A DIVINA MISERICORDIA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O
domingo da divina Misericórdia foi instituído na
Igreja por João Paulo II, dia 30 de abril de 2000, data
da canonização de Santa Faustina. Cai sistematicamente
no primeiro domingo depois da Páscoa. Santa Faustina recebeu
aparições regulares de Cristo consignadas no seu
livro “O pequeno Jornal”. O essencial da mensagem recebida por
ela gira em torno da misericórdia de Deus para com toda
a humanidade. O próprio Cristo solicitou que fosse esta
verdade fosse solenemente objeto de meditação no
domingo subseqüente à comemoração de
sua ressurreição.
O objetivo é que a clemência, a indulgência
, a bondade.do Ser Supremo seja sempre refúgio sobretudo
para os pecadores. Em conseqüência, esta comemoração
abre as entranhas da benevolência do Criador, envolvendo
a todos num oceano de graças. Dá-se então
o que está no profeta Isaías: "Se vossos pecados
forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se
forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos
como a lã!" (Is 1,18): Trata-se da recordação
viva do que está asseverou o Senhor no Livro do Êxodo:
"Uso de misericórdia até a milésima
geração com aqueles que me amam e guardam os meus
mandamentos". (Ex 20,6).
Era ,de fato, necessário haver um dia especial para se
lembrar o que está no salmo: "Louvai o Senhor, porque
ele é bom, porque a sua misericórdia é eterna".
(1Cr 16,34).
O antigo testamento frisa em inúmeras passagens exatamente
este aspecto: a misericórdia do Onipotente é duradoura,
inacabável, infindável, interminável. Há
uma condição basilar: retornar para o Pai celeste:"O
Senhor Deus é generoso e misericordioso e não desviará
os olhos de vós, se voltardes para ele". (2Cr 30,9).
Então sim, ocorrerá o que o Profeta asseverou: "À
voz de tua súplica ele te fará misericórdia;
assim que a ouvir, ele te atenderá". (Is 30,19) Ventura
e júbilo virão, deste modo, para cada um:, conforme
atesta o Eclesiástico: A misericórdia divina no
tempo da tribulação é bela; é como
a nuvem que esparge a chuva na época da seca".
(Eclo
35,26) Deus, porém, quer sinceridade, como está
no livro dos Provérbios:"Quem dissimula suas faltas,
não há de prosperar; quem as confessa e as detesta,
obtém misericórdia". (Pr 28,13) Este é
feliz, dado que “achará vida, justiça e glória".
(Pr 21,21) Adite-se que o respeito e a fidúcia são,
outrossim, necessária: "Agradam ao Senhor somente
os que o temem, e confiam em sua misericórdia".
(Sl 146,11) Os que, entretanto, se inebriam na benignidade do
Senhor, devem seguir o que Cristo preceituou: "Bem-aventurados
os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!"(Mt
5,7) É o que São Paulo afirmou aos Romanos "Porque
ele [Deus] disse a Moisés: Farei misericórdia a
quem eu fizer misericórdia; terei compaixão de quem
eu tiver compaixão (Ex 33,19)". (Rm 9,15) O Apóstolo
mostra como a clemência humana deve estar acompanhada de
outras virtudes: "Portanto, como eleitos de Deus, santos
e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de
bondade, humildade, doçura, paciência". (Cl
3,12) Quem é bom distribui benevolências; o humilde,
não se julgando superior aos outros, é capaz de
ser benigno em tudo; a brandura irradia felicidade aos outros
e sem paciência ninguém jamais será amável.
Agindo assim é que se pode seguir o conselho de São
Paulo "Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça,
a fim de alcançar misericórdia e achar a graça
de um auxílio oportuno". (Hb 4,16):.
É mister que todo batizado viva continuamente o mistério
da misericórdia divina que chegou ao auge lá no
Calvário, quando o lado de Cristo foi aberto pela lança
do soldado e suas mãos e pés estavam perfurados
pelos agudos cravos. As chagas de Jesus devem ser o refúgio
de todos a repetirem com Santo Tomé, repletos de confiança,
num ato de fé profunda: “Meu Senhor e meu Deus”. Dele,
realmente, se pode esperar paz e beatitude total.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
<----
Volta a página principal ----->