UM PERFEITO DISCIPULADO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O
Mestre divino Jesus Cristo deixou claras as condições
para um autêntico discipulado daqueles que se matriculam
na sua Escola de santidade, a qual leva à salvação
eterna. Desapegar-se totalmente de tudo e de todos para uma comunhão
integral com ele, carregar a cruz de cada dia e fielmente o seguir
(Lc 14, 26-28). Ele quer o coração de cada um, ou
seja, a totalidade do ser pensante num intercâmbio interior
constante com Ele.
Isto
significa uma identificação com sua Pessoa o que
São Paulo assim codificou: “Tende em vós os mesmos
sentimentos que havia em Cristo Jesus” (Fl 2,5). Cumpre se atinja
este ideal como o Apóstolo: “Já não sou eu
que vivo, mas é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20). Trata-se
da centralidade do Eu pessoal, no Eu de Jesus. Ele deu um exemplo
magnífico, carregando a Cruz até o Gólgota
e cada batizado deve aceitar as provações de cada
hora e colocar seus passos nos passos do Redentor. Nunca se pode
esquecer que o destino de Jesus terminou na Cruz.
A
perfeição, a santidade consistem em seguir Jesus.
O autêntico discípulo é aquele que só
se revela a partir desta realidade cristológica e vive
em função do Mestre sendo, assim, sua vida correta.
Então é capaz de perceber a presença inefável
do Filho de Deus no seu pensar, na sua reflexão, em todo
o seu ser. É mister penetrar fundo no mistério salvífico
para dele haurir a plenitude das luzes divinas. É a coragem
de deixar a clausura do próprio Eu, abrindo-se, inteiramente,
para as realidades superiores reveladas pelo Verbo Encarnado.
Quem assim procede atinge as paragens da imperturbabilidade, da
paz e vive o paradoxo da alegria apesar das tribulações
terrenas.
É
a vivência integral da doutrina oferecida pelo Salvador,
a qual leva à destruição do lastro do egoísmo
que aniquila a união com Deus. É que cada um necessita
de purificações, de metamorfoses para chegar até
o Ser Supremo. Este atribui a todos uma carga determinada de provações
e somente a disponibilidade humana com a graça celestial
pode levar à sublimação das mesmas na alheta
das lições evangélicas. Deste modo, é
que se evitam as desagregações dos ordenamentos
éticos, dado que as aliciações hedonistas
do atual contexto conduzem, inexoravelmente, para uma busca equivocada
de prazeres que deixam após si o vazio existencial.
Os
epígonos corajosos de Jesus colaboram com Ele para vencer
as superpotências do mal que a tantos arrastam para um miserando
abismo dos males psicossomáticos. É deste modo que
os cristãos exorcizam o mundo e se tornam os terapeutas
de uma sociedade corroída pelos mais hediondos crimes.
Mostram que somente de Jesus vem a beatitude que todos almejam,
não obstante as aflições cotidianas.
É
o despojamento incondicional para levar Cristo por toda parte.
A fidelidade à pessoa do Redentor é o critério
supremo da justiça e da salvação para si
e para os outros. O próprio Cristo deixou bem claro isto,
por ser Ele o meio e o fim da plena redenção humana.
Eis porque o verdadeiro discipulado do cristão o leva a
não se vergar ao que ditam as opiniões e os hábitos
dominantes. Quebra então o cristão, corajosamente,
a ditadura das mensagens deletérias da mídia com
todo seu cortejo de imoralidades e paixões desregradas.
Está
convicto de que perfeito é aquele que pratica, no mais
mais alto grau possível, o conjunto de virtudes que constituem
o patrimônio do ensinamento do Mestre divino. Por isto evita
com todo o empenho o pecado e resiste às más inclinações,
as quais conduzem ao oposto do amor a Deus e ao próximo.
Viver em estado de conversão contínua é o
que cumpre a todo batizado.
Deste
modo a iluminação divina se torna cada dia mais
intensa e se dá um progresso ininterrupto no bem. Disto
é que vai resultar finalmente a conformação
mística com Cristo. Adesão completa a Ele e disto
provém o usufruir das delícias espirituais. O discípulo
de Jesus vive sempre na presença de Deus e se desliga de
tudo para poder salvar a todos numa abnegação que
lhe vem do próprio Cristo. É lógico que esta
sublime caminhada se dá apenas para aquele que se envolve
na oração, transformando todas as ações
numa prece contínua. Quer trabalhe, quer descanse, esteja
só ou acompanhado, está sempre unido a Deus e aderido
a sua vontade, imerso na solenidade de seu amor. Vale a pena ser
verdadeiro discípulo de Jesus!
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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