente com
a Trindade Santa, mas, outrossim, com cada um de seus filhos e
súditos aqui ainda neste mundo.
Na
sua condição de eternidade, consumada com uma admirável
ressurreição, antecipada em virtude de sua maternidade
divina, ela acompanha os batizados em seu itinerário de
fé, esperança e caridade cotidianas. Ela se apresenta
diante de todos como um espelho de preclaras virtudes que são
a garantia da vitória final do cristão. Oferece
uma visão serena e uma palavra vibrante: o triunfo completo
da expectativa da ventura suprema sobre a angústia, da
comunhão dos santos sobre a solidão, assegurando
a imperturbabilidade sobre o temor, a promessa da vida sobre a
morte. Ela se apresenta como a mulher forte, a escolhida, já
de posse da completa salvação oferecida pelo Redentor
da humanidade.
É
a imagem viva do Corpo Místico transfigurado vivendo de
maneira acabada a promessa pascal. Na medida em que cada discípulo
de Cristo tente a realizar sua configuração com
o Mestre, enquanto caminha aqui em baixo, participa já
da festa da culminância pessoal de sua união com
o Ser Supremo.
O
verdadeiro epígono de Jesus está sempre em estado
de assunção para os acontecimentos perenes na Casa
do Pai. O destino de Maria é também o nosso fim
último. Maria foi elevada de corpo e alma aos céus,
última maravilha feita para ela da parte do Onipotente,
mas que, um dia, se dará para todo aquele que percorrer
este exílio terreno sempre voltado para a beatitude eterna.
A
dileção para com o Todo-Poderoso e para com os irmãos,
vivida na terra na economia sacramental, será transparente
para o fiel que permitiu Deus agir sempre nele como aconteceu
com Maria que sempre pôde refletir sua inteira disponibilidade
em fazer a vontade do Criador. Deste modo, a Assunção
de Maria longe de ser uma fuga para as regiões celestes
é um apelo vibrante do engajamento de cada um no serviço
de sua missão a ser cumprida no tempo.
Deste
modo a releitura da espiritualidade mariana no cotidiano é
força de energia evangélica e que faz ressoar as
mensagens e apelos que esta festa leva a partilhar numa atitude
corajosa de rompimento com o que é passageiro e transitório.
Trata-se de uma opção inteligente de vivência
na fé e na esperança, sabendo que esta nunca será
decepcionada, fraudada. O cristão vive em função
da ressurreição final após a morte, dádiva
do Pai em Cristo pelo Espírito Santo que tudo renova.
A
Assunção anuncia e prepara o happy end, o término
feliz para aquele que, imitando a Maria, viveu intensamente tudo
que Cristo ensinou. A terra enviou ao céu um preciosíssimo
presente: Maria, cuja assunção é o cume de
sua Conceição Imaculada e do fato de ser ela a Mãe
de Deus. Elevada aos céus ela une ainda mais os homens
a Deus, a terra ao paraíso, a condição humilde
dos homens a uma elevação suprema.
O
fruto sublime da terra foi elevado para lá onde jorram
todos os excelentes dons, dons perfeitos, e já na glória
eterna ela exerce ainda mais intensamente seu papel de Mediadora
de todas as graças. Na casa da Madona celeste, esplendoroso
palácio no qual ela aguarda o seu devoto, lá, somente
lá, deve habitar o pensamento do cristão. Seja o
alvo de seus esforços alcançá-lo com galhardia.
Então,
sim, a expectativa da vitória será para cada filho
da Rainha celeste um penhor do afastamento das ilusões
da terra e, em conseqüência, arras daquela alegria
que será a partilha de todos aqueles que ouvem a mensagem
da Virgem Assunta aos céus. Mas para que as ondas do mal
não apaguem o apelo de Maria, cumpre se viva sob a proteção
desta Soberana, para que presida todas as resoluções,
para que penetre todos os intentos.
Assim,
o fiel não se deixará arrastar no turbilhão
voraz das paixões desregradas e estará rumando para
a pátria verdadeira. Olhos voltados para a Virgem, caminhe
cada um sem se deixar prender a esta terra de exílio, porque
Maria subiu aos céus, tornando-se um grande sinal da ressurreição
futura também para, no entardecer da jornada, receber seus
filhos para os gozos eternos que Cristo lhes mereceu.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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