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IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

     Uma recomendação extraordinária de Cristo foi esta: “Estai preparados vós, porque na hora em que menos pensais o Filho do Homem chega” (Lc 12,40).
      A vigilância do cristão essencialmente consiste na atitude de quem espera e aguarda a volta de Jesus. Trata-se de um estado de alerta o qual inclui o desprendimento dos prazeres e dos bens da terra. Aliás, o próprio Mestre divino detalhou: “Tende cuidado convosco, não se tornem pesados os vossos corações com a crápula, a embriaguez e as preocupações da vida, e aquele dia não vos surpreenda de súbito como um laço” (Lc 21 34). Mostrou o que fazer: “Velai, pois, orando em todo o tempo para estardes em condições de fugir a todas essas coisas que estão para acontecer e para que possais estar firmes na presença do Filho do homem” (Lc 21,36).
      São Paulo entendeu, magnificamente, esta diretriz e recomendou: “Vigiemos e sejamos sóbrios” (1 Tl 5, 5). Decodificou o Apóstolo as normas dadas por Cristo e aconselhou: "Nós, ao contrário, que somos do dia, sejamos sóbrios. Tomemos por couraça a fé e a caridade, e por capacete a esperança da salvação". (1Ts 5,8) Tudo isto para que o batizado esteja de atalaia contra as tentações do Maligno durante toda a sua existência. Foi o que Jesus advertiu: “Vigiai e orai para não entrardes em tentação (Mt 26,41).
      Eis por que na prece que ele ensinou está bem claro: “Não nos deixeis cair em tentação”. São Pedro, que por sinal sucumbiu às insinuações do Inimigo e negou ser discípulo de Jesus, deixou esta diretriz: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar". (1Pd 5,8). Satanás e seus asseclas miram ininterruptamente o seguidor do Evangelho para fazê-lo renegar o Redentor. Cumpre que o cristão esteja sempre em guarda, ore muito e evite com uma ascese contínua as armadilhas do Espírito das trevas.
     Esta vigilância se recomenda sobretudo aos pais que têm a gravíssima responsabilidade de velar pelos seus filhos, defendendo-os contra os “lobos temíveis” (At 20,19). Adite-se que, ainda hoje, em muitas comunidades continua a prática recomendada por São Paulo de vigílias de oração: “Fazei sempre, pelo Espírito, orações e súplicas. Ocupai com elas as vossas vigílias com perseverança infatigável” (Ef 6,18). Tais vigílias são uma concretização real da vigilância cristã e uma repetição do que Jesus havia feito (Lc 6,12; Mc 14,38).
     Muitas vezes, diante do Santíssimo, os diversos grupos de ação pastoral vão se revezando durante a noite numa pedagógica maneira de incutir a prevenção contra o mal. Não se pode, porém, esquecer que a vigilância deve ser exercitada hora a hora na pugna contra Satã. A vigilância coincide com a prudência a qual resguarda e firma propósitos (Pv 2,11). Trata-se da “ciência dos santos” (Pv 9,10), mais valiosa do que a prata (Pv 16,16).
      No Livro dos Provérbios uma séria advertência "O homem que se desvia do caminho da prudência repousará na companhia das trevas". (Pr 21,16). Com efeito, a vigilância, a prudência, a precaução, o cuidado, a prevenção devem penetrar todos os pormenores da vida cristã, regulando os pensamentos, para cortar logo tudo que mancha a alma; as intenções, para que sejam sempre de acordo com a vontade divina; os afetos, a fim de que não se tornem carnais e torpes; os sentimentos e volições, com o objetivo de os unir ao Ser Supremo.      Tudo realizado à luz da eternidade, sendo sempre aclarada a inteligência pela fé. Passam a prevalecer as máximas evangélicas e não as veiculadas, perniciosamente, pela mídia. Três são as condições para que o batizado seja vigilante: deliberar com exatidão, decidir com sabedoria e executar com firmeza. Para isto muito ajuda a memória do passado, quando se pode verificar que muitos erros foram causados pela ausência deste tripé valioso.
      O vigilante afasta os preconceitos, as paixões e impressões perturbadores de um juízo correto das ações. Além disto, com perspicácia, pesa os prós e os contras de uma determinada circunstância que pode se tornar periculosa para sua eterna salvação. Em seguida, não hesita e, energicamente, foge das ocasiões de pecado e de tudo que arrefece o amor para com Deus. Para que tudo isto possa ocorrer, mister se faz pedir sempre o dom do Conselho ao divino Espírito Santo.
      A vigilância torna o coração pudico, pacífico, modesto, cheio de bons frutos. A previdência, a circunspeção, a precaução se tornam, então, um modo de ser e de agir. O cristão vigilante vive, deste modo, na Luz celestial e, sendo luminoso, comunica, eficientemente, Cristo ao mundo.

                                                         * Professor no Seminário de Mariana - MG

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