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A GRANDEZA DE JOÃO BATISTA

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

      Magnífico o elogio que Cristo fez do seu Precursor: “Entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior que João Batista” (Mt11,11). Palavras divinas e fecundas em reflexões salutares. Cumpre pinçar qual o real fundamento de tal declaração de Jesus. Este embasamento deve levar o cristão a valorizar apenas o que merece o louvor de Deus, aproximando-se do Ser Supremo.
      Tudo que não confere na vida de cada um com aquilo que esplendeu no Precursor, não deve fazer jus à apreciação do seguidor do Mestre divino. No Batista fulgura uma vida inocente, penitente, humilde e inteiramente consagrada à sua missão de anunciar o Cordeiro de Deus. Eis a rota a ser seguida por todos que se dizem cristãos, sobretudo durante o Advento.
      Cônscio de sua sublime tarefa João Batista jamais manchou sua alma com qualquer falta e, afastando-se dos homens, no silêncio do deserto, preservou o tesouro de sua inocência. Vivia na contemplação de Deus, envolto em preces assíduas, suaves tertúlias com o Onipotente, homenagens de uma viva fé nas promessas que iriam ser cumpridas, ele se preparou para ser o arauto do Libertador de Israel e de todo o mundo.
      O discípulo de Jesus há de se recolher sempre no deserto de seu coração para se preservar da contaminação mundana. Viver na presença de Deus deve ser o ideal constante de quem tem fé. Mais agraciado que o próprio João Batista o cristão tem os Sacramentos, a proteção da Mãe de Jesus, as luzes do Espírito Santo e suas inspirações contínuas. Imerso nas graças prodigalizadas pela Redenção, cumpre ao epígono do Salvador ter em mira o ideal da perfeição, da santidade existencial, vivendo longe do pecado. Admirável, além disto, o espírito de penitência de João Batista que jamais cederia ao luxo e se envolveria com o supérfluo. À frugalidade da alimentação ele unia uma total simplicidade de vida.
      Hoje, mais do que nunca, é preciso que se cultive o fruto do Espírito Santo que se chama continência, ou seja, a mortificação dos desejos, do amor próprio, o combate aos próprios defeitos, dentro de uma dieta sadia, frutuosa para o corpo e o espírito. Fulge no Batista uma admirável firmeza, dado que não era “uma cana agitada pelo vento”. Sua humildade resplandecia no fato mesmo de enviar seus discípulos até Jesus, pois sabia que eles encontrariam nele o Profeta do qual ele não seria digno nem de desatar as correias de suas sandálias (Lc 3, 16).
      Belo ensinamento, pois devemos sempre glorificar unicamente o Autor de todos os dons, afastado todo orgulho, toda vaidade ou a procura dos louvores humanos. Nada convém tanto ao seguidor de Jesus do que uma modéstia profunda e um reconhecimento da total dependência ontológica do Criador de tudo.
      Toda nobreza do Precursor seria mais tarde coroada com sua morte numa fidelidade admirável à lei divina. Foi fiel à sua tarefa excepcional e manteve com o preço de seu sangue a santidade de sua conduta. Num contexto materialista como o atual é preciso semelhante sinceridade perante os meios de comunicação social e os disparates de uma sociedade hedonista e descrente. Mister se faz denunciar as ilusões terrenas e os sofismas que os meios de comunicação social lançam a cada hora e que vão levando de roldão a tantos que, desprevenidos, não blindam seu coração com os valores eternos.
      O Evangelho mostra que desde os dias de João Batista o Reino dos Céus padece violência. É preciso, então, que firme nos exemplos deste santo bendito possa o cristão conquistar este reino não obstante todas as lutas. João Batista foi o grande solitário do deserto, tornando-se modelo de vida interior.
      Asceta, ensina o espírito de penitência. Pregador, inflama todos os corações no zelo pelas coisas de Deus. Batista, fala alto que cada um se tornou filho predileto do Altíssimo no dia venturoso de seu batismo. Precursor, faz a todos partícipes de sua humildade. Mártir, inspira muita coragem. Correndo ao odor de suas virtudes estará cada um, realmente, se preparando para o Natal que se aproxima imerso na espiritualidade própria do Advento. João Batista está ainda a lembrar que a manifestação de Jesus a este mundo leva o homem à participação na vida divina.
      Isto não numa imitação de Cristo de fora para dentro, mas no viver Cristo que está em cada um. Daí a fuga de toda conduta indigna. Quando João Batista apontou Jesus como o Cordeiro de Deus, quis revelar o admirável intercâmbio entre a divindade e a humanidade. O Verbo assumiu o que era nosso para nos dar o que era seu. Afim de viver toda esta realidade, é preciso que cada um faça brilhar na sua existência um pouco da grandeza de João Batista.

                                                         * Professor no Seminário de Mariana - MG

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