A EUCARISTIA NA VIDA DO CRISTÃO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Há
aspectos do culto eucarístico que devem sempre ser refletidos.
Existe um liame profundo entre a Eucaristia e a Vida Eterna.
Com
efeito, as palavras de Jesus foram claras: “Eu sou o pão
vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão
viverá eternamente; e o pão que eu darei é
a minha carne pela vida do mundo” (Jo 6,51).
Tais
sublimes palavras devem ser correlacionadas com esta outra promessa:
“E eu preparo para vós um Reino, como o Pai o preparou
para mim, para que possais comer e beber à minha mesa no
meu Reino, e vos sentareis no trono para julgar as doze tribos
de Israel” (Lc 22,29-30).Deste
modo, a participação eucarística é
uma prefiguração, um antegozo e dom antecipado do
futuro Reino de Cristo.
Eis
por que o cristão que se aproxima da Eucaristia já
degusta nesta terra as delícias que o Pai preparou para
os que lhe são fiéis (Rm 8,18).
Como no céu todos estarão reunidos para glorificar
perpetuamente ao Ser Supremo, a Eucaristia congrega os fiéis
em um mesmo lugar para antecipar, neste mundo, o que se dará
por toda a eternidade.
É
a reunião em comum de que fala a Carta aos Coríntios
(1 Cor 11,20). A Didaqué ou doutrina dos doze Apóstolos,
catecismo cristão escrito entre 60 e 90 d.C. aborda este
aspecto: “ Como este pão partido estava espalhado sobre
as colinas e, reunido, tornou-se uma coisa só, assim a
tua Igreja seja reunida dos confins da terra no teu Reino”.
São
Paulo assim se expressara: “ Porque há um só pão,
um só corpo somos nós, embora muitos, visto participarmos
todos do único pão” (1 Cor 10,17).
Daí
a importância de estarem os batizados reunidos na mesma
Igreja, sobretudo aos Domingos, congregados diante da Eucaristia.
Fortificados pelo Pão da Vida Eterna, podem todos então
prosseguir na caminhada para a Casa do Pai. Robustecidos para
vencer as tentações e as dificuldades desta passagem
por esta terra, sabedores de que o ingresso para o banquete eterno
se dará por uma porta estreita (Mt 7,14).
Esta
visão prospectiva é de vital necessidade.Com efeito,
quantos se prendem às vaidades mundanas, se escravizam
aos bens terrenos porque perdem o rumo do Paraíso, longe
da dimensão escatológica da Eucaristia.
Tudo
isto comprova a necessidade de uma preparação aprimorada
para se aproximar da mesa eucarística.
A
advertência do Apóstolo não pode nunca ser
esquecida: “E por isto todo aquele que comer o pão e beber
o cálice do Senhor indignamente, torna-se culpado para
com o corpo e o sangue do Senhor. Examine, pois, cada qual a si
mesmo e, assim coma deste pão e beba este cálice,
pois quem come e bebe sem fazer distinção de tal
corpo, como e bebe a própria condenação”
( 1 Cor 11, 27-30).
Nunca
se pode comungar em estado de pecado mortal. Hoje, há,
infelizmente, uma corrente de falsos teólogos que dizem
bastar o ato penitencial no início da Missa. Isto não
é verdade.
Há,
sim, o arrependimento e a purificação das faltas
veniais, dispondo o comungante para que faça uma fervorosa
comunhão.Quem, porém, não está em
estado de graça precisa primeiro passar pelo Sacramento
da Penitência, fazendo uma ótima Confissão.Todo
respeito é devido à Eucaristia, penhor da Vida Eterna!
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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