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FIDELIDADE PERSEVERANTE

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

      Pedagogo divino, sabedoria infinita, Cristo deixou máximas maravilhosas para seus discípulos. Uma de suas diretrizes de suma importância para se obter a salvação eterna foi esta: “Pela vossa constância ganhareis as vossas almas” ( Lc 21,19) [...] “Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 24,13). Esta tenacidade na fé é a condição para se chegar à Jerusalém celeste, pois se trata de uma firmeza absoluta por entre as aliciações dos falsos profetas, os sofrimentos inerentes à condição humana nesta terra. Deus que é fiel, exige total fidelidade de quem crê nele.
      À lealdade divina deve corresponder a pertinácia do ser racional numa correspondência à Aliança estabelecida gentilmente pelo Criador com sua criatura, para que esta possa chegar à ventura perene do céu. O Ser Supremo não poderia, outrossim, ser mais explícito: “ Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2,10). No Antigo Testamento fulge a postura do Todo-Poderoso bem expressa pelo profeta Malaquias: “Deus não muda” (Ml 3,6).
      Lemos no Livro dos Reis que “nenhuma só das boas promessas que Ele fizera por meio de Moisés, seu servo, ficou perdida” (1 Reis 8,56). Donde o anelo sincero que deve brotar do coração dos crentes: que Deus incline para Ele “o nosso coração a fim de que andemos em todos os Seus caminhos e observemos Seus mandamentos, estatutos e preceitos que Ele prescreveu aos nossos pais (1 R 8,58). O que mais se lamenta através da História é exatamente a deslealdade humana por faltar a perseverança.
      Aliás, mostra o profeta Jeremias que quando não se é sincero para com o Altíssimo Senhor, somente traições surgem nas relações sociais, gerando desconfiança de uns para com os outros (Jr 9,2-8). Tão grande se torna a corrupção que o livro dos Provérbios indaga: “Quem encontrará um amigo confiável?” (Pv 20,6). O Messias foi anunciado como o servo modelar e fidedigno (Is 50, 4-7). Ele realizou fielmente, perseverantemente, sua missão salvífica. Pôde proclamar: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4,34).
      Lá no Calvário pronunciou estas palavras sublimes: “Tudo está consumado” (Jo 19,30), ou seja, ele realizara perseverantemente tudo que deveria realizar para a salvação do mundo. Seus epígonos seriam denominados fiéis, isto é, leais até à morte numa fidelidade religiosa que é uma das mais importantes atitudes que Ele exige dos que se dizem cristãos. Esta lealdade aparece nas minudências da vida (Lc 12,35).
      É a esta fidelidade, fruto da perseverança, que se reserva a recompensa de participar da alegria do Senhor (Mt 25,21.23). A perseverança, contudo, exige uma luta contra o Maligno, requer vigilância e oração (Mt 6,13; 1 Pd 5,8, ss). Hoje, mais do que nunca, cumpre que o cristão, deguste este fruto do Espírito que é a fidelidade, numa perseverança inquebrantável (Gl 5,22). Esta é que torna laços sagrados indestrutíveis. Perseverança, primeiramente, para com o cumprimento dos mandamentos divinos, através de uma religião mais autêntica.
      A aliança com a divindade é um ato bilateral, pois à lealdade dele cumpre corresponda a do crente. Adite-se que a fidelidade perseverante deve imbuir todas as atitudes humanas. Não haveria tantos dissabores nos lares, nos locais de trabalho, na sociedade em geral, se houvesse mais sinceridade e firmeza em se cumprir tratos, em realizar promessas feitas. Almas nobres nunca fazem pactos efêmeros. É disto que muitos casais se esquecem.
      Vai para o espaço, hoje em dia, com muita facilidade aquilo que na véspera se afirmou e prometeu. As capitulações perante o mal são indícios de infidelidade às ordens do Onipotente e são resultado da atuação maléfica de Satã, o infiel, que, com seus sequazes corrompem e destroem vínculos que jamais deveriam ser rompidos. Não há, porém, dúvida que, quando a sinceridade, a lealdade, a honorabilidade, a probidade voltarem a reinar nesta terra, o mundo será melhor. Tudo isto supõe uma perseverança inquebrantável que deve ser a marca luminosa do cristão.
                                                         * Professor no Seminário de Mariana - MG

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